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domingo, 26 de outubro de 2008

Memórias


Desde que li o post A Memória das Prisões, do Tomás Vasques, que tenho pensado (mais do que é costume) sobre as memórias da nossa história recente.

Já tinha, de facto, lido no jornal a intenção de transformar o antigo Forte de Peniche em Pousada, mas, tendo estado há pouco tempo no núcleo museológico ali existente em memória nos presos políticos que por lá passaram, tenho alguma dificuldade em compreender como se articulará uma Pousada como uma memória daquele tipo.

O movimento cívico Não Apaguem a Memória não tardou a tomar uma posição e, num comunicado à imprensa, criticou o que considera ser mais uma memória que se apaga. E, de facto, o que resta do projecto de resolução para criação de um Roteiro Nacional da Liberdade e da Resistência, memória da resistência em prol da liberdade e da democracia? O projecto do museu na Cadeia do Aljube?

Ficam, sem dúvida, as memórias documentais, existentes nas bibliotecas e arquivos, os projectos de investigação. Mas, quer para quem fez a passagem entre os dois regimes, quer para as gerações nascidas após o 25 de Abril, não seria mais benéfico o reconhecimen
to e estudo desse período da nossa história?

Não estando exactamente à espera de uma proposta à la Baltasar Garzón, resta-me aguardar por novos desenvolvimentos do projecto de Roteiro. E lembrar Memórias.
Como as relatadas em Por Teu Livre Pensamento. Histórias e memórias de 25 ex-presos políticos portugueses, de todas as áreas. Um notável trabalho de pesquisa documental e fotográfica, a que se acrescentam as fotografias actuais tiradas por João Pina. Os textos são de Rui Daniel Galiza. Vale a pena ver e ler.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Obviamente demito-o: as eleições presidenciais de 1958, O General Sem Medo e o Movimento Nacional das Mulheres Portuguesas

Duas formas de dar a conhecer a nossa história e não apagar a memória.
Neste mês de Maio temos à disposição dois registos opostos de uma mesma realidade: o Portugal de 1958, atravessado pelas eleições presidenciais onde Humberto Delgado, candidato não oficial, ousou desafiar o regime.

Falo da biografia de Humberto Delgado, trazida a lume pelo seu neto Frederico Delgado Rosa, um espantoso trabalho de investigação que narra a par e passo a sua vida e se lê agradavelmente. Mas que só foi possível, claro, depois de uma recolha exaustiva de fontes.

Do outro lado do Portugal de 1958, está o Movimento Nacional das Mulheres Portuguesas, que Inês de Medeiros revela no seu documentário Cartas a uma ditadura, e cuja narração podem ler no Luís Galego, que o faz melhor que eu. Mas direi só umas palavras.

Resposta de um regime que se considera ameaçado, o documentário mostra um outro lado desse Portugal longínquo, revisitando essas senhoras que, em 1958, respondem à chamada.

Um documentário tranquilo, muito bem concebido e filmado, que permite ter uma visão de uma outra realidade, e que, mesmo desse lado do Portugal de 1958, apresentada vários registos.

Curiosamente, a maioria das senhoras entrevistadas não consegue definir Ditadura, mas também não o faz para Democracia, em registos de várias classes sociais. Aqui está uma questão que, em meu entender, devia merecer alguma reflexão.