Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
ANTÓNIO LOBO ANTUNES
(Sátira aos HOMENS quando estão com gripe)
os dias, as horas, minutos, e segundos. a informação, os documentos, as escritas, os arquivos e as bibliotecas
terça-feira, 23 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Desencontros
***
As formas, as sombras, a luz que descobre a noite
e um pequeno pássaro
*
e depois longo tempo eu te perdi de vista
meus braços são dois espaços enormes
os meus olhos são duas garrafas de vento
*
e depois eu te conheço de novo numa rua isolada
minhas pernas são duas àrvores floridas
os meus dedos uma plantação de sargaços
*
a tua figura era ao que me lembro
da cor do jardim.
***
António Maria Lisboa
As formas, as sombras, a luz que descobre a noite
e um pequeno pássaro
*
e depois longo tempo eu te perdi de vista
meus braços são dois espaços enormes
os meus olhos são duas garrafas de vento
*
e depois eu te conheço de novo numa rua isolada
minhas pernas são duas àrvores floridas
os meus dedos uma plantação de sargaços
*
a tua figura era ao que me lembro
da cor do jardim.
***
António Maria Lisboa
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Selecção Musical

E para o resto da semana, porque não ficar com a música suave do Tord Gustavsen Trio, neste caso Graceful Touch?
Espero que gostem!
(E, neste caso, como não consigo por a música a tocar no sítio certo, ficamos só com o video...)
(E, neste caso, como não consigo por a música a tocar no sítio certo, ficamos só com o video...)
terça-feira, 16 de junho de 2009
Aventuras de um gato na Penha de França
Já não sei bem em que dia chegou, lá para os idos de 1994, mas veio uma bolinha de pelo, tinhosa (deve ter sido por isso que foi abandonado) e muito senhor do seu nariz, apesar da tenra idade. Recebeu o nome de Bernardo, petit nom Bernie. O seu pelo metade branco, metade preto, dava-lhe um tom cinzento de muito bom gosto.
Rapidamente se tornou dono da casa e motivo de conversa em toda a família, tendo mesmo tido direito a fazer parte das minhas quadras no Natal (tradições…). Quase tão depressa contagiou humanos e felinos com a sua tinha: a mim, meu pai e minha irmã mais nova (numa breve incursão em casa dos meus pais)… e aos gatos da Sofia (numa visita nocturna).
Mas nada o fazia parar, nem mesmo o seu muito peculiar feitio (que as más línguas diriam mau). Por isso mesmo era conhecido por toda a vizinhança, a quem fazia questão de visitar pessoalmente mal desse com uma janela aberta.
Sendo o meu gato, aguentou olimpicamente a chegada de mais quatro patas; primeiro o gato vizinho com quem brincava – o Saltitão – depois o Patas, “caído” de um desastre qualquer. Mas tinha sempre a última palavra, qual senhor da casa.
No seu crescimento, passou por várias fases: passeios ao campo, andar só por cima dos móveis, dar cabo do sofá… enfim, mais do que vale a pena agora contar, mas sempre com a certeza do seu lugar e com o seu inegável feitio que acabou por o tornar num gato maduro, certo da sua posição.
Sendo gato habituado a estar à janela, cedo descobriu também as vantagens dos passeios pela via pública, tais como caçadas aos pombos (meras tentativas…) desaparecer durante umas horas/dias e ser senhor do seu destino (que me deixava doente) e conviver com os vizinhos, chegando a ter verdadeiras manias (entrar na casa da vizinha do lado pela porta e só sair pela janela…), enfim, manias que o caracterizavam.
Ultimamente “perfilhou” a segunda geração felina, chegada o ano passado, tornando-se num verdadeiro patriarca, à volta de quem os outros queriam estar. Não deixava, por isso, de ser o dono da casa, o que fazia questão de demonstrar com pequenos direitos que lhe pareciam naturais; o direito ao colo, a estar mais perto da minha cara, etc.
Hoje foi ocupar o seu lugar noutras bandas. Sem sofrer, nas minhas mãos. As saudades que eu vou ter…
Rapidamente se tornou dono da casa e motivo de conversa em toda a família, tendo mesmo tido direito a fazer parte das minhas quadras no Natal (tradições…). Quase tão depressa contagiou humanos e felinos com a sua tinha: a mim, meu pai e minha irmã mais nova (numa breve incursão em casa dos meus pais)… e aos gatos da Sofia (numa visita nocturna).
Mas nada o fazia parar, nem mesmo o seu muito peculiar feitio (que as más línguas diriam mau). Por isso mesmo era conhecido por toda a vizinhança, a quem fazia questão de visitar pessoalmente mal desse com uma janela aberta.
Sendo o meu gato, aguentou olimpicamente a chegada de mais quatro patas; primeiro o gato vizinho com quem brincava – o Saltitão – depois o Patas, “caído” de um desastre qualquer. Mas tinha sempre a última palavra, qual senhor da casa.
No seu crescimento, passou por várias fases: passeios ao campo, andar só por cima dos móveis, dar cabo do sofá… enfim, mais do que vale a pena agora contar, mas sempre com a certeza do seu lugar e com o seu inegável feitio que acabou por o tornar num gato maduro, certo da sua posição.
Sendo gato habituado a estar à janela, cedo descobriu também as vantagens dos passeios pela via pública, tais como caçadas aos pombos (meras tentativas…) desaparecer durante umas horas/dias e ser senhor do seu destino (que me deixava doente) e conviver com os vizinhos, chegando a ter verdadeiras manias (entrar na casa da vizinha do lado pela porta e só sair pela janela…), enfim, manias que o caracterizavam.
Ultimamente “perfilhou” a segunda geração felina, chegada o ano passado, tornando-se num verdadeiro patriarca, à volta de quem os outros queriam estar. Não deixava, por isso, de ser o dono da casa, o que fazia questão de demonstrar com pequenos direitos que lhe pareciam naturais; o direito ao colo, a estar mais perto da minha cara, etc.
Hoje foi ocupar o seu lugar noutras bandas. Sem sofrer, nas minhas mãos. As saudades que eu vou ter…
No tempo dos calígrafos

