domingo, 21 de setembro de 2008

Os dias, a noite, os sonhos e os sonâmbulos




Na altura do dia em que deveria estar a sonhar, acontece-me com frequência ter uma qualquer insónia que me faz caminhar pela casa em busca de uma ocupação que me permita matar o tempo.
Mas a noite, nem sempre boa conselheira, vai-se esticando e alongando, fazendo-me sentir como um sonâmbulo que anda sem saber bem para quê nem onde.

Que vontade de sair do meu corpo e fazer coisas impossíveis!!!

Quer acompanhe só a luz da lua, quer chegue até ao despertar do sol, são noites em que os sonhos comandam a vida.
As imagens essas são da Graciela Bello, visitável aqui.

sábado, 20 de setembro de 2008

Os documentos, os livros e o marketing


A distância que medeia o tempo em que os Arquivos eram considerados um bem precioso para a instituição, e por isso mesmo fechados num cofre, normalmente com três chaves, distribuidas por três pessoas, ou das Bibliotecas arrumadas em estantes com correntes para que os livros não fossem levados, e o nosso é certamente muita.


A abertura, possibilidade de acesso, empréstimo domiciliário, serviços educativos e novas formas de encarar a profissão e o serviço que se presta não podem, de facto, ser comparáveis nem sequer ao século XIX.
Afinal, não é em vão que vivemos na Sociedade da Informação, e, embora cada vez mais ela seja digital e rompa fronteiras físicas e temporais, nem tudo está disponível on line e nem toda a gente tem possibilidade de aceder a uma ligação à WWW.
No entanto, devo dizer que duas sessões do excelente curso Marketing do Livro, que estou a tirar na Booktailors bastaram para me aperceber que muito pode e deve ainda ser feito. Uma área um pouco descurada na nossa formação, diria eu, mas que poderia operar pequenos milagres nalguns Serviços de Informação cuja estratégia de actuação muitas vezes não encontra eco na procura por parte dos utilizadores.
Aqui fica a notícia.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Escrever


Sempre que começa o ano escolar dou por mim a pensar se é desta vez que os miúdos deixam de aprender a escrever bem; isto é, se deixam de praticar caligrafia.
Com o mundo moderno tão cheio de computadores e de ofertas ao nível digital, a verdade é que a letra manuscrita vai progressivamente perdendo terreno perante essa uniformização dos caracteres impressos, que tanta gente prefere.
Mas nem sempre foi assim, claro, e a aprendizagem da escrita, num mundo não tão longínquo quanto isso, passava pela postura do
corpo e mão, desenho minucioso das letras maiúsculas e minúsculas (e de diferentes famílias de letras), aprendizagem do modo de preparação do instrumento de escrita e também pela preparação da própria tinta.
Aqui têm duas das imagens que, a própósito da Arte da Escrita, aparecem na Enciclopédia de Diderot & d'Alembert.
São apenas dois exemplos dos muitos que se escreveram sobre a escrita e o seu ensino, onde as variantes nos respectivos manuais de aprender a ler e escrever se identificavam pelo tipo de Escrita próprio de cada país, pelas suas característiacs próprias.
A eles voltaremos mais tarde ou mais cedo. A escrita é um mundo fascinante. Em todos os sentidos

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Novidades da Estónia



Quando me falam da Estónia, onde nunca fui aliás, imagino sempre um país frio e distante.
Foi assim com alguma surpresa que tomei conhecimento, através de uma amiga, do trabalho deste artista nado e criado na Estónia: falo de Navitrolla, que podem conhecer melhor aqui.
Como podem ver pelas imagens anexas, o frio não consta e a imaginação abunda (se forem ao site descobrem outras tantas), fazendo sonhar com uma realidade quase sempre associada a uma natureza idílica.
É certo que para continuarmos a ter notícia deste artista (e na impossibilidade de nos deslocarmos à sua Galeria em Tallinn) apenas podemos ter a paciência de o fazer virtualmente, o que não tem metade da graça.
Mas podemos também recorrer a este expediente de copiarmos as imagens que gostamos, apreciá-las e divulgá-las. Aqui ficam!


sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Brasões e Poesia

Tatuagens complicadas do meu peito:
- Troféus, emblemas, dois leões alados...
Mais, entre corações engrinaldados,
Um enorme, soberbo, amor-perfeito...

E o meu brasão... Tem de oiro num quartel
Vermelho, um lys: tem no outro uma donzela,
Em campo azul, de prata o corpo, aquela
Que é no meu braço como que um broquel.

Timbre: rompante, a megalomania...
Divisa: um ai, - que insiste noite e dia
Lembrando ruínas, sepulturas rasas...

Entre castelos serpes batalhantes,
E águias de negro, desfraldando as asas,
Que realça de oiro um colar de besantes!

Camilo Pessanha

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Ler é Maçada, Estudar é Nada



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doura
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa.

