quarta-feira, 26 de março de 2008

O Futuro do Livro



Em livro mas não só…

Muito se discute, hoje em dia, sobre o futuro do livro tal como o conhecemos hoje em dia: o livro impresso, do qual já beneficiamos desde que Gutenberg inventou a imprensa no séc. XV.

Com o aparecimento de novos aparelhos de leitura (e-ink, e-paper, e-books) sem esquecer os áudio-livros, cujo mercado deixou de ser quase exclusivamente dominado pela oferta para invisuais, que, simultaneamente, levaram à reflexão sobre o futuro dos autores, editores e das próprias bibliotecas, este assunto passou a estar na ordem do dia.

Não é assim por acaso que surge a designação e-library. De igual forma, o aparecimento de grandes colecções digitalizadas disponíveis on line, nomeadamente, e só para referir grandes projectos, a Biblioteca Europeia, o projecto da Biblioteca Mundial e uma Biblioteca Internacional para Crianças, aparecendo também projectos que disponibilizam downloads gratuitos (Projecto Gutenberg, Jornal da Poesia – site brasileiro, exclusivamente dedicado à poesia de língua portuguesa, só para nomear alguns) foram permitindo não só a passagem da biblioteca tradicional, com edifício próprio e horários, para uma biblioteca sem espaço nem tempo, onde acedemos em qualquer parte do mundo e á distância de um clique a catálogos e a obras.

O nosso relacionamento com o livro mudou, mesmo que ainda não tenhamos experimentado comprar um leitor de e-books ou um áudio-livro. E a tendência será para que esses mercados evoluam e se tornem mais atractivos, sobretudo com a grande vantagem da utilização simultânea da internet.

Sendo um assunto que obviamente me interessa, e sobre o qual faço a minha própria reflexão, comecei por ler alguma da bibliografia sobre o assunto sem ter a pretensão de ser exaustiva. Li assim Demain, le livre, Gutenberg 2.0 e, como não poderia deixar de ser, O papel e o pixel de José Afonso Furtado. Aos livros fui juntando alguns artigos disponíveis on line como os de Emmanuel Kessler ou de Alain Beuve-Méry, até chegar à página de Lorenzo Soccavo.

Todos eles me levantaram questões e me fizeram pensar. O livro tem futuro? Seguramente. Em que moldes não sei. As tendências do mercado ainda não estabilizaram. Sei que para já, no entanto, ganhámos certamente em termos de facilidade de acesso e disponibilização de conteúdos. O que, para a história da leitura, não é mau.

E será que o futuro do livro passa pela emergência de um Livro 2.0?

10 comentários:

Ka disse...

Muito interessante este teu texto.
Há dois pontos nos quais eu me retenho quando penso neste tema. O primeiro diz respeito ao livro como hoje o conhecemos. Penso que perdurará uma vez que para os amantes dos livros (nos quais me incluo com muito gosto) o livro é muito mais que o seu conteúdo. É a encadernação, o papel, o cheiro, o prazer de o ler em qualquer local(de preferência num ambiente calmo e longe das novas tecnologias). Eu, por exemplo, não me vejo a ler livros online (a não ser que seja por motivos de pesquisa ou profissionais).
Logicamente que todas as formas de leitura do "livro" irão vingar no entanto aqui coloco a segunda questão: Como atrair as pessoas afastadas da literatura a ganharem hábitos de leitura? Será que estes hábitos irão aumentar só porque passamos a ter livros à distância de um click? Ponho as minhas dúvidas uma vez que o acto de ler o livro surge pela vontade que um tem em aprender, em ter mais conhecimento. E isso acontece normalmente nas pessoas que crescem num ambiente onde querer aprender é uma consequência normal da educação.


Beijo e resto de bom dia :)

ps - desculpa a extensão do meu comentário que mais parece um post :P

Leonor disse...

Ka

para mim, que tanto me interesso pelo passado, presente ou futuro dos livros, deu-me um especial prazer fazer este post, que aliás já venho a preparar há algum tempo.
Claro que a história do livro está ligada à história da leitura, outro tema interessante, a que se calhar dedicarei um post, e que bem referes. O prazer de ler é sem dúvida um bom argumento a favor do livro.
Não sei, contudo, se será na forma como o conhecemos actualmente. Eu tb prefiro o suporte que sempre conheci, mas devo dizer que já comprei audio-livros e gostei da experiência, há livros que consulto on line e não compro e realmente as novas tecnologias trazem-nos novas possibilidades, podendo tb trazer outro tipo de leitores, mais leitores, portanto.
Se assim for, e não vejo que seja de outra forma, penso que sairemos todos a lucrar com a questão.
Daqui até que haja um Livro 2.0 capaz de varrer o mercado do livro tradicional (em papel) não me doa a cabeça, até porque não só tem que existir o livro como tb têm que existir POCs nas casas das pessoas...
Mas haverá sempre quem prefira o papel, pelo menos para determinado tipo de livro. Eu vou fazer parte desse número, já que nem jornais gosto de consultar on line: prefiro o método tradicional de comprar, sujar-me com a tinta e perder algum tempo do meu dia a informar-me:)))
beijinhos, bom resto de dia e boas leituras

Rui disse...

