domingo, 11 de maio de 2008

Poemas de Amor no Antigo Egipto


I
Vem depressa para junto do teu amor,
Como o mensageiro real obedecendo à
Impaciência do seu amo - quer dizer, se
se acreditar, num mensageiro real.
Vem depressa,
Tens toda a coudelaria à disposição,
A carruagem pronta.
Nem o mais impetuoso dos cavalos
- Quando a encontrares -
Se aproximará da velocidade do teu coração.
II
Traz o teu ímpeto
À casa da tua amada,
Tu que és o orgulho da coudelaria do rei,
Escolhido de entre uma centena de puros-sangues,
Treinado com ração especial,
Que partes em galope sem igual
à mera menção da palavra estribo,
Sem mesmo o treinador
(Que é hitita)
Poder segurar-te.
Como ele conhece bem o coração dela
A que há-de ficar sempre ao seu lado.
III
Vem como a gazela do deserto
Obrigada a ziguezaguear em nervosa pressa
Atravessando os trilhos e voltando
Com medo do ganido dos cães e do caçador;
E que finalmente se decide por uma veloz linha recta
Com um olho no lugar deixado.
Estás a salvo dentro da casa da amada
Beijando-lhe as mãos, fazendo-lhe
A sincera proclamação do teu amor,
Fazes tudo isto
Tudo isto no interior da grande e pré-concebida organização
Da deusa do oiro

sábado, 10 de maio de 2008

Um dia especial



Preparei-me cuidadosamente para este dia; afinal é um dia especial.

Indecisa quanta à designação, cheguei mesmo a comprar um livro de princesas para poder decidir qual o melhor termo, mas não me serviu de muito, confesso.

Assim, e após uns momentos de reflexão, cheguei à conclusão que este dia é o Dia da Princesa da Turra da Tia.

Para que a conheçam, aqui deixo um desenho, onde nos podem ver a passear no Jardim Zoológico, ao pé de um animal cujo nome não me vem agora à memória.

E para si, Princesa, uma Turra. Parabéns, querida!

E falando em campo, outros olhares, outras histórias





E porque esta semana estou virada para outros tipos de registo, aqui fica mais outra área, a propósito de um livro que acabou de sair: O Eucaliptal em Portugal.

Sendo uma árvore muitas vezes tão mal amada, tive alguma curiosidade em ver o que dela se poderia dizer, e logo num volume de 398 páginas!

Começando pela sua história, isto é, pela história da sua introdução em Portugal, o livro, de múltiplas autorias, vai analisando os vários factores relativos à plantação do eucalipto: produtividade, recursos hídricos, solo, biodiversidade, fauna selvagem, agentes bióticos, silvicultura pós-fogo em eucaliptais, impactos sócio-económicos, modificação das paisagens e influências das alterações climáticas. Um verdadeiro descascar da árvore.

Numa altura em que tanto se fala dos recursos naturais, é bom ver aparecer estudos assim.

E, porque nos Arquivos se guarda a memória de várias Histórias, aqui deixo mais outra referência: a da História Florestal, Aquícola e Cinegética, conjunto de 7 volumes com a memória de documentação sobre aquele assunto existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo entre 1208 e 1583, seja em sumário, seja em transcrição.

Aqui deixo três registos daí retirados. Três pequenas histórias.


Também podem ver que as minhas habilidades no domínio da digitalização não estiveram hoje no seu melhor...

Acabar a semana a passear de charrette pelos campos da Golegã…




… onde a vida pode ser quase, quase perfeita.


Sempre achei o cavalo um animal nobre, elegante e bonito. No entanto, da nobre arte de cavalgar em toda a sela, apenas recordo umas longínquas (e poucas) aulas de equitação quando fiz a 4ª classe… Faz tempo.

Contudo, quando me perguntaram se queria ir à chamada capital do Cavalo – a Golegã – pois claro, por ocasião da Feira da Égua, participar na Romaria de S. Martinho e ainda andar a passear de charrette, pareceu-me o programa ideal.

E foi! Aprendi várias coisas sobre cavalos (sabiam que há “normas” para dar nomes aos cavalos? Estamos no ano da letra C ou D, já não me lembro bem. Assim, qualquer cavalo nascido este ano, só pode ter um nome começado por C ou D (não me lembro mesmo qual a letra certa). Ou como distinguir as raças dos cavalos, mas essa parte é mais complicada…

Mas, sobretudo, foi um dia muito bem passado, onde fui bem recebida, apreciei e participei. Entre a romaria, a missa, o almoço que se preparou sem estar no programa (dado que chovia copiosamente) na Quinta dos Álamos e o passeio em charrette pelo campo, onde o convívio foi agradável e um bom vinho branco ribatejano também, posso dizer que a vida por aqueles lados, de facto, pode ser quase, quase perfeita!

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Selecção musical


Ninguém perguntou, mas caso não tenham identificado, a anterior selecção musical era Ray Charles, num registo inicial, que muito aprecio.