... escrever tinha certamente outro significado, senão vejam os (magníficos) exemplos de Manuel Andrade de Figueiredo, 1670-1735.
*
Tendo publicado, em 1722, a sua Nova Escola para Aprender a Ler, Escrever e Contar, que podem ler na totalidade aqui, nela apresenta vários alfabetos disponíveis para a arte da escrita.
Mas, e para além da óbvia intenção pedagógica, Andrade de Figueiredo vai ainda apresentar páginas de escrita com moldura, de uma inigualável arte.
*
Aqui ficam alguns exemplos.
Aqui ficam alguns exemplos.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Repositórios
*
Se há coisa que faça sentido na sociedade da informação, é a existência de informação em Open Access, ou seja, acessível a todos.
*
Por isso mesmo, o projecto RCAAP – Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, que agrega um conjunto de informação de outros repositórios, tais como:
*
Por isso mesmo, o projecto RCAAP – Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, que agrega um conjunto de informação de outros repositórios, tais como:
UTL Repository – Universidade Técnica de Lisboa
*
Tem o mérito de funcionar como portal nacional de repositórios científicos, com os objectivos de:
*
Tem o mérito de funcionar como portal nacional de repositórios científicos, com os objectivos de:
*
- Aumentar a visibilidade, acessibilidade e difusão dos resultados da actividade académica e de investigação científica portuguesa;
- Aumentar a visibilidade, acessibilidade e difusão dos resultados da actividade académica e de investigação científica portuguesa;
- Facilitar o acesso à informação sobre a produção científica nacional;
- Integrar Portugal num conjunto de iniciativas internacionais.
*
E, uma vez que todos sabemos como é difícil aceder a informação dispersa por publicações periódicas e actas de congresso, relatórios técnicos e teses, entre outros, só se espera é que venha a englobar mais instituições…
*
O projecto tem ainda os seguintes participantes:
*
Hospitais da Universidade de Coimbra
- Integrar Portugal num conjunto de iniciativas internacionais.
*
E, uma vez que todos sabemos como é difícil aceder a informação dispersa por publicações periódicas e actas de congresso, relatórios técnicos e teses, entre outros, só se espera é que venha a englobar mais instituições…
*
O projecto tem ainda os seguintes participantes:
*
Hospitais da Universidade de Coimbra
Universidade da Madeira
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Universidade de Évora
Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti
*
*
Para saber mais sobre a estratégia nacional e este projecto em concreto, leiam isto e isto.
*
E, não esquecendo a Comunidade Europeia, vejam aqui as respectivas directivas comunitárias sobre o livre acesso.
*
Boas pesquisas / leituras!
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Universidade de Évora
Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti
*
*
Para saber mais sobre a estratégia nacional e este projecto em concreto, leiam isto e isto.
*
E, não esquecendo a Comunidade Europeia, vejam aqui as respectivas directivas comunitárias sobre o livre acesso.
*
Boas pesquisas / leituras!
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Bibliotecas digitais,
Portugal,
Repositórios
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ás cinco da tarde


