Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Património. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Patrimónios


Que o nosso país tem um extenso património, todos nós sabemos. Já se está todo inventariado, ou bem conservado, não o podemos, infelizmente, dizer.

Mas a tarefa de registo desse imenso património pode agora estar ao alcance de qualquer um, de acordo com as normativas internacionais e susceptível de integrar um registo oficial.

Estou a falar da Colecção Kits Património, disponibilizada pelo IHRU e IGESPAR, e da qual se pode fazer o download dos três primeiros volumes:
Kit 01 - Património Arquitectónico - Geral (1,29 MB - 119 páginas)
Kit 02 - Património Arquitectónico - Habitação Multifamiliar do Séc. XX (723,35 KB - 76 páginas)
Kit 03 - Património Industrial (782,02 KB - 61 páginas)

Uma iniciativa interessante e que pretende envolver o cidadão nessa tarefa primordial que é saber o que temos, para melhor o preservarmos.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os salteadores do património perdido






Museu de Cabul: sistematicamente pilhado entre 1991 e 1996
Museu do Iraque pilhado em Abril de 2003. O seu director Mushin Asan, impotente, no museu.

A Guerra, directa ou indirectamente, é sem dúvida uma das maiores ameaças à conservação do património.

Mas não se pense que é a única.

Está patente ao público no Museu Nacional de Arqueologia a excelente exposição, que aconselho vivamente: História Perdida: uma exposição acerca do comércio ilícito de antiguidades no mundo, organizada pela Fundação Helénica da Cultura.

Com claros objectivos pedagógicos, a exposição traça a evolução histórica da noção de património histórico e património nacional, bem como do aparecimento das colecções e dos museus.
Percorremos assim casos sobejamente conhecidos como os do roubo dos mármores do Parténon por Lord Elgin em 1801, ou o saque da ilha de Chipre entre 1865 e 1876 e poderíamos apontar o caso do Iraque como um dos muitos deste século. Mas quantos outros foram feitos? Quantos museus enriqueceram os seus espólios com peças de origem duvidosa?
A verdade é que o tráfico ilícito de antiguidades é um mercado em expansão.
Embora a Convenção da UNESCO de 1970 para a “Adopção de medidas para proibir e impedir a importação, a exportação e a transferência ilícita da propriedade e de Bens culturais” esteja em vigor, o primeiro país que a assinou foi o Equador. Hoje em dia 109 países adoptaram a Convenção. Os Estados Unidos assinaram em 19883 e a Grã-Bretanha em 2003.

Mais importante que isso, o comércio de antiguidades passou a fazer-se com mais rigor, declarando os conservadores de museus que não iriam adquirir peças sem saberem a sua proveniência.
Thomas Hawing, director do Metropolitan Museum of Art terá dito, em 1970, “a era da pirataria acabou”. Nada podia estar mais errado. Porque, na impossibilidade de o próprio museu comprar se formaram grandes colecções privadas com origens desconhecidas, cujos proprietários muitas vezes passavam para as administrações de grandes museus. Porque peças roubadas aparecem nos museus anos mais tarde. Porque enquanto houver quem compre vai haver sempre quem venda.

E entretanto o nosso património perde-se. Falamos de museus. Mas também podiamos falar de bibliotecas ou arquivos: o panorama é o mesmo: em tempos de guerra saqueiam-se