segunda-feira, 8 de junho de 2009

Rastos...

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Nós não somos quem somos porque vivemos numa terra, sobre um chão; todo o chão é espaço de vida; aqui ou depois das grandes lagoas, ou nas terras altas de gelo, de que nos não notícias irmãos do Oeste. Mesmo sobre as águas vivem outros Adornados, como nós. Serão os brancos filhos de outro Namandu? Não devemos temê-los, porque têm a mesma essência que cada um de nós; homens na mesma medida, do mesmo barro, do mesmo vento, da mesma carne
(...)
Somos, nesta terra, neste Império, talvez as últimas forças guarani; devemos resistir, sim, aos males que nos assediam. Vamos retomar nossas armas, como fizeram os antepassados. Porém, saibamos: hoje fazemos parte deste Império; contra ele será impossível lutar; mas ele é vasto demais e poderemos, quem sabe, encontrar, como a codorna, o ninho estreito na borda do campo. Nossa nação não se extinguirá pelas mãos dos malos gaúchos; ela só poderá perecer por nossas próprias mãos.
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São estas as falas de Pierre, o Jaguar, índio guarani levado em criança para França, e que volta à sua terra natal para descobrir as suas raízes (e o seu futuro).
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Um livro que se lê num ápice, narrando uma realidade fascinante, que eu conhecia muito mal. A não perder!

3 comentários:

Sofá Amarelo disse...

Abriu-me o apetite literário... há tanto tempo que não leio um livro como nos velhos tempos em que começava a leitura e só parava na última linha da última página... obrigado pela dica ... sinto vontade de recuar no tempo e voltar a ler assim... Sofá já tenho, falta só um pouquinho de disponibilidade...

Muitos beijinhos,

Alexandre

Roderick disse...

Um outro grito de Ipiranga! Quem sabe?

Oliver Pickwick disse...

Ouvi falar muito bem deste livro. Agora, com a sua indicação, não há como não deixar de lê-lo.
E a perna? À essa altura eu suponho já apta para aventurar-se até em salto tríplice, não? :)
Um beijo!