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domingo, 14 de março de 2010

A oriente algo de novo



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Poderia dizer que sempre foi um tema que me interessou, claro, facto que se aliou à vontade de saber mais sobre uma zona do mundo que, todos os dias, nos entre pela casa dentro, seja pela televisão ou jornais, e nem sempre pelos melhores motivos.
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Assim, quando descobri um curso que desse algumas pistas para a compreensão deste imenso imbróglio político e geográfico (entre outras coisas) que se chama o Médio Oriente, achei que valia a pena perder algumas manhãs de sábado e aprender algo mais. E, tendo começado ontem, posso já dizer que valeu mesmo a pena.
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Mas, e para além do curso, descobri um recurso informativo de que ainda não me tinha apercebido... o centro de documentação da Fundação Oriente, com catálogo disponível on line.
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Vale a pena espreitar. Apesar de ter um horário proibitivo para quem trabalha (das 10.00 às 18.00, em dias úteis) pode ser uma forma de tomar conhecimento sobre uma multiplicidade de assuntos e países que não se encontram facilmente nas nossas bibliotecas.
Para além do que, nada impede um contacto via e-mail.

sábado, 17 de janeiro de 2009

O homem que matou Sidónio Pais


Ou de como um grupo de anarquistas, a Comuna da Luz liderada por António Gonçalves Correia, instalados perto do Vale de Santiago, Odemira, influenciaram decisivamente a história de Portugal...
A história - muito bem contada - do homem que matou Sidónio Pais, José Júlio da Costa, prende-se inevitavelmente com o percurso da sua vida.
Republicano, pequeno proprietário e conhecido entre os seus por animar as festas e feiras da região - ora como guitarrista, ora como cavaleiro tauromáquico amador, José Júlio da Costa selará o seu destino ao oferecer-se como mediador entre as autoridades e a guerrilha popular que, naquele Outono de 1918, em plena Greve Geral, se aliou à Comuna da Luz - anarquistas, defensores do nudismo e vegetarianismo.
Entre os gritos de "abaixo aos malandros burgueses" ou de apoio "aos camaradas da Rússia" gerou-se em Odemira um combate desigual entre as autoridades e este pequeno grupo de revolucionários, para o qual José Júlio da Costa, tendo levado à sua palavra de honra aos revoltosos em como não lhes iria acontecer nada, em troca da deposição imediata das armas, contribuiu dcecisivamente.
Dizimados pelas forças policiais e enviadas para Angola, no que José Júlio da Costa considerará um plano traiçoieiro das forças policiais, deixaram, no mediador, uma revolta pela quebra da sua palavra, sem que disso tivesse culpa.
Daí até ao assassínio do Presidente da República, vai um passo. Leiam, vale a pena!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Leituras Natalícias



E em plena época de Natal, eis uma leitura que se faz bem, adequada ao tema.
Fazendo um périplo entre as fontes, a vida de Jesus, os actores do Novo Testamento, as representações iconográficas e uma pequena história do Cristianismo dos primeiros anos, este número especial da revista Le Point é uma fonte de informações extremamente interessante.
Então Boas Leituras!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Conhecer os outros: Os Ciganos



“Que bichos são aqueles que vejo além na bruma do entardecer? Vão e vêm, ora de gatas, como ratos, ora em dois pés, como macacos; conforme se abaixam ou se levantam, parecem ser ora pigmeus, ora gigantes, toupeiras ou ursos… Palavra de honra, são homens, Ciganos! São seis e há um grandalhão que os vigia. Extraem areia do rio.”

É com esta descrição das condições de vida dos ciganos, feita por dois viajantes franceses pelas regiões da Moldávia e Valáquia, no século XIX, que Marcel Courtiade, secretário da União Romani Internacional, Região Europa inicia o seu périplo pela situação esclavagista vivida pelos ciganos nalguns países da Europa de Leste, no seu prefácio ao livro de Claire Auzias, Os Ciganos, ou o destino selvagem dos Roms do Leste.