Llanto por Ignacio Sánchez Mejías
Eran las cinco en punto de la tarde
Un ninõ trajo blanca sábana
a las cinco de la tarde
Una espuerta de cal ya prevenida
a las cinco de la tarde.
Lo demás era muerte y sólo muerte
a las cinco de la tarde.
El viento se llevó los algodones
a las cinco de la tarde.
Y el óxido sembró cristal y níquel
a las cinco de la tarde.
Ya luchan la paloma y el leopardo
a las cinco de la tarde.
Y un muslo con una hasta desolada
las cinco de la tarde.
Comenzaron los sones del bordón
a las cinco de la tarde.
Las campanas de arsénico y el humo
a las cinco de la tarde.
En las esquinas grupos de silêncio
a las cinco de la tarde.
Y el toro, solo corazón arriba!
a las cinco de la tarde.
Cuando el sudor de nieve fue llegando
a las cinco de la tarde,
cuando la plaza se cubrió de yodo
a las cinco de la tarde,
la muerte puso huevos en la herida
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
A las cinco en punto de la tarde.
Un ataúd con ruedas es la cama
a las cinco de la tarde.
Huesos y flautas suenan en su oído
a las cinco de la tarde.
El toro ya mugía por su frente
a las cinco de la tarde.
El cuarto se irisaba de agonia
a las cinco de la tarde.
A lo lejos ya viene la gangrena
a las cinco de la tarde.
Trompa de lirio por las verdes ingles
a las cinco de la tarde.
La heridas quemaban como soles
a las cinco de la tarde,
y el gentío rompía las ventanas
a las cinco de la tarde.
A las cinco de la tarde.
Ay qué terribles cinco de la tarde!
Eram las cinco en todos los relojes!
Eram las cinco en sombra de la tarde!
Garcia Lorca

segunda-feira, 8 de junho de 2009
Rastos...
*Nós não somos quem somos porque vivemos numa terra, sobre um chão; todo o chão é espaço de vida; aqui ou depois das grandes lagoas, ou nas terras altas de gelo, de que nos não notícias irmãos do Oeste. Mesmo sobre as águas vivem outros Adornados, como nós. Serão os brancos filhos de outro Namandu? Não devemos temê-los, porque têm a mesma essência que cada um de nós; homens na mesma medida, do mesmo barro, do mesmo vento, da mesma carne
(...)
Somos, nesta terra, neste Império, talvez as últimas forças guarani; devemos resistir, sim, aos males que nos assediam. Vamos retomar nossas armas, como fizeram os antepassados. Porém, saibamos: hoje fazemos parte deste Império; contra ele será impossível lutar; mas ele é vasto demais e poderemos, quem sabe, encontrar, como a codorna, o ninho estreito na borda do campo. Nossa nação não se extinguirá pelas mãos dos malos gaúchos; ela só poderá perecer por nossas próprias mãos.
*
São estas as falas de Pierre, o Jaguar, índio guarani levado em criança para França, e que volta à sua terra natal para descobrir as suas raízes (e o seu futuro).
*
Um livro que se lê num ápice, narrando uma realidade fascinante, que eu conhecia muito mal. A não perder!
Saudades

Muito antes de pensar em fazer o meu próprio blog, já me divertia a andar pela blogosfera. E como não conhecia muita gente, fui, naturalmente, seguindo conselhos para saber que blogs visitar.

