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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Memórias



Felizmente, quando falamos em património cultural (arquivístico ou não), nem tudo são más notícias, ou a simples manutenção do já existente.

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E para quem, como eu, já trabalhou num arquivo sem electricidade nem luz (e não foi há muito tempo... já para não dizer que se poderiam acrescentar aqui outras tantas situações pitorescas) , não posso deixar de registar a abertura ao público de mais um arquivo com obras feitas e onde tudo parece estar no devido sítio.
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Estou a falar do Arquivo História da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, recém mudado para a sede.

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E onde a história se cruza com a assistência na cidade de Lisboa, dando assim lugar à memória dos desfavorecidos e tantas vezes esquecidos. Mas como a documentação não se fica apenas por essas temáticas, aqui ficam registos de outras memórias: as dos jogos da Santa Casa.


Não serão bilhetes utilizáveis, é certo, ou com direito a algum prémio nunca reclamado... mas são documentos cuja evolução está ligada tanto à tecnologia como a novas formas de publicidade, etc.

Ora aí está um catálogo de imagens que deve ser bem interessante...

terça-feira, 7 de abril de 2009

Arquivos perigosos



Em tempos de guerra, já se sabe que também os arquivos sofrem… às vezes de formas irrecuperáveis.

Mas quando se trata de guerras civis, a situação consegue piorar. Vêm estas considerações a propósito da abertura ao público de parte dos arquivos da polícia secreta durante os anos de 1960-1996, da (longa) guerra civil da Guatemala, decidida pelo procurador dos Direitos Humanas da Guatemala, Sérgio Morales.
Tratou-se de recuperar, organizar e descrever um conjunto documental (cerca de 80 milhões de documentos) fundamental, não só para a compreensão daquele período histórico, mas também para a identificação e informação sobre o paradeiro de 200 mil pessoas mortas ou desaparecidas durante aquele período de tempo.

Um tal tipo de informação é, obviamente, sensível e a sua disponibilização não terá agradado a todos. Coincidência ou não, no dia a seguir, a mulher do procurador dos Direitos Humanos foi raptada, torturada e entretanto solta.

Há projectos (e arquivos) que merecem ser divulgados. Este é um deles.

Se quiserem saber mais sobre gestão de arquivos de Serviços de Segurança de Estados Repressivos, leiam o relatório apresentado por António Gonzalez Quintana aqui.

Outro lado desta memória é também o Projecto Guatemala, do National Security Archive, da Universidade George Washington, dos EUA, destinado a divulgar os arquivos secretos dos EUA sobre a Guatemala. Este site reúne documentação já desclassificada, bem como vídeos e fotografias, nomeadamente o processo do Esquadrão da Morte (diário militar com registo de desaparecidos, bem como planos da CIA para a região.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Memórias do Mundo

E porque as memórias têm tendência para ir aumentando, fazendo novas ligações, abrangendo novos assuntos, aqui fica o registo de um programa da UNESCO que vale a pena conhecer: trata-se da Memória do Mundo, programa destinado a encontrar, classificar, tornar acessível e preservar memórias em todo o mundo.
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Ambicioso nos seus objectivos, é um programa extremamente importante para a memória da Humanidade, não apenas necessariamente aquelas coligidas por arquivos, bibliotecas e museus.
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Até dia 30 de Abril, está a decorrer um breve questionário sobre este programa. E porque não dar a nossa opinião/informação sobre aquilo que, para os seus fins, consideramos pertinente?
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Ña verdade, este programa vive das memórias de todos nós!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Distâncias e proximidades


Registos de baptismo, processos de naturalização, denúncias ao Tribunal do Santo Ofício, privilégios concedidos a estrangeiros… o que pode um conjunto destes (e outros) documentos atestar?

O relacionamento entre os papéis, pessoas e os seus percursos permite o visionamento de uma exposição bastante interessante, patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, intitulada Os Arquivos no Diálogo Intercultural.