Para esta semana, aqui deixo Bluesette, um tema de Toots Thielemans, aqui interpretado por Jimmy Smith, no seu Album Who's Afraid of Virginia Woolf?

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Xiloteca, uma «teca» de outra natureza



No tempo das Ludotecas, Videotecas, Fonotecas, Bedetecas, etc e tal, as Xilotecas estão noutra categoria à parte: a das colecções de amostras de madeiras identificadas quanto à espécie a que pertencem e devidamente ordenadas e catalogadas. Como se de uma Biblioteca se tratasse, substituindo os livros pelas madeiras.

Vem isto a propósito de um outro passeio por outro bairro, por outro jardim: o Jardim Botânico Tropical, sito à Ajuda, cuja história pode ver aqui, feliz detentor de uma xiloteca, pois claro!

No seu Índice Geral, elaborado em 1986, constam 2670 espécies, e, se nunca viram uma Xiloteca, vão ao Jardim Botânico Tropical: é uma «teca» diferente, mas não menos interessante e aliciante.


Outras Xilotecas a explorar (virtualmente):

segunda-feira, 5 de maio de 2008

A cada um o seu paxalique



Paxalique: Província governada por um Paxá (do turco paxalik).

Alertada pela Cidadã G., essa fonte inesgotável de bons conselhos, tomei conhecimento, a propósito do livro O Renegado, cujo resumo do conteúdo podem ver aqui, de um novo (para mim) termo: o paxalique.

O romance traz, aliás, um pequeno glossário para orientar os leitores. Quanto a Fernando del Pozo, mais tarde Solimão Qurtubí, paxá de Tombuctu, personagem central deste livro, o melhor mesmo é perderem um pouco de tempo, ganhando em conhecimento, a lê-lo.

A cada um o seu paxalique.

Pensar incomoda como andar à chuva

Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho.
E se desejo às vezes
Por imaginar, ser cordeirinho
(Ou ser o rebanho todo
Para andar espalhado por toda a encosta
A ser muita cousa feliz ao mesmo tempo),
É só porque sinto o que escrevo ao pôr do sol,
Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
Quando me sento a escrever versos
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento,
Sinto um cajado nas mãos
E vejo um recorte de mim
No cimo dum outeiro,
Olhando para o meu rebanho e vendo as minhas idéias,
Ou olhando para as minhas idéias e vendo o meu rebanho,
E sorrindo vagamente como quem não compreende o que se diz
E quer fingir que compreende.
Saúdo todos os que me lerem,
Tirando-lhes o chapéu largo
Quando me vêem à minha porta
Mal a diligência levanta no cimo do outeiro.
Saúdo-os e desejo-lhes sol,
E chuva, quando a chuva é precisa,
E que as suas casas tenham
Ao pé duma janela aberta
Uma cadeira predileta
Onde se sentem, lendo os meus versos.
E ao lerem os meus versos pensem
Que sou qualquer cousa natural .
Por exemplo, a árvore antiga
À sombra da qual quando crianças
Se sentavam com um baque, cansados de brincar,
E limpavam o suor da testa quente
Com a manga do bibe riscado.

Alberto Caeiro

A propósito (vagamente) do Maio de 68.

domingo, 4 de maio de 2008

Entretanto noutros bairros de Lisboa


Passeando hoje com os três laranjinhas pelo Jardim da Estrela, tornei a dar de caras com a Arts and Crafts (não sei bem se se chama assim, mas hoje já aprendi que é no primeiro domingo de cada mês).

E, como é o Dia da Mãe, as paredes cá de casa ficaram mais bonitas com as seguintes imagens:


De Ana Oliveira, a da direita (já aqui tinha usado um dos seus desenhos sem mencionar a respectiva autoria). Aqui fica o meu pedido de desculpa à autora, que pode ser vista aqui.


De Eunice Rosado, a imagem da esquerda, autora que pode ser vista aqui.

sábado, 3 de maio de 2008

Alive and kicking – Os Rolling Stones, Scorcese e a história da música, afinal uma parte da história do nosso tempo

Desde o início do seu blog que tenho dito à Paula que as suas críticas de cinema são muito boas, já me tendo levado a ir ver filmes que, à partida, não tencionava.

Ontem, ao ler a crítica ao filme Shine a Light, onde Scorcese filma os The Rolling Stones, permiti-me, pela primeira vez, discordar de uma perspectiva da carreira Scorcesiana talvez menos conhecida: a dos seus registos de bandas/ músicos. Conheço apenas três: a The Band – The last Waltz, Bob Dylan – No direction home e agora os Rollong Stones – Shine a light, que ainda não vi (se alguém conhecer mais, por favor diga-me). Todos têm, quanto a mim, uma mesma abordagem, uma escolha criteriosa do tipo de músicos e do tipo de registos que se quer passar à história.

