O segundo crepúsculo.
A noite que afunda no sonho.
A purificação e o esquecimento.
O primeiro crepúsculo.
A manhã que foi alba.
O dia que foi manhã.
O dia inumerável que será a tarde gasta.
O segundo crepúsculo.
Esse outro hábito do tempo, a noite.
A purificação e o esquecimento.
O primeiro crepúsculo…
A alba sigilosa e na alba o soçobro do grego.
Que trama é esta do será, do é e do foi?
Que rio é este pelo qual corre o Ganges?
Que rio é este cuja nascente é inconcebível?
Que rio é este que arrasta espadas e mitologias?
É inútil dormir.
Corre no sonho, no deserto, numa cave.
O rio que me arrebata e eu sou esse rio.
Fui feito de uma matéria desagregável, de misterioso tempo.
Talvez o manancial esteja em mim.
Talvez de minha sombra surjam, fatais e ilusórios, os dias.
Jorge Luís Borges