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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Distâncias e proximidades


Registos de baptismo, processos de naturalização, denúncias ao Tribunal do Santo Ofício, privilégios concedidos a estrangeiros… o que pode um conjunto destes (e outros) documentos atestar?

O relacionamento entre os papéis, pessoas e os seus percursos permite o visionamento de uma exposição bastante interessante, patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, intitulada Os Arquivos no Diálogo Intercultural.

A exposição está dividida em 5 secções:

1 – Entre um nome e uma nacionalidade
(documentos que dão acesso, registam e legitimam a identidade nacional e os direitos relativos à mesma)
2 – Espaços da Cidadania
(documentos referentes a alguns dos direitos humanos relativos aos domínios do casamento, educação, saúde, trabalho e voto)
3 – Os que chegam e os que partem
(documentos relativos à circulação de pessoas, suas motivações e percursos)
4 – Os que vêm para ficar
(documentos relativos ao processo de instalação definitiva em Portugal)
5 – Nós e os outros – diálogos
(documentos relativos a esforços de promoção e limitação do diálogo intercultural em diferentes momentos da História Portuguesa)

E abrange um conjunto de 113 documentos que vai desde 1452 (um treslado) a 2006.
Uma ideia verdadeiramente interessante e que nos permite o contacto com documentos tão díspares como o registo de baptismo da filha de uma escrava de Damião de Góis, O nosso primeiro livro de leitura do Departamento Social e Cultural do Comité Central do PAIGC, ou o registo de cadastro de Miloud Bem Ali e acompanhantes, acrobatas, naturais de Marrocos, efectuado pela Inspecção Geral dos Teatros.

Vale a pena a visita. Pena é que não exista um catálogo impresso, como esta exposição merecia.


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Regresso dos Animais






Não, desta vez não vou falar dos de quatro patas com quem convivo ou já convivi… mas sim de uma exposição muitíssimo interessante a decorrer no renovado Museu das Marionetas.

Instalado desde 2001 no Convento das Bernardas, imóvel de interesse público, fundado em 1653 e actualmente na posse da Câmara Municipal de Lisboa, este Museu beneficia de uma área envolvente já de si interessante. Mas tem muito mais do que isso.

Estes “animais” que vêm nas imagens, alguns das quais beneficiam grandemente com a visão in loco, fazem parte da colecção de marionetas e máscaras do Mali exposta no espaço da antiga capela, o que ainda lhes dá mais destaque.

Mas Regresso dos Animais também porque é a tradução literal da palavra Sogobó; uma prática social (e teatral) levada a cabo pelas associações de jovens nas vilas do Mali. Na verdade, animais ou suas fantasias, utilizados como disfarce, ao serviço de uma representação artística livre.

Pena mesmo é que, face à qualidade, quantidade e novidade dos objectos expostos, não haja um catálogo que nos permita conhecer um pouco melhor esta realidade.

No entanto, “youtubando” o termo (e porque me era difícil imaginar a utilização de algumas das máscaras expostas) fui parar aqui:



terça-feira, 21 de outubro de 2008

Arte e Finanças



Ou de como entrar num Banco (o BES, neste caso) e não pensar em dinheiro. Nem no nosso, nem no dos outros… ou da crise mundial:))

Já tinha ouvido falar, mas ainda não tinha ido ver. E é uma agradável surpresa. No Marquês do Pombal, o BES tem uma zona chamada Arte & Finanças onde, para além de expor a Colecção de Fotografia Contemporânea do Banco (e já não é pouco), se pode ainda ter livre acesso à Internet, beber um café, tomar uma refeição, ou simplesmente estar…

Depois de uma pausa para café, há que ver a primeira Exposição: 32 fotografias dispersas entre os dois pisos, tanto de autores portugueses como estrangeiros. Algumas muitíssimo interessantes...
Um espaço a descobrir e certamente para estar atento e voltar!

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ida e volta: ficção e realidade



Hora de almoço no Centro de Arte Moderna e a fila para almoçar dava várias voltas. Espreito a porta do Centro e leio o título da Exposição: Ida e volta: ficção e realidade. Pensei, mal por mal, mais vale voltar mais tarde e ir ver não sei o quê, já que o título, esse era interessante.

Comprado o bilhete (que eu pedi para a exposição e a senhora respondeu a vídeo-arte, ou qualquer coisa parecida), um anúncio avisa-nos que, a partir daquela porta, o espectador passa a ser actor do dispositivo cenográfico.

E de facto, passamos a ir e vir, através duma estrutura montada para visionamento de instalações de vídeos ou cinematográficas. E fazemo-lo não só no sentido físico de andarmos por ali, entrando em cada “sala” , procurando adaptar-nos à falta de luz, sentados ou em pé, como também interagimos com o que as imagens nos mostram. E em cada instalação são mostradas imagens/conceitos bem diferentes umas das outras.

Ainda ia a meio e já dava o almoço por perdido, mas estava completamente rendida a estas idas e voltas que nunca pensei me pudessem distanciar e aproximar tanto da realidade. Na verdade, nunca tinha visto uma instalação de vídeo como a vi hoje. E que aconselho vivamente.

terça-feira, 25 de março de 2008

Cinema de papel: os desenhos de Federico Fellini


Federico Fellini, esse cineasta que dispensa apresentações, não fez só cinema, como se poderá ver pela exposição patente na Cinemateca Portuguesa até ao final de Maio.

Do conjunto de 400 desenhos originais existentes no Arquivo da sua Fundação, a Cinemateca dá a conhecer 50, cuja característica comum é precisamente o facto de estarem ligados à sua actividade de realizador cinematográfico.

Uma exposição a não perder, mas da qual, infelizmente não há catálogo. Que encontrei, porém, na Fundação, donde retiro a imagem da Dolce Vita, patente na exposição.

segunda-feira, 24 de março de 2008

A evolução de Darwin

“A mula surge-me sempre como um animal muito surpreendente. Que um híbrido possa possuir mais inteligência, determinação, afecto social e poder de resistência de muscular que qualquer um dos seus progenitores parece indicar que, aqui, a arte superou a natureza.”

- Darwin, em terra firme deixa Santiago do Chile rumo à Cordillera Andina, que atravessará a pé, a caminho da Argentina.

Frase e título de post roubada ao blog A evolução de Darwin, que a Fundação Calouste Gulbenkian manterá activo até à abertura da exposição que assinalará o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, a 12 de Fevereiro de 2009.

Enquanto esperamos, podemos sempre visitar o blog.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Olhares Cruzados sobre Arte e Islão


Visitei esta semana a exposição Olhares Cruzados sobre Arte e Islão, patente na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, comissariada cientificamente por Inês Fialho Brandão.

Exposta em três salas, percorre os seguintes temas:
- o tempo e o espaço,
- figura humana,
- islâmico ou muçulmano

Aí, para além dos normais textos introdutórios e das peças e suas legendas, desenvolvem-se os tais “olhares cruzados”, sendo a exposição/peças comentada em pequenos textos por

- Cláudio Torres (director do Campo Arqueológico de Mértola),
- David Munir (Íman da Mesquita de Lisboa),
- Rui Santos (historiador) e
- Inês Fialho Brandão (historiadora de arte)
Tentando responder à questão: O que é a arte islâmica?

Essa reflexão cruzada, a par da riqueza das peças expostas, é precisamente a mais valia desta exposição, que, não dando respostas, levanta questões muito interessantes.

Saimos assim da exposição não só com nova informação, mas também com alguma matéria de reflexão.

Vale a pena ver