Para mim, que não concebo viver sem música, é sem dúvida uma parte da minha história.

Mas voltando aos Stones, banda da qual sou fan, aqui fica um registo deles que sempre apreciei: You can’t always get what you want

E como continua o refrão:
but if you try sometime you find
You get what you need
para os mais exigentes, aqui fica a letra completa.


[chorus]I saw her today at a reception
A glass of wine in her hand
I knew she would meet her connection
At her feet was her footloose man
No, you can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
And if you try sometime you find
You get what you need
I saw her today at the reception
A glass of wine in her hand
I knew she was gonna meet her connection
At her feet was her footloose man
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you might find
You get what you need
Oh yeah, hey hey hey, oh...
And I went down to the demonstration
To get my fair share of abuse
Singing, "We're gonna vent our frustration
If we don't we're gonna blow a 50-amp fuse
"Sing it to me now...You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You get what you need
Oh baby, yeah, yeah!
I went down to the Chelsea drugstore
To get your prescription filled
I was standing in line with Mr. Jimmy
And man, did he look pretty ill
We decided that we would have a soda
My favorite flavor, cherry red
I sung my song to Mr. Jimmy
Yeah, and he said one word to me, and that was "dead"
I said to himYou can't always get what you want, no!
You can't always get what you want (tell ya baby)
You can't always get what you want (no)
But if you try sometimes you just might find
You get what you needOh yes! Woo!
You get what you need--yeah, oh baby!Oh yeah!
I saw her today at the reception
In her glass was a bleeding man
She was practiced at the art of deception
Well I could tell by her blood-stained hands
You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you just might find
You just might findYou get what you need
You can't always get what you want (no, no baby
)You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes you just might find
You just might find
You get what you need, ah yes...

E com esta me vou. Então bom fim de semana. E já agora vão ao cinema. E ouçam música.

Entretanto, noutras latitudes, outras bibliotecas, outras integrações.

Conheça aqui o Bibliomigra, projecto italiano que inclui uma biblioteca multi-étnica ambulante. Nela podem-se encontrar livros, jornais e revistas em mais de 20 línguas.

Não se limita a ser uma tradicional biblioteca que tem livros para ler, antes pelo contrário: tem um carácter experimental educativo que, através de actividades como dança, leitura em várias línguas, teatro e música promove outras formas de integração, onde o integrado também contribui com a sua cultura para a integração da comunidade que o acolhe com as novas realidades multi-étnicas em que as nossas cidades se transformaram.

Um projecto e conceito muito interessante, do qual tive conhecimento pela Catarina. (Olá Catarina).

sexta-feira, 2 de maio de 2008

O meu Bairro e a minha Biblioteca


Moro num bairro de Lisboa, desses raros que, em termos demográficos, tem tido uma renovação da população, vendo-se, cada vez com mais frequência, pessoas novas misturados com as famílias tradicionais do bairro. Para além disso, o bairro tem-se tornado também mais internacional e multi-étnico. Falo do Bairro da Penha de França, para onde vim morar, se a memória me não falha, em 1994, e que adoptei como meu e onde fui, de resto, adoptada.

Não pensem, no entanto, que se trata de um bairro novo, antes pelo contrário, como podem ler aqui.

Talvez por isso, não posso deixar de aqui referir o papel crucial da Biblioteca da Penha de França no desenvolvimento e integração cultural da comunidade. Leitora que sou desta Biblioteca e conhecedora do que é estar do outro lado do balcão, é sempre com grato prazer que, cada vez que a ela me desloco, vejo diferentes tipo de leitores, diferentes tipos de leituras. Que nos periódicos podem ir da Caras à Blitz, da Revista História ao Automóvel, do Le Monde Diplomatique à Veja. Já nas monografias vejo com igual interesse a consulta exaustiva das chamadas obras de referência (dicionários, enciclopédias, etc.) a par e passo de obras de poesia e teatro.
Na verdade, só assim é que entendo as bibliotecas públicas: como um serviço público.

Parabéns Biblioteca da Penha de França!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Prémios personalizados II

Prémio bailando na blogosfera.

Atríbuido à Blue e à Jasmim.

Prémios personalizados I


Prémio Prima Bailarina com Letras.

Atribuído, sem sombra de dúvida, à Blue, a bailarina letrada da Blogosfera.

Viver como um Homem diante de Deus

Ou quando nos entregamos, em comissão de trabalho, movidos pela fé, a um projecto educativo no contexto virtual emergente com uma crença no valor absoluto da educação.

E quando vemos o ecran como meio de acesso a novos mundos, para os quais podemos, à semelhança dos nossos antepassados, partir à descoberta, mesmo que não haja uma cartografia pré-estabelecida.

Para o meu irmão, cujo percurso e modo de estar na vida muito me orgulha, acabado de defender a sua tese de mestrado Projectos educativos no contexto virtual emergente, que também pode ser lido aqui.

Sursum corda!