domingo, 27 de abril de 2008

Os Arquivos e as Guerras

Ao longo da História, as guerras foram sendo sinónimo de “empréstimos” mais ou menos escandalosos de arquivos, sendo comum o conquistador levar, às vezes em grandes quantidades, arquivos dos territórios conquistados.

Por isso mesmo, surge em Arquivística o princípio da territorialidade, o qual determina que os arquivos devem ser mantidos sob a jurisdição arquivística do território onde foram produzidos.

Mas se os princípios podem ser enunciados, é mais difícil, no teatro da guerra, serem aplicados. Foi assim, com particular agrado que, através do Conselho Internacional de Arquivos, tomei conhecimento da Declaração Conjunta que a Society of American Archivists e a Association of Canadian Archivists fizeram a propósito da documentação desviada do Iraque, digamos assim, durante as duas Guerras do Golfo.

Nela são enunciados o tipo de documentação levada, aproximadamente o número e por quem. Vale a pena ler.

Costuma dizer-se que os arquivos constituem a nossa a memória. Subtrai-los equivale a apagá-la.

aqui tinha feito um post a propósito dos problemas que se colocam ao património, seja ele museológico, biblioteconómico ou arquivístico em caso de conflitos armados. Às vezes esquecemo-nos…

sábado, 26 de abril de 2008

Whisky, uísque, uísqui ou, porque não, visque?

Aprendi, na passada quinta-feira, que a palavra Whisky não se escrevia assim, mas antes uísque e isto parece que já há algum tempo.

Não podia ser maior a minha perplexidade, já que ia jurar que nunca tinha lido nenhum livro onde essa palavra estivesse assim escrita, mas parece que, nos livros da Colecção Dois Mundos, há vinte anos, já se encontrava tal grafia… e se eu li livros dessa colecção!

Entretanto novas formas de escrita vão aparecendo e, se lerem o Primeiro as Senhoras, do Mário Zambujal, lá encontram algumas relativas a estrangeirismo alcoólicos e não só, como podem ver aqui.

Mas descansem os mais puristas: parece que whisky sempre se pode escrever, apesar de ter que ser grafado em itálico… manias de revisores de texto.

Mentira. Ultimamente tenho aprendido a importância dos revisores na feitura dos livros. Da próxima vez que comprar um livro vá ver o nome do revisor. Ou se tem revisor. Posso agora garantir que faz toda a diferença.

E.T. - o carro da minha mãe tem e sempre teve claxon. Não uma vulgar buzina. E no entanto, os dicionários, já com o acordo ortográfico antigo, ainda têm essa entrada, mas whisky não. Dá para entender?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Democracia e Cidadania

Hoje, dia 25 de Abril, quando se comemoram 34 anos de passagem de uma ditadura para a democracia (que hoje damos por adquirida), eis um livro que, na minha opinião, nos permite pensar e exercer a cidadania que as conquistas de Abril nos trouxeram.

Resultante de um ciclo de conferências realizado na Universidade do Minho entre Outubro de 2005 e Abril de 2006, e coordenado por Isabel Estrada Carvalhais, da secção de Ciência Politica e Relações Internacionais, o livro estrutura-se em quatro partes:

- uma reflexão sobre o novo cidadão, aqui designado por pós-moderno, ou seja, digo eu, quem somos nós enquanto cidadãos e, sobretudo, o que queremos ser. Como nos relacionamos com os Órgãos de Soberania e com o poder em geral. Questão não menos importante é como lida, por sua vez, o Estado com esse novo cidadão.

- quais os desafios que se encontram quando queremos exercer os nossos direitos de cidadania, numa época dominada pelo constante atropelo às nossas liberdades, direitos e garantias, por questões de segurança. O que é que se perdeu, irremediavelmente (?), em termos de direitos humanos, após o 11 de Setembro?

- como participar, nos dias de hoje, na vida do país? Como ser e exercer socialmente a nossa cidadania?

- o que é ser cidadão europeu? O Espaço Schengen faz sentido? Com que direito fechamos hoje as fronteiras aos não Europeus?