Foi assim que conheci o Blog da Gi - Os Pequenos Nadas. E perdi muito tempo a explorá-lo, ganhando em conhecimento e beleza.

Mais tarde explorei também os seus outros dois blogs: Museus e Galerias e Pássaros, ninhos, ovos e penas.

E a imensidão de imagens e textos fantásticos foi sempre uma fonte de conhecimento, prazer e boa disposição, juntamente com as mensagens trocadas.

Há cerca de um ano a Gi fechou o blog, com grande pena minha e de todos que a visitavam. Não tenho bem a certeza do dia, mas foi em Junho.

Assim, e uma vez que as circunstâncias da vida não nos permitem blogarmos, resolvi fazer esta pequena memória, deixando aqui algumas das imagens que achei mais interessantes e guardei. Naturalmente outras tantas faltarão, mas aqui fica uma espécie de Best of, na minha opinião, naturalmente. E acreditem, tive imensa deificuldade em escolher, já que fui guardando muito mais!

Espero que gostem!
domingo, 7 de junho de 2009
sábado, 6 de junho de 2009
Sardinhas
Não sei de quem foi a ideia de ter, como símbolo das Festas de Lisboa, a sardinha. Mas não podia estar mais de acordo com ela, e com as constantes mutações da sua imagem. Até me dou ao trabalho, aliás, de coleccionar os respectivos postais alusivos, todos os anos.
A escolha para este ano, é particularmente feliz, se não vejamos:
Sardinha nº 1 - Bela Silva

Sardinha nº 2- André Carrilho
Sardinha nº 3 - Pedro Proença
Sardinha nº 4 – Henrique Cayatte

Sardinha nº 5 - Nuno Saraiva

Sardinha nº 6 – João Maia Pinto

Sardinha nº 5 - Nuno Saraiva

Sardinha nº 6 – João Maia Pinto
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Apetece logo (ainda mais) sair por aí, festejar e … comer sardinhas!!!
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Ora fiquem ainda com o vídeo das Festas:
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sexta-feira, 5 de junho de 2009
O mundo é a nossa casa

No Dia Mundial do Ambiente, nada melhor do que algumas (das espectaculares) imagens de Yann Arthus-Bertrand, bem como um "cheirinho" do seu filme Home.
Vale a pena pensar!!!
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Certezas
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Viver Lisboa
Sendo alfacinha de gema, e tendo sempre vivido/estudado/trabalhado em Lisboa, foi com especial prazer que soube da iniciativa do Plano Local de Habitação, uma proposta da Câmara Municipal de Lisboa, que se encontra neste momento em consulta pública, acessível aqui.
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Também disponível, para quem tem interesse nisso, está o Relatório da 1ª fase do Programa Local de Habitação – Conhecer, onde se dá conta das várias políticas relativas à habitação que já passaram por Lisboa.
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Agora, resta-nos participar na escolha do que consideramos pertinente para a cidade, esperando bons resultados quando for a altura de fazer.
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Agora, resta-nos participar na escolha do que consideramos pertinente para a cidade, esperando bons resultados quando for a altura de fazer.
domingo, 31 de maio de 2009
Lançamentos
.E foi com muito gosto que, apesar do calor (...), fui ao lançamento do Are you ladrating to me, do Rafeiro Perfumando, hoje, precisamente às 16.07 (pormenor que me é grato, neste país onde NADA começa à hora a que se propõe...) na Bertrand da Avenida de Roma.
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Cheio da boa disposição que também podemos ver/ler no seu blog, eis um livro que, decididamente, goza com a vida, mesmo que a vida também goze um bocadinho de volta...
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E teve graça conhecer outros bloggers... então divirtam-se e tenham uma Boa Semana!!!
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