sábado, 31 de maio de 2008

Imagens de Marte








Alertada pela coluna de Carlos Fiolhais no Sol, a Heliosfera, que leio sempre com agrado, hoje intitulada Há vida em Marte?, resolvi explorar o site da NASA (o da Universidade do Arizona não abria) sobre o projecto. Aqui têm umas imagens de Marte, trazidas pela sonda Fénix, uma colaboração da NASA com a referida Universidade, planeta esse onde parece haver gelo.

Haverá vida em Marte, como pergunta Carlos Fiolhais?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Selecção musical



E para esta semana, aqui fica o registo do encontro da voz de Louis Armstrong com o piano de Oscar Peterson, no original de Cole Porter Let's Do It (Let's Fall in Love).


quinta-feira, 29 de maio de 2008

Ida e volta: ficção e realidade



Hora de almoço no Centro de Arte Moderna e a fila para almoçar dava várias voltas. Espreito a porta do Centro e leio o título da Exposição: Ida e volta: ficção e realidade. Pensei, mal por mal, mais vale voltar mais tarde e ir ver não sei o quê, já que o título, esse era interessante.

Comprado o bilhete (que eu pedi para a exposição e a senhora respondeu a vídeo-arte, ou qualquer coisa parecida), um anúncio avisa-nos que, a partir daquela porta, o espectador passa a ser actor do dispositivo cenográfico.

E de facto, passamos a ir e vir, através duma estrutura montada para visionamento de instalações de vídeos ou cinematográficas. E fazemo-lo não só no sentido físico de andarmos por ali, entrando em cada “sala” , procurando adaptar-nos à falta de luz, sentados ou em pé, como também interagimos com o que as imagens nos mostram. E em cada instalação são mostradas imagens/conceitos bem diferentes umas das outras.

Ainda ia a meio e já dava o almoço por perdido, mas estava completamente rendida a estas idas e voltas que nunca pensei me pudessem distanciar e aproximar tanto da realidade. Na verdade, nunca tinha visto uma instalação de vídeo como a vi hoje. E que aconselho vivamente.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O Convento dos Cardaes



Na Rua do Século, nº 123, quase sem se dar por ele, e por vezes mais visitado por estrangeiros do que por portugueses, existe uma pequena maravilha: o Convento dos Cardaes.

Um dos motivos que o torna tão visitável é sem dúvida a sua azulejaria representando a vida de Santa Teresa de Ávila, verdadeira obra prima holandesa, assinada por Jan van Oort, mas também poderíamos falar da talha, pintura, embrechados… porque não experimentar e ir até lá?

Desde 1876 que o Convento foi cedido à Associação de Nossa Senhora Consoladora dos Aflitos.
Cabe, desde então, às Irmãs Dominicanas a orientação do Convento numa obra de apoio a pessoas com deficiências profundas.
Nessa perspectiva foi aberta ao público uma zona do Convento para visitas e eventos culturais dos mais diversos. De igual modo e porque de monumento histórico se trata, foi iniciado o seu restauro, bem como o seu estudo por investigadores, dando origem a um livro sobre o Convento.

Só é justo dizer que muito do desenvolvimento do Convento nestes últimos anos se deve à Irmã Ana Maria, que, com a sua persistência, boa vontade e permanente sorriso vai conseguindo os necessários apoios, planifica, está lá todos os dias a assegurar que as coisas estão a correr bem

O Convento dos Cardaes está aberto todos os dias das 14,30 às 17,30, com visitas guiadas.

Irá também realizar o seu Jantar anual nos claustros no próximo dia 21 de Junho, às 19,30h, cuja receita reverterá para o restauro do Convento e para as actividades de Verão da sua obras social.
Durante o jantar haverá um Concerto de Guitarras com Percussão e Dança Oriental, com as seguintes presenças:

Luísa Amaro – Guitarra Portuguesa
António Eustácio – Guitolão
Tiago Pereira – Percussão oriental
Gonçalo Lopes – Clarinete
Rita Fontes – Dança oriental

De uma forma ou outra, não deixem de conhecer o Convento: vale a pena a visita, já a fiz várias vezes!

domingo, 25 de maio de 2008

Festejar aniversários

Desde que vi Jô Soares, já não sei em que programa, recitando "Ao volante do meu chevrolet que fiquei com vontade de ouvir mais

Hoje, aqui deixo este registo do "Aniversário", também de Álvaro de Campos. É pena não ter a imagem do Jô Soares.

sábado, 24 de maio de 2008

Atenta às notícias de Cannes, um livro interessante sobre duas importantes figuras da nossa cultura: Manoel de Oliveira e Agustina Bessa-Luís



“Há uma cena num filme de Manoel de Oliveira, o Vale Abrãao, em que um desconhecido, num restaurante, lhe oferece um prato de figos. Foi assim que meu pai abordou a jovem Laura, que estava vestida de preto, não por luto, mas por promessa. Casaram e não tiveram muitos meninos, só eu e meu irmão José Artur”

É com esta citação da Autobiografia de Agustina Bessa-Luís que Aniello Ângelo Avella inicia esta ligação entre literatura e cinema, presente nas obras de Agustina Bessa-Luís e Manoel de Oliveira.

