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terça-feira, 17 de junho de 2008

Conhecer os outros: os pilotos tokkotai



Como afirma Heidegger, nós estamos na história. Não que a história exista primeiro e nós entremos nela. No momento em que nascemos, estamos na história.
1 de Novembro de 1940


Dizem que todos os japoneses têm de trabalhar nas indústrias importantes para o esforço de guerra. Isso quer dizer que há quem esteja a sugar o doce néctar ignorando a luta, a dignidade humana, a humanidade dos japoneses. O que é o patriotismo? Que se entende por terra ancestral?
14 de Setembro de 1941

Não sei porquê mas não consigo sentir-me eufórico com as vitórias do Japão na guerra. Sinto ansiedade. Preocupa-me também o que irá acontecer ao capitalismo depois da guerra.
9 de Dezembro de 1941

Excertos do Diário de Sasaki Hachiro, piloto tokkotai, ou piloto suicida japonês, kamikaze, como ficaram conhecidos no Ocidente.


É o primeiro de um conjunto de seis que Emikho Ohnuki-Tierney, professora da Universidade de Wisconsin dá a conhecer, numa leitura "acompanhada" com a história destes pilotos, tantas vezes mal interpretada, e que é importante (acho eu) conhecer.

Sinto que tenho de aceitar o destino da minha geração, combater na guerra e morrer. Chamo-lhe o destino porque somos obrigados a ir para o campo de batalha para morrer sem podermos exprimir as nossas opiniões, criticar e analisar os pórs e contras das nossas questões e, agir com príncipios, isto é, depois de ser privado da minha própria força...
12 de outubro de 1941

A nossa única salvação, no entender do professor T. está em interiorizarmos que temos de morrer. Por outras palavras, não podemos pensar na morte como uma possibilidade de vida.
21 de Maio de 1943

Será mesmo que a história precisa dos invisíveis "portadores de sacrifício?"
1 de Janeiro de 1944


Excertos do Diário de Hayashi Tadao, piloto tokkotai
Uma leitura que não deixa de ser fazer com alguma inquietação, mas que é muito interessante. O meu estado de desconhecimento dos outros era, neste caso, completo. O que é um erro.

domingo, 27 de abril de 2008

Os Arquivos e as Guerras

Ao longo da História, as guerras foram sendo sinónimo de “empréstimos” mais ou menos escandalosos de arquivos, sendo comum o conquistador levar, às vezes em grandes quantidades, arquivos dos territórios conquistados.

Por isso mesmo, surge em Arquivística o princípio da territorialidade, o qual determina que os arquivos devem ser mantidos sob a jurisdição arquivística do território onde foram produzidos.

Mas se os princípios podem ser enunciados, é mais difícil, no teatro da guerra, serem aplicados. Foi assim, com particular agrado que, através do Conselho Internacional de Arquivos, tomei conhecimento da Declaração Conjunta que a Society of American Archivists e a Association of Canadian Archivists fizeram a propósito da documentação desviada do Iraque, digamos assim, durante as duas Guerras do Golfo.

Nela são enunciados o tipo de documentação levada, aproximadamente o número e por quem. Vale a pena ler.

Costuma dizer-se que os arquivos constituem a nossa a memória. Subtrai-los equivale a apagá-la.

aqui tinha feito um post a propósito dos problemas que se colocam ao património, seja ele museológico, biblioteconómico ou arquivístico em caso de conflitos armados. Às vezes esquecemo-nos…