sexta-feira, 18 de abril de 2008

Dos romances de capa e espada às playstations, nintendos, gameboys e quejandos



Dumas, Zola, Hugo, Júlio Verne, Salgari, Twain… só os nomes já fazem evocar uma qualquer tarde perdida na infância onde, através de uma aventura, viajávamos para um país exótico, ou talvez não, onde os nossos heróis eram sempre o exemplo supremo da melhor forma de estar na vida.

Em livro ou, mais tarde, em série de televisão ou cinema, os romances de aventuras tinham e têm esse lado atractivo de nos transportar para outras realidades e nos fazer conhecer novos mundos. Naturalmente o género actualizou-se, as personagens mudaram e o herói já não beija a mão da donzela mas… continua a ser uma excelente maneira de iniciar as crianças à leitura.

Sendo do tempo do MS-DOS, confesso que tenho beneficiado pouco das novas tecnologias em termos de jogos. Lembro-me ainda do Spectrum, onde joguei um tal de Manic miner (que aliás gostava), mas depois estas coisas das playstations, nintendos, gameboys e etceteras e tais nem desconfio… portanto não faço ideia que tipo de jogos há.

No entanto tenho lido sobre jogos onde se está no império romano e outras coisas parecidas (acho que se está on line, mas para ser franca nunca aprofundei) e acho engraçado que, também nos jogos, se procure essa componente.

No fundo, dos romances de aventuras aos jogos da nova era, parece-me que a diferença é que passámos a puder interagir…

Imagem e ideia e metade do título do post retiradas do excelente catálogo: Antes das Playstations: 200 anos do romance de aventuras em Portugal, editado pela Biblioteca Nacional em 2003

12 comentários:

legivel disse...

... Salgari, Verne, Dumas... o Zola foi o último... dos primeiros.
Tens razão: hoje interaje-se, o que acho bem. Mas lê-se muito menos, o que acho menos bem. Facto: o preço das novas tecnologias não é apenas elevado materialmente. Tem custos sócio-culturais.


Óptimo fim de semana!

Rui disse...

Júlio Verne e os meus 12 anos. Aquilo é que era viajar. Deitado no sofá.

São disse...

Viva!
Bom, de Júloi Verne e Emílio Salgari li tudo!
Acho que não escapou nenhum!
Que boas recordações ainda hoje...
Feliz fim de semana.

Pedro Cabral disse...

Como era vulgar para pessoas da minha idade joguei muito Mega-drive da Sega confesso que nunca foi fã de Playstation, mas nunca nenhum jogo de vídeo fez a minha mente viajar tanto como os livros da patrícia highsmith e da Agatha christie ou os filmes do Indiana Jones e do Woody Allen ou mesmo séries de televisão como hill street blues ou mesmo a Rua Sésamo.

Jorge P.G Sineiro disse...

Leonor, não está em causa certamente a evolução dos tempos. os livros de aventuras do passado, o Júlio Verne dos meninos dos sanos 50 e 60 foram substituídos por novos heróis, com imagem e acção virtual. Certo.
O que está errado é que, a par do que de bom se tem feito em termos de jogos para computador, vem agarrado todo o lixo que deforma e não forma nem informa; a violência online em que a criança age em conformidade com as propostas que lhe são apresentadas.
A imaginação do miúdo não é despertada, é conduzida. Não mais a criança vai ter de "criar" a imagem física do seu herói, eleestá lá, é robotizado, põe todos a agir da mesma forma.
E depois, e ainda, o prazer de folhear um livro desapareceu e a demasiada oferta de histórias em jogos dá lugar à banalização do acto de ler e de ter prazer em ler e recriar.
Dá para entender o meu raciocínio, não dá?

Um abraço e bom domingo.
Jorge P.G.

Leonor disse...

Legível

perdi tardes inteiras a ler, quando era possível começar a ler um livro e só levantar os olhos quando o acabasse. por isso mesmo lembro-me o que ansiava pelas férias grandes, que naquela altura pareciam enormes... quanto aos heróis, pos lá havia os mosqueteiros, o conde de monte cristo, sei lá...
noutro tipo de registo, tinhamos também os cinco da venhinha enid blyton. alguém lerá ainda? ficava sempre fascinada com toda a comida que rodeava qualquer aventura...
Nós lá em casa éramos cinco (bom, e ainda somos, felizmente, mas não já lá em casa)e transpunhamos todas aquelas leituras para um clube muito próprio, cheio de regras, jornais, senhas e códigos... é certo que os meus pais demoraram a perceber porque é que as chaves dos roupeiros começaram a ficar, como direi, ligeiramente amolgadas. Porque o clube se reunia lá em cima, duas cadelas incluidas, claro.
E nem conto de que constavam as reuniões... já que tb incluiam comer...

não tenho nada contra os jogos. a sociedade evolui, os meios à disposição tb e ninguém vai ficar parado no tempo, naturalmente. Tb me lembro o fascinio pelo bendito manic miner. Os jogos são, de facto, viciantes. O que a mim me preocupa, é ver os miúdos, em vez de falarem, interagirem com a família ou os amigos, a teclarem seja no que for. E ás vezes tardes inteiras...
E tens razão: tem custos sócio-culturais.