A exposição está dividida em 5 secções:

1 – Entre um nome e uma nacionalidade
(documentos que dão acesso, registam e legitimam a identidade nacional e os direitos relativos à mesma)
2 – Espaços da Cidadania
(documentos referentes a alguns dos direitos humanos relativos aos domínios do casamento, educação, saúde, trabalho e voto)
3 – Os que chegam e os que partem
(documentos relativos à circulação de pessoas, suas motivações e percursos)
4 – Os que vêm para ficar
(documentos relativos ao processo de instalação definitiva em Portugal)
5 – Nós e os outros – diálogos
(documentos relativos a esforços de promoção e limitação do diálogo intercultural em diferentes momentos da História Portuguesa)

E abrange um conjunto de 113 documentos que vai desde 1452 (um treslado) a 2006.
Uma ideia verdadeiramente interessante e que nos permite o contacto com documentos tão díspares como o registo de baptismo da filha de uma escrava de Damião de Góis, O nosso primeiro livro de leitura do Departamento Social e Cultural do Comité Central do PAIGC, ou o registo de cadastro de Miloud Bem Ali e acompanhantes, acrobatas, naturais de Marrocos, efectuado pela Inspecção Geral dos Teatros.

Vale a pena a visita. Pena é que não exista um catálogo impresso, como esta exposição merecia.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Falar com a Família

Estamos em plena época natalícia, época essa que a mim me diz muito. Por ser católica, pela comemoração que fazemos nesta altura, naturalmente.

Sem me deter a falar sobre o Advento, ou mesmo o Presépio, já muito bem explicados aqui na Blogosfera, e sem que saiba “decorar” este meu espaço condignamente, como gosto de fazer em casa e mesmo no local de trabalho, muito embora continue a fazer o que sempre se fez em minha casa (passeio dos Reis Magos pelas várias prateleiras, até ao dia 6, colocação do Menino Jesus apenas à meia-noite do dia 24), venho falar-vos de outra participação activa nesta época; a Família.

Não imaginando passar o Natal sem a Família (presente ou ausente), é também época de jantares e almoços familiares, com a reunião de familiares que, às vezes, só avistamos nesta altura. E porque a Família também se faz de histórias, aqui deixo uma excelente e imaginativa iniciativa dos Arquivos Nacionais Ingleses: Falar com a Família.

Quer sejamos meros curiosos com a história imediata, quer queiramos ir mais ao fundo e “descobrir” parentes mais afastados e vivências de outras épocas, falar com a nossa Família é sempre o eixo fundamental. E daí partimos para outras buscas, porventura já nos Arquivos.

Não se limitando ao óbvio, mas antes dando conselhos sobre como, depois das conversas familiares, podemos tratar e guardar a nossa documentação (seja qual for), é uma iniciativa bastante interessante e de alcance universal.
Os Arquivos também servem para isto!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Arquivos, conservação e acesso


“A perda de antigos documentos, quanto ao passado, era já immensa, e podia prever-se qual seria quanto ao futuro, conservando-se as cousas no estado em que se acham. Convencida que fazia um bom serviço ao paiz aconselhando o Governo a que conservasse no Archivo geral do reino os documentos chamado-os a Lisboa, depois de examinados e utilisados litterariamente, a Academia não hesitou em fazê-lo(...)"
Se a prosa de Alexandre Herculano é datada (1857) e a descrição do estado dos Arquivos, neste caso Eclesiásticos, também, mas que neste caso era essencial para o levantamento que a Academia das Ciências fazia para a publicação dos Portugaliae Monumenta Historica, a necessidade de conservação, descrição e acesso aos Arquivos, essa mantém-se, é claro.
Sejam eles compostos por papeis, documentos electrónicos ou qualquer outro suporte. Caso contrário, temos apenas montes de documentos, como na fotografia. Inúteis.

sábado, 20 de setembro de 2008

Os documentos, os livros e o marketing


A distância que medeia o tempo em que os Arquivos eram considerados um bem precioso para a instituição, e por isso mesmo fechados num cofre, normalmente com três chaves, distribuidas por três pessoas, ou das Bibliotecas arrumadas em estantes com correntes para que os livros não fossem levados, e o nosso é certamente muita.


A abertura, possibilidade de acesso, empréstimo domiciliário, serviços educativos e novas formas de encarar a profissão e o serviço que se presta não podem, de facto, ser comparáveis nem sequer ao século XIX.
Afinal, não é em vão que vivemos na Sociedade da Informação, e, embora cada vez mais ela seja digital e rompa fronteiras físicas e temporais, nem tudo está disponível on line e nem toda a gente tem possibilidade de aceder a uma ligação à WWW.
No entanto, devo dizer que duas sessões do excelente curso Marketing do Livro, que estou a tirar na Booktailors bastaram para me aperceber que muito pode e deve ainda ser feito. Uma área um pouco descurada na nossa formação, diria eu, mas que poderia operar pequenos milagres nalguns Serviços de Informação cuja estratégia de actuação muitas vezes não encontra eco na procura por parte dos utilizadores.
Aqui fica a notícia.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Registos


