quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Quotidianos


Não é um pintor que eu conheça muito bem, mas a sensação que tenho sempre que olho para os quadros de Edward Hopper, é que se podia tratar de um qualquer instantâneo nosso, actualizado o vestuário…

Claro que não me vejo exactamente na senhora do comboio, mas, de algum modo, também viajo nestas imagens, com alguma nostalgia.

Ora vejam:


:





Dá para imaginar uma qualquer história, não é?

E se quiserem ver a vertente mais contemplativa, carreguem aqui.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Blues da morte de amor

Já ninguém morre de amor, eu uma vez
andei lá perto, estive mesmo quase,
era um tempo de humores bem sacudidos,
depressões sincopadas, bem graves, minha querida.
mas afinal não morri, como se vê, ah não
passava o tempo a ouvir deus e música de jazz,
emagreci bastante, mas safei-me à justa, oh yes,
ah, sim, pela noite dentro, minha querida.

a gente sopra e não atina, há um aperto
no coração, uma tensão no clarinete e
tão desgraçado o que senti, mas realmente,
mas realmente eu nunca tive jeito, ah não,
eu nunca tive queda para kamikaze,
é tudo uma questão de swing, de swing minha querida,
saber sair a tempo, saber sair, é claro, mas saber,
e eu não me arrependi, minha querida, ah, não, ah, sim.

há ritmos na rua que vêm de casa em casa,
ao acender das luzes. uma aqui, outra ali.
mas pode ser que o vendaval um qualquer dia venha
ao lusco-fusco da canção parar à minha casa,
o que eu nunca pedi, ah, não, manda calar a gente,
minha querida, toda a gente do bairro,
e então murmurarei, a ver fugir a escala
do clarinete:- morrer ou não morrer, darling, ah, sim.

Vasco Graça Moura (Porto, 1942)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Lisboas




Que, em pleno Bairro da Lapa, se encontre uma parede / casa tão degradada pode ser motivo de espanto. Ainda mais quando vemos os culpados!

domingo, 6 de setembro de 2009

Selecção Musical

E, para começar a semana, num registo ainda meio em férias fora das horas de trabalho… aqui fica Harry Connick Jr, cujo album Songs I’ve heard está recheado de interpretações interessantes de músicas que nós também já ouvimos.

Boa semana!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Da janela, hoje de manhã


Com o calor que tem estado, raras vezes vou à janela, já que ligo logo de manhã o ar condicionado (um bom motivo para trabalhar em Agosto para pessoas como eu, que dispensam metade do calor que faz por cá...) Mas hoje, com o dia a começar um tudo nada mais fresco, até me apeteceu abrir ligeiramente a janela. E aqui têm o resultado.
Está mais bonito no video, com as folhas a mexerem e a fazerem barulho... mas como de repente não me consigo lembrar como é que faço uploads de videos... é o que dá ter feito férias grandes!!!



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Tardes de Domingo

Se há música que associe a não fazer nada, ligeiramente em férias, é seguramente esta dos Queen: Lazy on a Sunday Afternoon.

Não que já tenha tido férias, mas depois de 5 meses de baixa, who cares? Enfim tive férias de outras coisas, como de pensar o que escrever aqui, por exemplo.

Mas parece que chegou a hora de voltar, apesar da preguiça de ontem. Então tenham uma boa semana!

E para quem não sabe a letra:

I go out to work on monday morning
Tuesday I go off to honeymoon
Ill be back again before its time for sunnydown
Ill be lazing on a sunday afternoon
Bicycling on every wednesday evening
Thursday I go waltzing to the zoo
I come from london town
Im just an ordinary guy
Fridays I go painting in the louvre
Im bound to be proposing on a saturday night
There he goes again
Ill be lazing on a sunday
lazing on a sunday
Lazing on a sunday afternoon
e agora o video:

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Vidas





Posso até ter algumas ideias... o tempo é que, às vezes, é curto... para aqui escrever ou visitar outros...

mas, enquanto as coisas não voltam ao lugar, fiquem com este desenho do Rafael Bordalo Pinheiro.

