quinta-feira, 3 de abril de 2008

Um fim de tarde em dois actos



1º Acto – Desloquei-me hoje, ao fim da tarde, ao Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), para assistir a uma conferência. E foi um verdadeiro viajar no tempo, já que o AHU foi o primeiro arquivo em que, nos idos de 1986, tive uma intervenção profissional, fruto de um estágio que ali fiz com a minha amiga PG, e que recordo com boas memórias quer pelo bom acolhimento que sempre tivemos, quer pelo trabalho que ali efectuámos.
Para além disso o AHU, instalado desde 1929 no Palácio da Ega, à Junqueira, tem entre a sua documentação a Secção Ultramarina da Biblioteca Nacional e o Ministério das Colónias ou do Ultramar, possuindo documentação desde o século XVI até 1975.
Dado que o seu acervo constitui a memória de cinco séculos de Portugal no mundo, é o mesmo extremamente rico, sendo muito interessante nele fazer pesquisa. Já para não falar na sua riqueza iconográfica e cartográfica, da qual vos dou uma pequenissima amostra nestes três marcadores de livros...
2º Acto - O motivo da visita foi uma conferência sobre O Palácio dos Saldanhas à Junqueira, proferida por Cristina Barbosa da Cruz e comentada por José Sarmento de Matos, olisipógrafo que dispensa apresentações.
O tema em si, resultante da tese de mestrado de Cristina Barbosa da Cruz, é interessante, já que faz a história do edifício onde se situa actualmente o AHU, tendo para o efeito que falar na família que o habitou, das relações sociais à época, da arquitectura, etc., enfim fazendo deste final da tarde um momento bem passado.
E que me fez conhecer melhor esta cidade em que sempre vivi e trabalhei.

4 comentários:

Teté disse...

Essa conferência parece ter sido mesmo interessante. Pelo menos para quem gosta de História, que é o meu caso.

Só não disseste se o arquivo pode ser consultado por um cidadão comum, presumindo eu que visitado poderá ser sempre...

Leonor disse...

Teté

Touché... esqueci-me, mas aqui vai: pode ser consultado por qualquer pessoa (maior de 18 anos penso eu) entre as 13,15 e as 19,15 todos os dias e ao sábado das 19,15 às 12,15. Se não conheces vai, vale a pena

Mocho-Real disse...

Muito interessante, Leonor, mesmo muito! Pena tenho de não poder lá ter estado.

Já agora, apenas por curiosidade, digo-lhe uma coisa que talvez ache interessante.
O meu avô paterno, que não chegui a conhecer pois faleceu com 40 e tal anos, foi autor de um "CÓDIGO TELEGRÁFICO GUEDES". Era um trabalho admirável que através da combinação de cores e de letras e números codificava as mensagens.
Foi muito usado pelos CTT, por exemplo e até aos anos 60.
Creio que ainda tenho algures um exemplar, pelo menos.
É verdade, tal como foi de sua autoria um plamno de irrigação para Lourenço Marques, se não erro, onde viveu e onde nasceram alguns dos filhos.
Ele era vice-governador do BNU em Lourenço Marques - José Guedes da Silva era o nome. Um self-made man, completamente. Começou como paquete do Banco, imagine, depois de rumar a África escondido no porão do navio. Naqueles tempos... quem tinha o gosto pela aventura e dois dedos de miolos, safava-se bem, como vê!

Um abraço.
Jorge P.G.

Leonor disse...

Caro Jorge

Nunca tinha ouvido falar desse código, mas vou averiguar... em crianças, eu e os meus irmãos tinhamos fascínio por códigos e por codificação de mensagens...

Antigamente, de facto, as pessoas mudavam e refaziam vidas de uma maneira que agora se não faz, curiosamente.
Ou faz-se sem deixar de se pensar que é uma injustiça ou que nos dias de hoje já não há segurança.
Vejo pessoas andarem angustiadas por não saberem se a empresa em que trabalham (espanhola por sinal) vai ter apenas a sede em Madrid, obrigando assim a mudança de país, mas não vejo os meus vizinhos espanhois incomodados por terem vindo para cá viver e acabaram de ter uma criança.
Enfim, nós portugueses oscilámos sempre entre estas duas posições creio eu.
Os meus avós paternos e maternos também viveram em Angola.
Eu conheço, por motivos profissionais, é certo, Cabo Verde, Angola e Moçambique.
Nunca fui à Guiné, nem a São Tomé que dizem lindo, nem muito menos a Timor.
Curiosamente também nunca fui ao Brasil, e se o Oliver lê isto levo já um puxão de orelhas, e digo curiosamente, porque é destino de tanta viagem de português...
mas ainda não calhou...

bom fim de semana