Quando pensei em ter um blog confrontei-me, é claro, com o problema do nome e conteúdo. Sendo eu Arquivista (e gostando do que faço) não me passaria pela cabeça ter um blog que não falasse sobre documentos, livros, arquivos, bibliotecas, etc., etc... enfim temas que me são queridos e com os quais me deparo quotidianamente.
Porém, e como há mais vida para além do défice, nunca pensei fazer um blog apenas vocacionado para essas temáticas, mas no fundo para tudo o que de uma forma ou outra me interessa ou toca. Estava escolhido o conteúdo.
Já o nome foi mais fácil. Na verdade surgiu-me como uma evidência: Registos, de registar, tarefa arquivística, mas não só. Na verdade extensível a outras actividades e a documentos.
Se há imagem que eu considere que represente esta tarefa é esta mesma do escriba egípcio: aqui está ele a Registar qualquer coisa. Aqui fica.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Os Arquivos e as Memórias: O(s) Projecto(s) Bam, no Irão


A cidade de Bam, no Irão, se estão recordados, foi vítima de um violento terramoto que matou 30.000 pessoas, na manhã do dia 26 de Dezembro de 2003.

Se recordo aqui, agora, este trágico acontecimento, na primeira vez que se comemora o Dia Internacional dos Arquivos, passados que são 60 anos da criação do Conselho Internacional de Arquivos em Paris, no seio da UNESCO, é porque considerei que divulgar os dois projectos Bam que se desenvolveram em torno da salvaguarda das memórias fotográficas da cidade e dos seus habitantes constituiu uma dupla homenagem: aos arquivistas envolvidos nos projectos, mas sobretudo, aos ilustres anónimos (para nós) habitantes de Bam que podem assim manter e participar na elaboração das suas memórias (neste caso particular, fotográficas).

Se é certo que os Arquivos constituem a Memória de um Povo, de um País, não é menos certo que não existem sem que haja registos desse mesmo Povo…

Os Projectos Bam

- Depois do terramoto, e, quando lhes perguntavam “qual é o seu local favorito na cidade?” a maioria dos habitantes de Bam respondia: o cemitério. Quando se lhes perguntava porquê, respondiam simplesmente: “porque é onde as nossas memórias estão”.
De facto, 80% das famílias em Bam tinha perdido familiares no desastre, e a memória imediata estava irremediavelmente relacionada com a tragédia.

Foi assim desenvolvido um projecto único, criativo e inovador, pela Picture People, com a ONG Britânica Merlin e a ONG Suiça Terre des Hommes, dando a 100 homens, mulheres e crianças, máquinas fotográficas Kodak para que fotografassem a sua vida após o terramoto. Esta experiência produziu, como é natural, centenas de imagens e histórias, o que levou a que o projecto se tornasse anual, com o objectivo de se manter até 2010.

Simultaneamente, e sob a vontade de Parisa Damadan, desenvolveu-se o Bam Photographic Rescue Project, sustentado pela parceria com a AIDA Nedeerland, onde arquivistas holandeses asseguram a digitalização e controle de qualidade das imagens trazidas.
O objectivo deste projecto era (e é) salvar os espólios fotográficos das casas comerciais dos fotógrafos de Bam, existentes à data da tragédia. Salvar, portanto, um manancial de registos fotográficos dos habitantes de Bam que, de outra forma, não mais seria acessível para ninguém, nem para os próprios. Vale a pena visionar as imagens, que, de resto, não consegui copiar.
Bem como o pequeno filme feito por um realizador iraniano, logo após o terramoto, visionável mais abaixo.

No Dia Internacional dos Arquivos, é reconfortante acompanhar este caso.

Afinal, não há Arquivos sem Registos, sem Memórias, sem Pessoas.

three Days and ten days -

sábado, 10 de maio de 2008

E falando em campo, outros olhares, outras histórias





E porque esta semana estou virada para outros tipos de registo, aqui fica mais outra área, a propósito de um livro que acabou de sair: O Eucaliptal em Portugal.

Sendo uma árvore muitas vezes tão mal amada, tive alguma curiosidade em ver o que dela se poderia dizer, e logo num volume de 398 páginas!

Começando pela sua história, isto é, pela história da sua introdução em Portugal, o livro, de múltiplas autorias, vai analisando os vários factores relativos à plantação do eucalipto: produtividade, recursos hídricos, solo, biodiversidade, fauna selvagem, agentes bióticos, silvicultura pós-fogo em eucaliptais, impactos sócio-económicos, modificação das paisagens e influências das alterações climáticas. Um verdadeiro descascar da árvore.