Quem sou eu para saber o que quer que seja. Especialmente se o assunto é relevante e daqueles que se vai atravessar nas nossas vidas.
Os assuntos sérios deixam-me nervoso e foge-me o comentário para o disparate. Por isso, vou apenas dizer que esta nova maneira de ler já mexeu comigo: desconfio que preciso de óculos.

E deixo aqui um link que poderá ser de interesse para alguém que o não conheça ainda. Trata-se de um site brasileiro que disponibiliza livros em formato .pdf:

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp


E obrigado.

legivel disse...

... um pouco como a questão de ver cinema em casa. Naturalmente que sim, mas o prazer de o ver na sala de espectáculo não tem substituto... sobretudo para quem o "aprendeu" a ver assim.
Com o livro, acontece a mesma coisa: perder o gosto de folhear a edição impressa? nem por sombras. Mas as novas tecnologias estão aí e não as substimo. Porque me proporcionaram imaginar outros futuros sem grande dificuldades... Se mais positivos ou não, isso é outra História.

JPD disse...

«O SILÊNCIO DOS LIVROS» seguido de «ESSE VÍCIO AINDA IMPUNE» de George Steiner é eloquente e vai de encontro ao texto desta edição.

A vulnerabilidade dos livros.

Os novos suportes de estórias, de Literatura permitem ter ao nosso alcance, coisas fabulosas -- simultãneamente -- «O CRIME E O CASTIGO» «ULISSES» «O LIVRO DO DESASSOSSEGO» «A POESIA» de Sophia Mello Breyner, o que se quiser.

Apenas um niquinho de senão: a leitura em supote clássico -- vulgo livro -- é mais friendly do que em suporte digital. Em monitor a leitura é mais cansativa.

Voltarei a este blog, claro

Leonor disse...

Rui

Percebo perfeitamente. Eu propria, apesar de me dizerem (ou atribuirem) um ar mais sério (?) tenho alguma tendência para o diaparate. depende das companhias e dos temas, claro... mas nunca poderia pasar para leitores de e-books... já passei para lentes progressivas ...

Leonor disse...

legível

isso é verdade. nunca deixei de ver cinema, mas lá que afastou muita gente, afastou... (é a tal coisa, talvez me tenha tornado mais criteriosa). enfim, tenho uma uma amiga que diz que ainda estou na faixa etária que vai ao cinema...

Leonor disse...

jpd

não acho justo, e aqui lavro o meu protesto, que alguém consiga ter 3 blogs 3 ao mesmo tempo :)))) Pronto, tinha que dizer isto...
eu, que desde que abri o meu registo, tenho ouvido de familiares e amigos que
a) não faço mais nada na vida
b) não sabiam que eu sabia escrever (????????)
vejo-me depois confrontada com pessoas que têm 1, 2 ou mesmo 3 blogs!!!!!!!

Não é justo !!!!

vou seguir as indicações... e sem duvida, nada substitui o papel. o seu cheiro (a primeira coisa a detectar num livro) o peso, a maneira como estamos sentados na cadeira, etc. toda uma- -forma de nos relacionarmos com este suporte da escrita...

para mim vai ser muito dificil, se não impossivel substitui-lo

Oliver Pickwick disse...

Acho que o livro tradicional ainda vai reinar por muito tempo, mas não tenho nenhuma dúvida que outras mídias assumirão um lugar de destaque neste mercado.
Eu mesmo tenho vários e-books no meu lap-top, principalmente livros da antiguidade clássica, mediaveis, os quais não são mais editados e nem vendidos em livrarias.
Beijos!

Leonor disse...

Oliver

pois, a mim também me acontece: e-books quer de livros antigos quer de publicações técnicas na minha área. Por outro lado comprei por volta do Natal um audio livro e não achei desinteressante de todo, enfim não para estar em casa a ouvir, porque para isso prefiro ler, mas reconheço que é um conceito que tem potencialidades...

sim, mas para mim o livro tal como o conhecemos não acaba...
beijos