Dissecando a escrita de Agustina, descreve-a como “uma espécie de escavação arqueológica dos sentimentos na tentativa de alcançar a origem, o Princípio do mundo, conforme o título de um filme famoso do cineasta.”

“Mas, como poderemos chegar ao mais íntimo do mais profundo da Natureza e da natureza humana, quando as tentativas de incursão se tornam tanto mais difíceis e obscuras quanto mais nos afundamos neste tipo de cousas?” pergunta Manoel de Oliveira referindo-se a Agustina.

O livro, edição da Universidade Federal de Minas Gerais, é bastante feliz nesta ligação a que não são naturalmente alheios nem o cineasta nem a escritora. Definitivamente a ler.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Obviamente demito-o: as eleições presidenciais de 1958, O General Sem Medo e o Movimento Nacional das Mulheres Portuguesas

Duas formas de dar a conhecer a nossa história e não apagar a memória.
Neste mês de Maio temos à disposição dois registos opostos de uma mesma realidade: o Portugal de 1958, atravessado pelas eleições presidenciais onde Humberto Delgado, candidato não oficial, ousou desafiar o regime.

Falo da biografia de Humberto Delgado, trazida a lume pelo seu neto Frederico Delgado Rosa, um espantoso trabalho de investigação que narra a par e passo a sua vida e se lê agradavelmente. Mas que só foi possível, claro, depois de uma recolha exaustiva de fontes.

Do outro lado do Portugal de 1958, está o Movimento Nacional das Mulheres Portuguesas, que Inês de Medeiros revela no seu documentário Cartas a uma ditadura, e cuja narração podem ler no Luís Galego, que o faz melhor que eu. Mas direi só umas palavras.

Resposta de um regime que se considera ameaçado, o documentário mostra um outro lado desse Portugal longínquo, revisitando essas senhoras que, em 1958, respondem à chamada.

Um documentário tranquilo, muito bem concebido e filmado, que permite ter uma visão de uma outra realidade, e que, mesmo desse lado do Portugal de 1958, apresentada vários registos.

Curiosamente, a maioria das senhoras entrevistadas não consegue definir Ditadura, mas também não o faz para Democracia, em registos de várias classes sociais. Aqui está uma questão que, em meu entender, devia merecer alguma reflexão.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Mezzo

E este fim de semana «descobri» mais um video interessante no Mezzo:
um dueto Sinatra/Elvis, completamente inesperado para mim. Não tanto o registo do Sinatra, diga-se em abono da verdade, mas mais o do Elvis Presley, que a minha memória reteve sempre na sua fase final, que nunca me disse nada. Estou a ponderar seriamente rectificar esse facto, comprando uma coisa que não houve cá em casa: um disco do Elvis Presley.

domingo, 18 de maio de 2008

A pensar morreu um burro





«A primeira vez que ouvia uma frase fazia-lhe confusão. Era muito estranho. Primeiro era uma excitação, parecia a descoberta de alguma coisa muito importante. Depois, e isso acontecia quase logo a seguir, não percebia o que a frase queria dizer. Vai passear macacos, por exemplo, soava-lhe bem e divertia-o mas não era capaz de imaginar uma fotografia para uma imagem assim. (…)

(...)



- Então, meu querido, que se passa? Estás a olhar o vazio?
- Não, mãe, estou só a pensar…
- A pensar? Olha, a pensar morreu um burro! Agora dorme que bem precisas. Um beijinho…

Sim, era só daquilo que ele precisava. Dois enigmas, dois mistérios. Aquelas frases, talvez por serem das últimas do dia fizeram-se-lhe música na cabeça. Não lhe saíam da cabeça. A olhar o vazio a pensar morreu um burro. Um burro. Um burro morreu a pensar a olhar o vazio. O vazio morreu a olhar um burro a pensar (…) »

(para perceberem todo o desenho têm que ler o resto da história... e vale a pena)

Um pequeno excerto da 1ª história do livro: A pensar morreu um burro e outras histórias
Texto de Hélder Moura Pereira e desenhos de Luís Manuel Gaspar.

(tive alguma dificuldade em escolher o texto/desenho…)

sábado, 17 de maio de 2008

Selecção musical

A selecção musical da semana vai para Billie Holiday, no seu registo de Georgia on My Mind, que estão a ouvir

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Make it possible ou lançar raízes




















Falar em conservação, descrição e digitalização de acervos fotográficos em Portugal implica falar no Luís Pavão ou, mais recentemente, na LUPA.