Numa altura em que tanto se fala dos recursos naturais, é bom ver aparecer estudos assim.

E, porque nos Arquivos se guarda a memória de várias Histórias, aqui deixo mais outra referência: a da História Florestal, Aquícola e Cinegética, conjunto de 7 volumes com a memória de documentação sobre aquele assunto existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo entre 1208 e 1583, seja em sumário, seja em transcrição.

Aqui deixo três registos daí retirados. Três pequenas histórias.


Também podem ver que as minhas habilidades no domínio da digitalização não estiveram hoje no seu melhor...

domingo, 27 de abril de 2008

Os Arquivos e as Guerras

Ao longo da História, as guerras foram sendo sinónimo de “empréstimos” mais ou menos escandalosos de arquivos, sendo comum o conquistador levar, às vezes em grandes quantidades, arquivos dos territórios conquistados.

Por isso mesmo, surge em Arquivística o princípio da territorialidade, o qual determina que os arquivos devem ser mantidos sob a jurisdição arquivística do território onde foram produzidos.

Mas se os princípios podem ser enunciados, é mais difícil, no teatro da guerra, serem aplicados. Foi assim, com particular agrado que, através do Conselho Internacional de Arquivos, tomei conhecimento da Declaração Conjunta que a Society of American Archivists e a Association of Canadian Archivists fizeram a propósito da documentação desviada do Iraque, digamos assim, durante as duas Guerras do Golfo.

Nela são enunciados o tipo de documentação levada, aproximadamente o número e por quem. Vale a pena ler.

Costuma dizer-se que os arquivos constituem a nossa a memória. Subtrai-los equivale a apagá-la.

aqui tinha feito um post a propósito dos problemas que se colocam ao património, seja ele museológico, biblioteconómico ou arquivístico em caso de conflitos armados. Às vezes esquecemo-nos…

sábado, 15 de março de 2008

Os arquivos e a formação das identidades



Nunca a questão das autonomias e independências esteve tão premente e simultaneamente agitou tanto a cena política europeia e não só.

Lembrei-me assim de aqui falar de uma obra que, sendo uma recolha de documentos existentes em diversos arquivos, pode ajudar a fazer uma reflexão sobre as nossas identidades ocidentais.

Falo de Archives de l’Occident, obra dirigida por Jean Favier, historiador e arquivista, o qual, no seu prefácio pergunta: Avec quoi écrit-on l’histoire?

Sem dúvida uma obra ambiciosa e de divulgação, pensada em três volumes, dos quais creio só terem saído dois, o primeiro e terceiro que possuo. Nunca consegui perceber se o segundo chegou a sair. Faz uma selecção de documentos e publica-os, enquadrando-os, naturalmente em grandes assuntos. Para além disso tem ainda bibliografia útil,

Uma leitura interessante com algumas curiosidades.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Há sempre almas caridosas

Tim Craven, professor na Universidade de Western Ontário, disponibiliza uma série de software livre com inegável interesse para quem anda pelas áreas das bibliotecas e arquivos mas não só.

Uma breve passagem de olhos pelos cinco programas que podem ser descarregados aqui, permitem-nos verificar que:

- ExtPhr32 - extrai todas as palavras e frases que ocorrem num documento, contabilizando-as (com algumas excepções, que se podem ver aqui);

- NEPHIS32 é um programa compilado (escrito em Delphi 6) para gerar índices usando NEPHIS (NEsted PHrase Indexing System). Mais informação aqui;

- TexNet32 disponibiliza aos seus utilizadores ferramentas de auxílio à escrita de abstracts- Mais informação aqui;

- TheW32 – programa para Microsoft Windows que permite criar e manter um Thesaurus. Veja mais aqui;

- XRefHT32 fornece uma variedade de funções que auxiliam na produção de índices baseados na Web. Descubra todas as potencialidades aqui.

É isto que é interessante no software livre. Haver alguém (um indivíduo ou um grupo de pessoas) a desenvolver programas dos quais todos podemos beneficiar gratuitamente.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Rankings de Conteúdos Culturais Portugueses na Internet

Com o advento da Web 2.0, todos os agentes culturais se vêm confrontados com um novo desafio: não chega ter presença on-line, mas é ainda necessário fomentar a interactividade, favorecer a comunicação com os utilizadores e promover a partilha de recursos.

No suplemento Digital do Jornal Público de 19 de Janeiro de 2008, foram convidados quatro webdesigners para analisar os sites de museus portugueses: Joana Carravilla (Seara.com) Nuno Frazão (View), Carlos Moreira (ESEC) e Paulo Moreira (VisualWork).

