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domingo, 4 de janeiro de 2009

Arqueologia da Bíblia




Nos intervalos da gripe, lá fui continuando a ler. Tendo o elefante Salomão/Solimão já chegado a Viena, parti para outras paragens, infelizmente menos pacíficas na actualidade.

Falo do livro As Batalhas da Bíblia, de Chaim Herzog e Mordechai Gichon, que faz o relato da história militar do povo israelita baseando-se nas descrições bíblicas. Trata-se de um relato não só apoiado nas descobertas arqueológicas, que permitem o desenvolvimento da Arqueologia da Bíblia, como também na história militar – o que não é de estranhar, já que os dois autores foram militares – analisando as batalhas do ponto de vista da arte da guerra e estabelecendo paralelismos com outras batalhas, tanto as passadas naquele território ao longo dos séculos, como noutras paragens.
De leitura fácil, peca apenas pela fraca qualidade dos mapas (não é que não tenhamos conhecimento de algumas localidades na actualidade, mas ao pormenor a que são dadas as notícias e com toponímia antiga nem sempre actualizada, às tantas sabemos apenas que estamos algures em Israel ou Palestina) e inexistência de glossário.
Para saber mais sobre arquelogia da Bíblia, vejam aqui e aqui.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os salteadores do património perdido






Museu de Cabul: sistematicamente pilhado entre 1991 e 1996
Museu do Iraque pilhado em Abril de 2003. O seu director Mushin Asan, impotente, no museu.

A Guerra, directa ou indirectamente, é sem dúvida uma das maiores ameaças à conservação do património.

Mas não se pense que é a única.

Está patente ao público no Museu Nacional de Arqueologia a excelente exposição, que aconselho vivamente: História Perdida: uma exposição acerca do comércio ilícito de antiguidades no mundo, organizada pela Fundação Helénica da Cultura.

Com claros objectivos pedagógicos, a exposição traça a evolução histórica da noção de património histórico e património nacional, bem como do aparecimento das colecções e dos museus.
Percorremos assim casos sobejamente conhecidos como os do roubo dos mármores do Parténon por Lord Elgin em 1801, ou o saque da ilha de Chipre entre 1865 e 1876 e poderíamos apontar o caso do Iraque como um dos muitos deste século. Mas quantos outros foram feitos? Quantos museus enriqueceram os seus espólios com peças de origem duvidosa?
A verdade é que o tráfico ilícito de antiguidades é um mercado em expansão.
Embora a Convenção da UNESCO de 1970 para a “Adopção de medidas para proibir e impedir a importação, a exportação e a transferência ilícita da propriedade e de Bens culturais” esteja em vigor, o primeiro país que a assinou foi o Equador. Hoje em dia 109 países adoptaram a Convenção. Os Estados Unidos assinaram em 19883 e a Grã-Bretanha em 2003.

Mais importante que isso, o comércio de antiguidades passou a fazer-se com mais rigor, declarando os conservadores de museus que não iriam adquirir peças sem saberem a sua proveniência.
Thomas Hawing, director do Metropolitan Museum of Art terá dito, em 1970, “a era da pirataria acabou”. Nada podia estar mais errado. Porque, na impossibilidade de o próprio museu comprar se formaram grandes colecções privadas com origens desconhecidas, cujos proprietários muitas vezes passavam para as administrações de grandes museus. Porque peças roubadas aparecem nos museus anos mais tarde. Porque enquanto houver quem compre vai haver sempre quem venda.

E entretanto o nosso património perde-se. Falamos de museus. Mas também podiamos falar de bibliotecas ou arquivos: o panorama é o mesmo: em tempos de guerra saqueiam-se