Que também passa pela menção de codificação relativa ao povo cigano, como o Código de Vassil Lupul, príncipe da Moldávia (1816), cujo primeiro capítulo continha o seguinte artigo: “Em matéria de dote, os Roms, como todo o gado ou imóveis, avaliam-se por estimativa (…)”
Mas não é só dos ciganos escravos que Courtiade nos fala, mas também dos músicos livres, outro património, ou dos escravos evadidos, considerados, naturalmente heróis, dos grupos tolerados pelos otomanos, ou grupos em áreas de influência alemã, com o destino trágico que se conhece.
Um prefácio com muita informação e descrição de preconceitos clássicos a este povo associados.

Mas, na verdade, um cigano nasce ou faz-se? O que caracteriza o povo cigano? O nomadismo, a língua, a cultura? E qual a posição dos outros povos face ao povo cigano? Analisando um relacionamento que nunca foi fácil, Claire Auzias, especialista na matéria, problematiza e analisa a história e vida do povo Rom, espalhado pelos países europeus, ao sabor de guerras, religiões e direitos de cidadania.
E vai sempre relatando as tentativas de assimilação e aproveitamento que os vários povos/países/regimes fizeram dos Roms, não deixando de evocar o seu extermínio pelos nazis (500 000), também ele tão pouco lembrado.
Um livro que nos permite, sem dúvida, ter uma visão mais esclarecida do tema. E nos faz pensar (ainda mais) sobre a actual legislação italiana.


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Europeus


Quem somos, de onde viemos, e para onde vamos.
A Revista Histoire propõe-nos, neste número, uma viagem pela (grande) história Europeia, desde os Indo-Europeus, até todo o desenvolvimento social, político, cultural dos povos que a habitaram.
Uma história toda ela feita de revoluções, fronteiras, religiões, guerras, mas também de uma certa coesão e identidade, de que são testemunho as inúmeras alianças.
Uma leitura interessante para estes tempos conturbados!

domingo, 31 de agosto de 2008

A arte e história da comida




































Nos dias de hoje em que o fast food impera e os nossos restaurantes não estão especialmente atentos à ligação da comida e arte, que não seja a nouvelle cuisine, aqui têm um livro original: Os Menus em Portugal de Isabel Drumond Braga.
Através da colecção da autora, ficamos a conhecer, não só quem era objecto de determinado evento, onde era servida a refeição, como também o que se comia e bebia, e isto de 1874 a 1945.
Festas, casamentos, recepções, reuniões de médicos, de crianças, aniversários, alguns com apontamentos e indicação das pessoas presentes, os Menus revelam-se uma fonte interessante para este tipo de informação e história, onde muito haverá ainda por fazer.
Mas, e para além disso, também são exemplos de imaginação e arte (uns mais bem conseguidos que outros).
Aqui vos deixo alguns exemplos.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os Jogos Olímpicos
























Agora que se acabam os Jogos Olímpicos (que eu quase não vi, infelizmente), aqui ficam algumas imagens de outros passados em tempos mais recuados. O objectivo, no entanto, foi sempre o mesmo, embora as "medalhas" fossem ligeiramente diferentes.





terça-feira, 17 de junho de 2008

Conhecer os outros: os pilotos tokkotai



Como afirma Heidegger, nós estamos na história. Não que a história exista primeiro e nós entremos nela. No momento em que nascemos, estamos na história.
1 de Novembro de 1940


Dizem que todos os japoneses têm de trabalhar nas indústrias importantes para o esforço de guerra. Isso quer dizer que há quem esteja a sugar o doce néctar ignorando a luta, a dignidade humana, a humanidade dos japoneses. O que é o patriotismo? Que se entende por terra ancestral?
14 de Setembro de 1941

Não sei porquê mas não consigo sentir-me eufórico com as vitórias do Japão na guerra. Sinto ansiedade. Preocupa-me também o que irá acontecer ao capitalismo depois da guerra.
9 de Dezembro de 1941

Excertos do Diário de Sasaki Hachiro, piloto tokkotai, ou piloto suicida japonês, kamikaze, como ficaram conhecidos no Ocidente.


É o primeiro de um conjunto de seis que Emikho Ohnuki-Tierney, professora da Universidade de Wisconsin dá a conhecer, numa leitura "acompanhada" com a história destes pilotos, tantas vezes mal interpretada, e que é importante (acho eu) conhecer.