Boa navegabilidade, visita virtual à colecção, design apelativo, loja on line, interacção com os utilizadores, são alguns dos pontos fortes referidos, ou seja, conteúdos sim, mas com coerência e facilmente acessíveis.

No outro lado da questão, destacam os problemas dos sites institucionais limitados, a modelos predefinidos, bem como o símbolo de acessibilidade w3C, nem sempre usado com rigor.

Deixo-lhes aqui, para que possam dizer de vossa justiça, a lista dos Museus, e respectivos sites, ordenados com a classificação atribuída:

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Daniel Blaufuks e os Arquivos


O Arquivo, exposição do fotógrafo Daniel Blaufuks patente na Agência de Arte Vera Cortês reflecte sobre a imagem de um arquivo pessoal, onde a pessoa sente (ou não) necessidade de recordar, registar, arquivar, catalogar e inventariar as suas memórias, independentemente dos documentos ou suportes em que o faz.
Esta exposição reflecte ainda sobre a memória da pessoa após a sua morte e a inevitável degradação/esquecimento dessa mesma memória e dos suportes onde se tentou preservá-la.
A visitar na av. 24 de Julho, 54, 1º esq.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Software Livre: novas oportunidades para arquivos e bibliotecas?

O software livre (ou open software, open source), traz, como se sabe, quatro grandes vantagens:

  1. a liberdade de executar o software, para qualquer uso;
  2. a possibilidade de estudar o funcionamento de um programa e adaptá-lo às suas necessidades:
  3. a liberdade de distribuir cópias
  4. a possibilidade de proceder a alterações que beneficiem o programa, podendo as mesmas serem tornadas públicas, facultando-as assim a toda a comunidade de utilizadores

Numa era globalizada e em rede o software livre surge com o projecto GNU lançado por Richard M. Stallman, depois de, em 1984, ter surgido a "Free Software Foundation".

Naturalmente os serviços de gestão de informação não poderiam ficar alheios a tal questão.

Que ferramentas se encontram disponíveis em Portugal?

- Sistema de Gestão e Administração de Bibliotecas

Koha - http://www.koha.org/

Programa desenvolvido na Nova Zelândia, utilizado por diversas bibliotecas do mundo. Veja aqui a apresentação feita pelo Instituto de Informática do Ministério das Finanças.

- Sistema de Gestão de Documentos/Arquivos

ALFRESCO - http://www.alfresco.com/

Programa que gere a criação, armazenamento e recuperação de documentos. Veja aqui uma pequena descrição e aqui o projecto da IGAC para a sua implementação.

A Associação de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) vai realizar um curso sobre o assunto, dado pelo Eng. Rafael António.

Sugestão de leitura:

Open access in context: a user study / David Nicholas, Paul Huntington and Hamid R. Jamali

in Journal of Documentation, Vol. 63, N. 6, 2007

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Os Arquivos e a Pegada Ecológica: a desmaterialização de processos

fechar a torneira quando lavamos os dentes, separar o lixo, substituir as lâmpadas de casa para as de baixo consumo... enfim, tudo coisas que podemos fazer para contribuir para melhorar o ambiente.
E os Arquivos e as administrações, podem contribuir para uma alteração da prática ambiental? Podem ! A desmaterialização de processos tão em voga nas nossas administrações é uma forma de aliar as tic a objectivos ambientalistas, substituindo os escritórios e "depósitos" de papel por documentos electrónicos inseridos num sistema de gestão documental em ambiente virtual.
Portugal, como não poderia deixar de ser, tem também evoluido para essa prática, apresentando já inúmeros projectos de desmaterialização de processos; veja-se, por exemplo o dos Tribunais:
- o SITAF - Sistema de Informação dos Tribunais Administrativos e Fiscais
Outro caso certamente com impacto na nossa administração pública é o da futura desmaterialização do processo legislativo, tendo ainda hoje, em cerimónia pública, sido dado um "mergulho nesse sentido" com a entrega da autenticação da assinatura electrónica do Presidente da Assembleia da República.
Enfim, menos papeis, melhor gestão documental, melhor ambiente
Sugestões de Leitura:
Sociedade da Informação: O percurso português. Dez anos de Sociedade da Informação. Análises e Perspectivas / coord. Jorge Dias Coelho. - Lisboa, Sílabo, 2007
A Europa na era global / Anthony Giddens. - Lisboa, Ed. Presença, 2007