terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Distâncias e proximidades


Registos de baptismo, processos de naturalização, denúncias ao Tribunal do Santo Ofício, privilégios concedidos a estrangeiros… o que pode um conjunto destes (e outros) documentos atestar?

O relacionamento entre os papéis, pessoas e os seus percursos permite o visionamento de uma exposição bastante interessante, patente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, intitulada Os Arquivos no Diálogo Intercultural.

A exposição está dividida em 5 secções:

1 – Entre um nome e uma nacionalidade
(documentos que dão acesso, registam e legitimam a identidade nacional e os direitos relativos à mesma)
2 – Espaços da Cidadania
(documentos referentes a alguns dos direitos humanos relativos aos domínios do casamento, educação, saúde, trabalho e voto)
3 – Os que chegam e os que partem
(documentos relativos à circulação de pessoas, suas motivações e percursos)
4 – Os que vêm para ficar
(documentos relativos ao processo de instalação definitiva em Portugal)
5 – Nós e os outros – diálogos
(documentos relativos a esforços de promoção e limitação do diálogo intercultural em diferentes momentos da História Portuguesa)

E abrange um conjunto de 113 documentos que vai desde 1452 (um treslado) a 2006.
Uma ideia verdadeiramente interessante e que nos permite o contacto com documentos tão díspares como o registo de baptismo da filha de uma escrava de Damião de Góis, O nosso primeiro livro de leitura do Departamento Social e Cultural do Comité Central do PAIGC, ou o registo de cadastro de Miloud Bem Ali e acompanhantes, acrobatas, naturais de Marrocos, efectuado pela Inspecção Geral dos Teatros.

Vale a pena a visita. Pena é que não exista um catálogo impresso, como esta exposição merecia.


12 comentários:

legivel disse...

... chama-se a isto o verdadeiro serviço público na blogosfera, com texto que atesta o domínio da área, o gosto e a propósito, porque preenche a lacuna do catálogo impresso.

grato.

São disse...

Obrigada pela informação.
Bem hajas, Leonor!

Rui disse...

Merece, sem dúvida.

Leonor disse...

Legível

e muito obrigada tamb+ém pelo elogio, faz-se o que se pode... (e esta área é tão pouco conhecida...)

boa visita

Leonor disse...

Não tens de quê, São, é com gosto que divulgo o que conheço, e neste caso mais ainda, por ser a minha área...

Leonor disse...

Rui

e é só até ao fim do mês, não percas!!!

Paulo Tomás Neves disse...

Mais um daqueles registos que me fazem ler, reler, pesquisar e ficar a saber mais.
Obrigado Leonor
Bom fim-de-semana

Teté disse...

Hummm... não sei se me atrairia por aí além, mas percebo que seja interessante para arquivistas ou para um trabalho de pesquisa.

Jinhos, nina!

Oliver Pickwick disse...

Se não me engano, é no Arquivo Nacional da Torre do Tombo que se encontra a carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, escrita após a descoberta do Brasil. É considerada o primeiro documento brasileiro.
Soube que o esquema de segurança em torno deste documento é tão rigoroso, que sequer ele fica em exposição.
Imagino como gostou desta exposição, prezada amiga.
Um beijo!

Leonor disse...

Ainda bem Paulo, boas navegações.

Boa semana

Leonor disse...

Teté

é muito interesante...

bsj, Boa semana!

Leonor disse...

Olá Oliver,há quanto tempo!!

É mesmo, e as medidas de protecção são, de facto, grandes, mas justificadas...

beijos, boa semana!