Para ler, pensar e, sobretudo, exercer.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Ainda a propósito do Dia Mundial do Livro



Um livro sempre actual sobre este assunto: Carta sobre o comércio do livro de Diderot.
Onde se pensa sobre o comércio do livro, a sua história, as profissões ligadas ao mesmo, a censura, os vendedores ambulantes, a travessia das pontes do Sena e outros temas relativos à política literária.
A ler e reler.

Livros Comestíveis














«Désormais, je me nourris à la cuisine de la poésie.»

Robert Dickson - 1944-2007


No Dia Mundial do Livro, e porque a cultura se serve de qualquer forma (acho eu, claro) aqui ficam imagens de vários exemplares concorrentes a alguns festivais de… Livros Comestíveis.

Uma ideia original, é certo, pelos vistos já existente desde 2000, a qual podem conhecer melhor aqui.


E desengane-se quem pensar que se tratam de modernices do Novo Mundo. Participações do Japão, Singapura, Marrocos, Alemanha, Inglaterra, Irlanda, França, etc. , por sinal bem interessantes, deitam por terra qualquer visão mais apressada do fenómeno.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Farei versos de puro nada

Farei versos de puro nada:
de mim, de gente desvairada,
da juventude, ou da amada,
de nada falo,
que os trovei ao dormir na estrada
sobre um cavalo.

Não sei em que hora vim ao mundo,
não sou jocundo ou furibundo,
não sou caseiro ou vagabundo,
sou sempre o tal
que o fado à noite marcou fundo
num monte astral.

Não sei se durmo ou velo, não,
sem a alheia opinião;
quase se parte o coração
com dor cordial
não ligo mais que a um formigão,
por S. Marcial.

Doente estou, creio que morro,
e só o sei por algum zorro,
A um bom médico recorro,
e não sei qual,
bom é, se obtenho o seu socorro;
mau, se estou mal.

Tenho amiga, não sei quem é,
pois nunca a vi, por minha fé;
para mim, santa não é, nem ré,
o que é igual:
normando ou francês nem ao pé
do meu quintal.

Nunca a vi, e tem o meu amor;
nunca me fez dano ou favor;
se a não vejo não sinto dor,
não ganho um galo;
sei de mais bela e bem melhor
e que mais vale.

Não sei quel é seu horizonte,
se o da planície ou o do monte,
nem digo o mal de que ela é fonte;
bom é que cale;
sofro que fique aqui defronte,
parto, afinal.

Fiz os versos, de quem não sei,
e por alguém os mandarei
que os mandará por outro meio
a Anjou ideal
para que venha do seu seio o
contra-sinal.

Guilherme IX de Aquitânia

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Silêncio que se vai cantar o Fado


Das novas gerações do fado e, não sendo especialista na matéria, tento estar atenta às várias vozes que vão surgindo ou que se destacam no meu ouvido. Assim, registos como os de Maria Ana Bobone, Aldina Duarte ou Mariza, para só falar em vozes femininas, não me são estranhos.

Mas é sem dúvida a voz de Camané, as suas canções e percurso, que me fazem, não só apreciar a sua voz como vê-lo herdeiro dessa longa linhagem de cantores de fado.

Talvez por isso, Alain Oulman, autor da letra de Sei de um Rio, que estão a ouvir, compositor de Amália, cedeu um seu original a Camané, que o canta no seu novo álbum de originais, lançado hoje.

E a propósito de Amália, que tal ouvi-la de novo, naquela que é, na minha opinião, claro, um dos seus melhores registo?
Barco Negro

domingo, 20 de abril de 2008

Pedras que falam: um novo olhar sobre a Igreja de São Roque



Todos nós já as pisámos, já nos desviámos, já as tentámos ler… enfim, entrar numa Igreja ou num monumento significa, mesmo para a pessoa mais distraída, tropeçar, mais cedo ou mais tarde, com alguma tampa de sepultura, uma lápide, uma qualquer pedra que fale… resta saber se nós as ouvimos…

Ontem de manhã, integrada no Grupo Eu Lisboa, visitei a Igreja de São Roque, para a ver sob um outro ponto de vista: a das suas lápides e tampas de sepulturas e ouvir o que elas nos têm a contar.