Bom resto de domingo!

Leonor disse...

Rui

sem dúvida, Júlio Verne é um dos mestres. viagem ao centro da terra, as cinco semanas em balão, a volta ao mundo em (branca!, quantos dias?), as vinte mil léguas submarinas... quem poderia querer mais??? e sem sair de casa.

agora que penso nisso, podiamos também lembrar a Academia das Ciências, de outro título para a próxima edição do Dic.: dois anos de férias...

Leonor disse...

Olá São

Confesso que do Salgari li pouco, mas o que li deu para muita imaginação, muita viagem à volta do sofá, como diz o Rui.

Bom fim de domingo!

Leonor disse...

Olá Pedro

Essa da Mega-drive da Sega confesso eu que é coisa que nunca percebi o que era... ainda por cima ficou-me sempre na cabeça um anúncio (deve ser isso, porque só me lembro das palavras...)

bom, mas em relação aos policiais, percebo perfeitamente porque tb sou grande adepta do estilo. Li tudo da Agatha Christie (gosto mais da Miss Marple do que do Poirot, que às vezes é um bocado irritante de mais), do Sherlock Holmes, do Maigret (não gosta? é outro género, claro, mas descreve bem uma vivência, acho eu).
Também lia a colecção vampiro, na qual havia e há autores muito desiguais. A Patricia highsmith ao principio irritava-me, mas já me rendi.
Já leu Henning Mankell? É um autor sueco, se não estou em erro, com livros a começar em Pretória e a acabar algures numa terreola qualquer na Suécia, daquelas onde achamos pouco provável desenrolar-se a acção de um livro policial. è interessante e tem sempre uns enredos fora do vulgar...
vê? também viajo bastante com os policiais... poderia aliás ficar para aqui a comentar os autores que gosto e não gosto...
bons filmes e séries também são fundamentais, claro, e têm-se feito coisas muito boas, mas como é a sua especialidade nem vou falar...

volte sempre

Leonor disse...

Olá Jorge

Claro que dá, andamos todos a falar um pouco à volta disso. às vezes, e para ser franca, tb não sei a quem devemos apontar o dedo.
A realidade está aí e não há como contorná-la e ninguém está a cantar "ó tempo volta para trás", mas às vezes penso se podemos fazer qualquer coisa a esse respeito.
É verdade que me angustia ver miudos a teclar. de facto é o que vejo mais. mas como não deixar que isso aconteça? é muito fácil para nós que não crescemos nesta época, ver agora as diferenças, mas será que não se pode fazer nada?
Eu que não tenho filhos, e portanto falando de fora, o que é sempre mais fácil, às vezes pergunto-me o que é que os pais podem fazer em casa nesse sentido...

Bom domingo

Paula Crespo disse...

Os miúdos hoje têm muitos outros apelos que não existiam há duas ou três décadas. Isso só por si não é mau; até é bom e, contrariamente ao que se diz por aí, eles têm uma grande elasticidade mental. Por mais que gostemos e defendamos o produto "livro", não podemos pô-lo exclusivamente no centro das atenções, como que no 1º lugar do pódium. Possivelmente já não é assim e nós vamos ter de acordar para essa realidade. O problema maior, a meu ver, são os jogos de extrema violência, obviamente nefastos, mas eles existem porque, o que o livro naturalmente limita, a tecnologia dá essa possibilidade. Talvez devesse existir uma espécie de Comissão reguladora desse tipo de jogos e de produtos. Penso o mesmo para os filmes - não é uma questão de censura, é mais uma "protecção de menores".

Leonor disse...

Paula

obviamente, às vezes acho que nasci na pré-história mesmo...
em relação a comissões reguladoras, não sei. Os livros não as têm, e publica-se um pouco de tudo. Há 17 anos, quando trabalhava no GEO, encontrámos uma caixa que dizia reservados ou confidencial, já não me lembro. Ao princípio achámos que era documentação de arquivo, mas não, eram só livros eróticos, nem sequer pornográficos.
hoje se um adolescente, digamos com 15, 16 anos, for a uma biblioteca e pedir um livro pornográfico alguém o nega? tenho sempre muitas dúvidas nessas coisa

bom fim de semana