Boa semana!

domingo, 12 de julho de 2009

Mundos e Músicas



Já aqui referi que não imagino o mundo sem música. Acho que qualquer coisa, movimento ou pessoa tem a sua musicalidade própria.

Uma das coisas interessantes da música é a sua capacidade de se misturar, apropriar de sons e ritmos e torná-los parte integrante de um estilo. E de haver sempre muitas formas de tocar determinada composição.

Vem esta conversa a propósito de, na quinta-feira passada, e um pouco out of the blue, ter isso ao Cinema São Jorge ver The Rolling Stones Project, de Tim Ries, do qual nada sabia, mas ao qual fiquei rendida!

Trata-se de um projecto de Tim Ries, que costuma acompanhar os Stones, e mais uns quantos músicos, que, partindo das músicas do universo dos Stones, as “refazem” com outros ritmos, outras vozes, às vezes mesmo outras palavras, numa tentativa de integrar géneros musicais dos países por onde passam naquele universo.

E, como nada se perde, tudo se transforma, vejam esta versão de Wild Horses, cantada por Bernard Fowler, e digam de vossa justiça!
Ou, para quem quer uma perspectiva mais portuguesa, a versão do No Expectation, com a Ana Moura (ou Mourah...)

domingo, 5 de julho de 2009

Lisboas


Não sei se já repararam que, no Largo de São Domingos, em Lisboa, foi colocado um monumento às vítimas da intolerância, em memória dos dois mil judeus mortos nesta cidade no ano de 1506, dos quais Damião de Góis faz um impressionante relato.

Quem por aí passar, pode ainda ver todo o arranjo do largo, que contempla ainda um grande banco a seguir ao muro com os dizeres “Lisboa, cidade da tolerância” num grande número de línguas.

E é impossível deixar de reparar na presença maciça de homens, mulheres e crianças de outras nações e credos, fazendo parte de outras diásporas.

Passados mais de quinhentos anos, esta Lisboa obviamente mais cosmopolita, também é um símbolo de esperança!

(e que outro local poderia ter tanto simbolismo como este?)














quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pensamento do dia


“As calorias são pequenos animais que moram nos roupeiros e que durante a noite apertam a roupa das pessoas.”


Mandaram-me hoje este pequeno pensamento, que não resisto a deixar aqui...

(as cá de casa então, andam particularmente activas desde que parti o pé...)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Irene no Céu

Irene preta
Irene boa
Irene sempre de bom humor.

Imagino Irene entrando no céu:
- Licença, meu branco!
E São Pedro bonachão:
- Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

Manuel Bandeira

terça-feira, 30 de junho de 2009

Seguranças



Em tempo de tantos cuidados com dados pessoais e informação segura na net, o Google lançou o Kid Rex, motor de busca para crianças, devidamente "filtrado" de alguns termos que, por mais buscas irrelevantes façamos, teimam em aparecer. Com informação para pais e filhos sobre a pertinência do seu uso, aqui fica uma ideia interessante. (e aqui está uma maneira de tentar dar a volta ao texto... literalmente.)

A notícia, que não me parece ter sido muito divulgada, apareceu na Informação.

País tropical

E, com o tempo que tem feito, ainda não lhes apeteceu cantarolar “moro num país tropical”?

Claro que eu preferia
a) Ter de volta uma meteorologia mais favorável;
b) Ou, na impossibilidade de tal acontecer, estar num país tropical, já agora numa praia interessante


Enquanto isso não acontece, aqui fica o País tropical de Jorge Ben

segunda-feira, 29 de junho de 2009

África tua














Como ainda não te vi, ou sequer falei, (e apesar do imenso atraso) aqui fica um pequeno recuerdo da "tua" Luanda.

Espero que dê para algumas boas memórias!!!

Queria deixar aqui uma musiquinha, mas as que aparecem no youtube são de fugir...
As imagens, essas são retiradas daqui

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sátiras

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.

Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo

Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)