
o elevador de santa justa
podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se flibusta,
e aprender à nossa custa é muito mais ascensional.
podes subir ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor de rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sózinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.
no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta,
luzindo à noite numa memória intensa e desigual.
com o cesário dorme a última varina, a mais robusta.
não é para desoras o elevador de santa justa,
arrefece-lhe o esqueleto de metal,
mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal.
Vasco Graça Moura
podes caber à larga e não à justa no elevador de santa justa,
não te leva a parte nenhuma no sentido utilitário normal,
mas é a nossa torre eiffel. faz a experiência. por sinal
é um caso em que não custa aprender à nossa custa:
variamente na vida e na ascese se flibusta,
e aprender à nossa custa é muito mais ascensional.
podes subir ao miradouro se a altura não te assusta:
lisboa é cor de rosa e branco, o céu azul ferrete é tridimensional,
podes subir sózinho, há muito espaço experimental.
noutros elevadores há sempre alguém que barafusta,
mas não aqui: não fica muito longe a rua augusta,
e em lisboa é o único a subir na vertical.
no tejo há a barcaça, a caravela, a nau, o cacilheiro, a fusta,
luzindo à noite numa memória intensa e desigual.
com o cesário dorme a última varina, a mais robusta.
não é para desoras o elevador de santa justa,
arrefece-lhe o esqueleto de metal,
mas tens o dia todo à luz do dia. não faz mal.
Vasco Graça Moura
4 comentários:
... para escrever este (belo) poema, o que Vasco Graça Moura não andou para cima e para baixo, para cima e para baixo, para cima e para baixo...
Sorrisos e um óptimo fim de semana!
E Lisboa não é o máximo?
Bela postagem, desejo a você um ótimo final de semana, beijos.
Já está melhor?
...às vezes preciso que me lembrem destas coisas que habitam esta cidade e que, tão frequentemente, nos passam despercebidas... só porque estão sempre ali...
ainda não tinha deixado nenhum comentário em seu blog, mas desta vez, depois de ver aquela esplêndida foto (vê-se que o autor é um verdadeiro génio da fotografia...) não pude deixar de lhe dar os parabéns por este seu livro aberto tão interessante e seus posts sempre sumarentos e que nos fazem pensar... Um beijo grande, as melhoras de seu pé - e continue!
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