Sinto que tenho de aceitar o destino da minha geração, combater na guerra e morrer. Chamo-lhe o destino porque somos obrigados a ir para o campo de batalha para morrer sem podermos exprimir as nossas opiniões, criticar e analisar os pórs e contras das nossas questões e, agir com príncipios, isto é, depois de ser privado da minha própria força...
12 de outubro de 1941

A nossa única salvação, no entender do professor T. está em interiorizarmos que temos de morrer. Por outras palavras, não podemos pensar na morte como uma possibilidade de vida.
21 de Maio de 1943

Será mesmo que a história precisa dos invisíveis "portadores de sacrifício?"
1 de Janeiro de 1944


Excertos do Diário de Hayashi Tadao, piloto tokkotai
Uma leitura que não deixa de ser fazer com alguma inquietação, mas que é muito interessante. O meu estado de desconhecimento dos outros era, neste caso, completo. O que é um erro.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ainda a propósito do Dia Mundial do Livro



Um livro sempre actual sobre este assunto: Carta sobre o comércio do livro de Diderot.
Onde se pensa sobre o comércio do livro, a sua história, as profissões ligadas ao mesmo, a censura, os vendedores ambulantes, a travessia das pontes do Sena e outros temas relativos à política literária.
A ler e reler.

domingo, 20 de abril de 2008

Pedras que falam: um novo olhar sobre a Igreja de São Roque



Todos nós já as pisámos, já nos desviámos, já as tentámos ler… enfim, entrar numa Igreja ou num monumento significa, mesmo para a pessoa mais distraída, tropeçar, mais cedo ou mais tarde, com alguma tampa de sepultura, uma lápide, uma qualquer pedra que fale… resta saber se nós as ouvimos…

Ontem de manhã, integrada no Grupo Eu Lisboa, visitei a Igreja de São Roque, para a ver sob um outro ponto de vista: a das suas lápides e tampas de sepulturas e ouvir o que elas nos têm a contar.

Guiados pela epigrafista Filipa Avellar, cuja competência profissional nestas matérias é sobejamente conhecida, a visita, sempre com ponto de partida e chegada nas tais pedras que falam (e se abundam naquela Igreja), começou com a o problema da peste no século XVI e a difusão do culto a São Roque, passou pelo fascínio pelas relíquias e o papel que desempenharam durante a Contra-Reforma e continuou com a chegada dos Jesuítas a Portugal, o seu papel na sociedade portuguesa, a Confraria da Misericórdia… , tudo isto ao longo dos mais variados tipos de lápides, outros tantos tampos de sepulturas, enfim, numa outra forma de contar e ver as coisas (neste caso a Igreja de São Roque) que se revelou, como seria de esperar, aliciante.

Obrigado Filipa.

Da próxima vez que tropeçarem com algumas pedras que falem, não digo parem, escutem e olhem, mas parem, vejam e pensem. Às vezes temos surpresas agradáveis. Por mim falo também.

domingo, 13 de abril de 2008

Fabrico Próprio











Já com fome?


Pastel de nata, palmier, jesuíta, alsaciano, bolo de arroz, parra, mil-folhas, queque, pata de veado, bom bocado, brisa, travesseiro, esquimó, orelha, rim, tíbia, caracol, babá, Napoleão, Josefina, bola de Berlim, russos, xadrex, duchesse…

Qual escolher? A escolha revelou-se ontem difícil, até porque, de algumas das miniaturas presentes no lançamento do livro: Fabrico próprio: o design da pastelaria semi-industrial portuguesa, acho que nunca tinha comido algumas.
Não que seja de estranhar, já que não sou grande adepta de bolos… sobretudo se levam chocolate, mas foi com imenso interesse que estive presente e trouxe para casa este livro inovador na forma de abordar a pastelaria portuguesa.

Projecto multidisciplinar dedicado à Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa e à sua relação com o design, da autoria dos designers Pedrita (Rita João, Pedro Ferreira) e Frederico Duarte, o livro conta ainda, e não sendo exaustiva, com ensaios sobre a relação entre a doçaria e a arquitectura, a diáspora da nossa pastelaria, os bolos da madrugada, as espécies raras, rematando com um guia exaustivo da Pastelaria Semi-Industrial: Fotografias e receitas dos bolos.

Escolha o seu.

Veja aqui os futuros lançamentos.
Pode ainda fazer comentários a cada bolo... já deixei o meu às tibias, já que só conheço com recheio de chantilly