Por vários motivos: porque já o chamámos para projectos na instituição em que trabalhamos e com isso beneficiámos bastante (guilty as charged), porque já lemos as suas reflexões sobre estes assuntos (again...) ou porque já frequentámos as suas acções de formação (não, ainda não tive oportunidade...).


Tendo já tratado e estado envolvido em grandes e pequenos projectos de descrição, conservação e digitalização de acervos fotográficos nos mais diversos tipos de instituições, sejam arquivos, bibliotecas, museus, casas comerciais, igrejas, privados, enfim, uma panóplia de serviços, colecções, volume e diferentes tipos de registo de imagens que foram sendo tratados com uma postura profissional, serena e bem disposta (e estou a roubar a frase à Ana Paula Gordo) que quem conhece o Luís Pavão e a sua equipa sabe ser verdade, foi assim com todo o gosto que hoje me associei à comemoração dos 26 anos de actividade do Luís Pavão / LUPA.


Porque só com posturas destas e tamanha dedicação se criam as tais raízes. As que ligam os vários intervenientes dos projectos numa dinâmica muito própria que permite que todos os lados aprendam. Parabéns Luís Pavão. Parabéns LUPA.


E aqui vos deixo as raízes do também fotógrafo Luís Pavão.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Conhecer Pessoas




Conhecer pessoas é sempre um desafio.
É que, para além da pessoa, conhecemos também os seus gostos, as suas leituras, as suas músicas, etc., no que se pode revelar um admirável mundo novo.

Vem esta conversa a propósito da Exposição Recortes de Fantasmas da Ana Fraga. Ficam a saber, desde já, que a conheço, claro. Pior: conheço-a porque trabalhamos na mesma instituição, embora não a desempenhar as mesmas funções, e se há sítio onde é difícil conhecer pessoas é mesmo no nosso local de trabalho.


Assim, foi com especial interesse que visitei ontem a sua exposição, a cuja inauguração faltei, por motivos que não vêm agora ao caso.

E fiquei completamente rendida ao «mundo» dos Recortes de Fantasmas da Ana. Trata-se de um projecto de criação de personagens, baseado nos trabalhos de Sophie Calle, como refere a autora, mas, diria eu, com uma interpretação muito própria.
São assim apresentadas dez telas com as silhuetas de dez homens e dez recortes pintados em mdf da silhueta da autora em tamanho natural. Cada par tem um título e texto que os agrega e pode ter ou não um zoom.

Aqui vos deixo um dos meus casais preferidos: o poeta segurador, pedindo desde já desculpa pela não inclusão do texto, que pode ser lido e visto na Galeria Corrente d’Arte, na Avenida D. Carlos I, nº 109.

Acreditem que vale a pena a visita.

domingo, 11 de maio de 2008

Poemas de Amor no Antigo Egipto


I
Vem depressa para junto do teu amor,
Como o mensageiro real obedecendo à
Impaciência do seu amo - quer dizer, se
se acreditar, num mensageiro real.
Vem depressa,
Tens toda a coudelaria à disposição,
A carruagem pronta.
Nem o mais impetuoso dos cavalos
- Quando a encontrares -
Se aproximará da velocidade do teu coração.
II
Traz o teu ímpeto
À casa da tua amada,
Tu que és o orgulho da coudelaria do rei,
Escolhido de entre uma centena de puros-sangues,
Treinado com ração especial,
Que partes em galope sem igual
à mera menção da palavra estribo,
Sem mesmo o treinador
(Que é hitita)
Poder segurar-te.
Como ele conhece bem o coração dela
A que há-de ficar sempre ao seu lado.
III
Vem como a gazela do deserto
Obrigada a ziguezaguear em nervosa pressa
Atravessando os trilhos e voltando
Com medo do ganido dos cães e do caçador;
E que finalmente se decide por uma veloz linha recta
Com um olho no lugar deixado.
Estás a salvo dentro da casa da amada
Beijando-lhe as mãos, fazendo-lhe
A sincera proclamação do teu amor,
Fazes tudo isto
Tudo isto no interior da grande e pré-concebida organização
Da deusa do oiro

sábado, 10 de maio de 2008

Um dia especial



Preparei-me cuidadosamente para este dia; afinal é um dia especial.

Indecisa quanta à designação, cheguei mesmo a comprar um livro de princesas para poder decidir qual o melhor termo, mas não me serviu de muito, confesso.

Assim, e após uns momentos de reflexão, cheguei à conclusão que este dia é o Dia da Princesa da Turra da Tia.

Para que a conheçam, aqui deixo um desenho, onde nos podem ver a passear no Jardim Zoológico, ao pé de um animal cujo nome não me vem agora à memória.

E para si, Princesa, uma Turra. Parabéns, querida!