sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Gatos e Poesia



Em tempos que já lá vão, quando podia andar, portanto antes de ontem, fui finalmente a uma livraria a que fazia questão de ir: a Poesia Incompleta, que recomendo vivamente.
Como palavra puxa palavra, acabei por sair de lá com dois livros sobre gatos, pois então, de uma autor que não conhecia: Rui Caeiro, mas de que vos deixo aqui alguns excertos.
Dormir ao sol, ser o dno da tua pequena ilha ao sol. Governá-la é: dominar o mundo, nada fazer.
As carícias do gato às vezes dão em arranhões. E daí? Não há amor, não há ternura que não deixem marcas.
E quando estás prestes a aborrecer-te, bocejas e adormeces. Dormes muito. Aborreces-te pouco.
Se eu fosse chão de pisar, era ainda a ti que havia de querer mais. Pela elegância, pela leveza.
Horas sentado, imóvel, olhando resignadamente em frente. De orelhas sempre tesas, atentas ao mínimo precalço.
Ao bater ligeiro de uma asa no ar, o corpo toma a postura de todo um exército em ordem de batalha.

Espavorido é quando melhor corres: para trás ficou o perigo, à frente o teu próprio corpo em fuga.
Não precisas de viajar. Tens a casa, tens o tecto ou tens o céu, tens um pedaço de rua. É o mundo.
Tens a tua selva: a alcatifa, as pernas das cadeiras...
Ora uma bola, fofa, que dorme, ora um elástico, tenso, que dispara.
~
Por coincidência, no fim dessa tarde, passando pela Letra Livre, outra das livrarias das minhas predilecções e encontrei outro livro dele:
Peixinhos de Prata
Atacam o cerne da literatura e da escrita
não com os olhos ou o parco entendimento
mas com a boca, mas com os dentes
Espero que gostem!!!


2 comentários:

Teté disse...

Não conhecia este autor e livros de gatos tenho apenas dois: um do Desmond Morris e "O Meu Gato" de Patrick Mioulane.

O importante é que tu tenhas gostado.

E como vai essa pernoca?

Beijocas!

Francisco disse...

Por acaso conheci ,Leonor, um poeta, o Nuno Júdice, que dizia ser o gato o animal mais literário (no sentido de grandeza e intelegencia do termo). Justificava acrescentando em defesa com a argumentação do carácter independentalista dos felinos. Rápidas melhoras.
Um abraço,
Francisco