terça-feira, 4 de março de 2008

Que América é esta?



Em ano de todas as conversas sobre as eleições norte-americanas e os seus reflexos na geo-estratégia mundial, pareceu-me relevante relembrar aqui o livro Vertigem Americana de Bernard-Henri Lévy, saído em Fevereiro de 2007, fruto de um convite da revista Atlantic Monthly .

Lévy, filósofo francês, líder da corrente dos “Nouveaux Philosophes”, percorreu assim mais de 20.000 km de norte a sul dos Estados Unidos numa tentativa de compreender esse país, à semelhança do que, 172 anos, antes o seu conterrâneo Alexis de Tocqueville o fez, sob o pretexto de estudar o seu sistema prisional, e do qual resultou a obra Da Democracia na América.

Embora o livro de Lévy tenha sido feito entre a campanha eleitoral que reelegeu Bush em 2004 e os acontecimentos do furacão Katrina, que assolou New Orleans, trata-se de um livro a ler com atenção e, que no seu epílogo, já depois das (muitas) viagens e leituras, coloca algumas questões interessantes, tais como:

O que é um americano? A ideologia americana e a questão do terrorismo. A América tem raiva?

Em última análise, podemos sempre tentar ver pelos nossos próprios olhos, e seguir o itinerário…

7 comentários:

Rafeiro Perfumado disse...

Os americanos, sinceramente, assustam-me. Temo o dia em que suba ao poder algum tresloucado que dê corpo ao imperialismo que hoje eles praticam disfarçadamente. Não é normal um país ter tropas em mais de 30 países e resolver, por motivos económicos, derrubar governos e fazer guerras.

Algo está muito podre no gigante...

Oliver Pickwick disse...

O Rafeiro deve está brincando! Mais tresloucado do que Bush? É impossível.
Os EUA é uma grande nação, no entanto, com a imagem mortalmente ferida por conta dos últimos oito anos de governo Bush, um redundante fracasso de relações internas e externas.
Não há registros na História, de atitudes politicamente corretas referentes a qualquer país que ocupou o topo do poder. É a conseqüência óbvia de ser grande. E continuará deste modo ainda por muitos anos, independente do país que ocupe esta posição.
É um povo prático e de uma eficiência singular, criaram um projeto após a sua independência, e o executam até hoje.
Quanto ao Lévy, não é mais um guru, a fama e a glória baralharam as suas idéias.
Beijos, e dias felizes!

Mocho-Real disse...

Difícil é "ler" os States com outros olhos que não os nossos.
País de profundos contrastes, com gente extremamente ignorante de que há mais mundo para lá das fronteiras.
Um povo multiracial, multicultural, demasiado hetergéneo para que nele possamos encontrar um denominador comum.
Nos Estados Unidos está um pouco de todo o mundo.
Mas é claro que ler esse livro pode ajudar a melhor comprender o "mundo da América"!

Saudações.
Jorge G.

Leonor disse...

Rafeiro

Ainda não tinha dado pelo facto que os EUA praticassem imperialismo disfarçadamente...
enfim, sem querer ser muito de extrema esquerda, onde é que está o disfarce?

Mas, não posso deixar de dizer que não conheço cineastas europeus a filmar a guerra do iraque, afeganistão... ou há e eu não conheço?

outra imagem que retenho foi a cerimónia dos óscares do ano passado em que foi um verdadeiro bater no ceguinho leia-se Bush.

mas sim, reconheço que têm algumas características assustadoras, sem crer parecer anti-americana primária, e aqui já não partilho da opinião do oliver.
A falta de cultura, ou se quiserem a ignorância face a tudo o que não seja a própria América é uma coisa que não atinjo...

Leonor disse...

Oliver

sim, o Rafeiro das duas uma: ou se estava a esquecer dessa personagem inenarrável que é o presidente Bush, ou então é um pessimista por natureza e ainda acha que pode vir pior!!!

É verdade que ser uma grande potência torna os EUA não indiferentes ao resto do mundo. Tb por isso estamos todos a seguir as eleições americanas, Estou até desconfiada que há pessoas que seguem estas com mais pormenor do que as dos seus pa+ises...

mas quanto ao povo, claro que alguma coisa têm que ter ou não seriam a grande potência que são...a mensagem é que nem sempre passa bem
beijos

Leonor disse...

Caro Jorge

É efectivamente esse bocado do resto do mundo que fez e continua a fazer a América.
Daí que seja tão díspare, mas simultaneamente tão rica.
Com grandezas e franquezas ampliadas à escala mundial, já que tem os holofotes para lá virados...

o livro dá algumas pistas sim...
bom resto de semana

Leonor disse...

Oliver

a fama e a glória baralham as ideias de muita gente, acontece...
mas sempre fica alguma coisa, acho eu