Mote
De que me serve fugir
De morte, dor e perigo?
Se me eu levo comigo.
Voltas
Tenho-me persuadido,
Por razão conveniente,
Que não posso ser contente,
Pois que pude ser nascido.
Anda sempre tão unido
O meu tormento comigo,
Que eu mesmo sou meu perigo.
E se de mi me livrasse,
Nenhum gosto me seria.
Que, não sendo eu, não teria
Mal que esse bem me tirasse
Força é logo que assim passe:
Ou com desgosto comigo,
Ou sem gosto e sem perigo.
Luis Vaz de Camões
os dias, as horas, minutos, e segundos. a informação, os documentos, as escritas, os arquivos e as bibliotecas
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
Concedido vos é saberdes...
Canto X: 142-144
142
«Até aqui, Portugueses, concedido
Vos é saberdes os futuros feitos
Que, pelo mar, que já deixais sabido,
Virão fazer barões de fortes peitos.
Agora, pois que tendes aprendido
Trabalhos que vos façam ser aceitos
Às eternas esposas e fermosas,
Que coroas vos tecem gloriosas,
143
«Podeis-vos embarcar, que tendes vento
E mar tranquilo, pera a pátria amada.»
Assi lhe disse; e logo movimento
Fazem da Ilha alegre e namorada.
Levam refresco e nobre mantimento;
Levam a companhia desejada
Das Ninfas, que hão-de ter eternamente,
Por mais tempo que o Sol o Mundo aquente.
144
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou.
No Dia de Portugal, achei que estes versos, retirados dos Lusíadas, aqui ficavam bem.
142
«Até aqui, Portugueses, concedido
Vos é saberdes os futuros feitos
Que, pelo mar, que já deixais sabido,
Virão fazer barões de fortes peitos.
Agora, pois que tendes aprendido
Trabalhos que vos façam ser aceitos
Às eternas esposas e fermosas,
Que coroas vos tecem gloriosas,
143
«Podeis-vos embarcar, que tendes vento
E mar tranquilo, pera a pátria amada.»
Assi lhe disse; e logo movimento
Fazem da Ilha alegre e namorada.
Levam refresco e nobre mantimento;
Levam a companhia desejada
Das Ninfas, que hão-de ter eternamente,
Por mais tempo que o Sol o Mundo aquente.
144
Assi foram cortando o mar sereno,
Com vento sempre manso e nunca irado,
Até que houveram vista do terreno
Em que naceram, sempre desejado.
Entraram pela foz do Tejo ameno,
E a sua pátria e Rei temido e amado
O prémio e glória dão por que mandou,
E com títulos novos se ilustrou.
No Dia de Portugal, achei que estes versos, retirados dos Lusíadas, aqui ficavam bem.
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terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
A machina do mundo
Vês aqui a grande machina do mundoEtérea & elemental, que fabricada
Assy foi do saber alto, & profundo
Que he sem principio, & meta limitada,
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo, & sua superficia tão limada,
He Deos, mas o q he Deos ningue o entende,
Que a tanto o engenho humano não se estede
Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas, C. X, e. 80
Para saber mais, consulte aqui a publicação
Astronomia de Os Lusíadas de Luciano Pereira da Silva
Astronomia de Os Lusíadas de Luciano Pereira da Silva
Imagem retirada da obra: Gregor Reisch. Margarita philosophica. Freiburg: Johann. Schott, 1503
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