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Retirado o título do poema de Pessoa, este "novo" livro de Artur Anselmo, afinal recolha de uma série de comunicações e intervenções em Colóquios e Congressos, Revistas, etc, permite-nos assim ter acesso a um conjunto de textos sobre temas sobre os quais se tem dedicado: História do Livro, a Actividade Editorial em Portugal, a Cultura, a Comunicação.
E que em boa surge.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Tapetes Voadores e Harmonia das Cores



Com a chegada da última 5ª feira à noite no Museu Nacional de Arte Antiga, não podia deixar de ir ver o documentário de João Mário Grilo O Tapete Voador, a propósito da exposição Tapete Oriental em Portugal.
E foi na verdade muito interessante viajar naquele fim de tarde até ao Irão e tomar conhecimento dos modos de feitura dos tapetes: quer tradicionais quer já com novas tecnologias, mas seguindo as receitas de tintas tradicionais.
Onde a harmonia das cores não pode ser posta em causa sob pena de o tapete não cumprir a sua missão de paraíso na terra, retratando nas salas o que a natureza nem sempre permite ter: flores, pássaros, animais, etc.
Daí que o papel da tecelã seja fundamental - e é uma profissão que pode começar muito cedo (um dos exemplos retratado indicava os 8 anos) - sendo a sua técnica, experiência e dedicação visível nas suas obras.
Mas sobretudo, a produção de tapetes é também fruto dos saberes e experimentação de um povo, que a ela se dedicam: por isso mesmo referem no filme que as cores dos tapetes do Irão são resultado de experiências com 3000 anos, até ter sido obtida a almejada harmonia das cores.
Na próxima vez que pisar um tapete (mesmo que não seja do Irão) vou com certeza olhar com mais atenção.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Registos


Quando pensei em ter um blog confrontei-me, é claro, com o problema do nome e conteúdo. Sendo eu Arquivista (e gostando do que faço) não me passaria pela cabeça ter um blog que não falasse sobre documentos, livros, arquivos, bibliotecas, etc., etc... enfim temas que me são queridos e com os quais me deparo quotidianamente.
Porém, e como há mais vida para além do défice, nunca pensei fazer um blog apenas vocacionado para essas temáticas, mas no fundo para tudo o que de uma forma ou outra me interessa ou toca. Estava escolhido o conteúdo.
Já o nome foi mais fácil. Na verdade surgiu-me como uma evidência: Registos, de registar, tarefa arquivística, mas não só. Na verdade extensível a outras actividades e a documentos.
Se há imagem que eu considere que represente esta tarefa é esta mesma do escriba egípcio: aqui está ele a Registar qualquer coisa. Aqui fica.

Aniversários



E é com muito gosto que me junto às comemorações do 1º Aniversário do Blog da Blue

Um blog que diz e escreve o que pensa, e onde é sempre bom voltar:))
Parabéns Blue!!

domingo, 31 de agosto de 2008

A arte e história da comida




































Nos dias de hoje em que o fast food impera e os nossos restaurantes não estão especialmente atentos à ligação da comida e arte, que não seja a nouvelle cuisine, aqui têm um livro original: Os Menus em Portugal de Isabel Drumond Braga.
Através da colecção da autora, ficamos a conhecer, não só quem era objecto de determinado evento, onde era servida a refeição, como também o que se comia e bebia, e isto de 1874 a 1945.
Festas, casamentos, recepções, reuniões de médicos, de crianças, aniversários, alguns com apontamentos e indicação das pessoas presentes, os Menus revelam-se uma fonte interessante para este tipo de informação e história, onde muito haverá ainda por fazer.
Mas, e para além disso, também são exemplos de imaginação e arte (uns mais bem conseguidos que outros).
Aqui vos deixo alguns exemplos.

Selecção Musical



E está na hora de passarmos registos musicais mais actuais: aqui fica Noche de Ronda (Night of Wandering) de Charlie Haden, com Gonzalo Rubalcaba no piano e Ignacio Berroa na percussão.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Novos Fados

E entretanto, não resisto a deixar aqui um registo dos Deolinda: o Fado Toninho




O video é delicioso. Se quiserem saber mais sobre os Deolinda (confesso que também não sei muito) aqui fica o site. Mas a vocalista é arquivista; só pode ser boa pessoa:))

domingo, 24 de agosto de 2008

Vencer os medos


… e não apenas os nossos…









Através de Maria e da sua bicicleta, vamos lendo (e vendo) problemas, indecisões, dúvidas, angústias muitas… mas também alguns projectos, resoluções, possibilidades de mudar.


Neste sobe e desce, vamos também tomando conhecimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, através da escrita de João Paulo Cotrim, repartida por 8 capítulos, correspondentes aos 8 Objectivos. Cada um ilustrado por seu autor, e aqui ficam os seus nomes: João Fazenda, Susa Monteiro, Maria João Worm, Pedro Burgos, Tiago Albuquerque, Miguel Rocha, Rui Lacas, Alex Gozblau.




Um projecto extremamente interessante que, não se limitando a enumerar os Objectivos, nos faz percorrer o caminho simultaneamente das nossas angústias e das nossas possibilidades de fazer alguma diferença.


Tenho algumas dúvidas que os Objectivos do Milénio sejam alcançados, claro, sobretudo porque têm o horizonte temporal de 2015. Mas para quem como eu acha que a inovação social pode ser o nosso yes we can, se não fizermos alguma coisa certamente não chegamos a lado nenhum.


E para quem não sabe, aqui ficam os Objectivos do Milénio:

1 - Erradicar a pobreza extrema e a fome
2 – Alcançar o ensino primário universal
3 – Promover a igualdade de género e empoderar as mulheres
4 – Reduzir a mortalidade infantil
5 – Melhorar a saúde materna
6 – Combater a SIDA, a malária e outras doenças
7 – Garantir a sustentabilidade ambiental
8 – Fortalecer uma parceria global para o desenvolvimento


O livro (e as suas questões) esse vale imenso a pena.


sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os Jogos Olímpicos
























Agora que se acabam os Jogos Olímpicos (que eu quase não vi, infelizmente), aqui ficam algumas imagens de outros passados em tempos mais recuados. O objectivo, no entanto, foi sempre o mesmo, embora as "medalhas" fossem ligeiramente diferentes.





I'm back

E nada melhor que começar por dar férias ao Sinatra.

Aqui fica assim um registo de uma senhora sua contemporânea: Marilyn Monroe em After you get what you want, you don't want it.