Guiados pela epigrafista Filipa Avellar, cuja competência profissional nestas matérias é sobejamente conhecida, a visita, sempre com ponto de partida e chegada nas tais pedras que falam (e se abundam naquela Igreja), começou com a o problema da peste no século XVI e a difusão do culto a São Roque, passou pelo fascínio pelas relíquias e o papel que desempenharam durante a Contra-Reforma e continuou com a chegada dos Jesuítas a Portugal, o seu papel na sociedade portuguesa, a Confraria da Misericórdia… , tudo isto ao longo dos mais variados tipos de lápides, outros tantos tampos de sepulturas, enfim, numa outra forma de contar e ver as coisas (neste caso a Igreja de São Roque) que se revelou, como seria de esperar, aliciante.

Obrigado Filipa.

Da próxima vez que tropeçarem com algumas pedras que falem, não digo parem, escutem e olhem, mas parem, vejam e pensem. Às vezes temos surpresas agradáveis. Por mim falo também.

O Mosteiro de São Bento da Saúde



No dia 18, sexta feira, o tal Dia Internacional dos Monumentos e Sítios já aqui lembrado, a Casa da Democracia abriu-se, não para declarar que Estava Aberta a Sessão, mas antes para evocar a memória do Mosteiro de São Bento da Saúde: espaços, funções e gentes que primeiro usufruíram deste monumento.


A visita, enquadrada no Tema deste ano: Património Religioso e Espaços Sagrados, foi assim diferente das que a Assembleia da República habitualmente promove, mas não menos interessante, dando a conhecer uma outra história deste monumento.
No final da visita, tempo ainda para a prova de doces conventuais beneditinos, bem como de licor de Singeverga.


Comecei a semana a falar de bolos e eis que a acabo da mesma forma, mesmo não sendo grande doceira. Aqui deixo, portanto, a receita do único bolo que provei, por sinal o meu preferido da pastelaria tradicional portuguesa: o pastel de nata

Pastéis de Nata
(Mosteiro de Arouca)
Deite 3dl de natas num tacho com 150 g de açúcar e 6 gemas.
Deixe ferver mexendo sempre lentamente.
Forre formas com massa folhada estendida muito fina e encha com o doce.

Receita retirada da selecção de doces conventuais beneditinos feita pelo Museu da Assembleia da República e distribuída aos visitantes.

Imagem retiradas do livro O Mosteiro de São Bento da Saúde

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Dos romances de capa e espada às playstations, nintendos, gameboys e quejandos



Dumas, Zola, Hugo, Júlio Verne, Salgari, Twain… só os nomes já fazem evocar uma qualquer tarde perdida na infância onde, através de uma aventura, viajávamos para um país exótico, ou talvez não, onde os nossos heróis eram sempre o exemplo supremo da melhor forma de estar na vida.

Em livro ou, mais tarde, em série de televisão ou cinema, os romances de aventuras tinham e têm esse lado atractivo de nos transportar para outras realidades e nos fazer conhecer novos mundos. Naturalmente o género actualizou-se, as personagens mudaram e o herói já não beija a mão da donzela mas… continua a ser uma excelente maneira de iniciar as crianças à leitura.

Sendo do tempo do MS-DOS, confesso que tenho beneficiado pouco das novas tecnologias em termos de jogos. Lembro-me ainda do Spectrum, onde joguei um tal de Manic miner (que aliás gostava), mas depois estas coisas das playstations, nintendos, gameboys e etceteras e tais nem desconfio… portanto não faço ideia que tipo de jogos há.

No entanto tenho lido sobre jogos onde se está no império romano e outras coisas parecidas (acho que se está on line, mas para ser franca nunca aprofundei) e acho engraçado que, também nos jogos, se procure essa componente.

No fundo, dos romances de aventuras aos jogos da nova era, parece-me que a diferença é que passámos a puder interagir…

Imagem e ideia e metade do título do post retiradas do excelente catálogo: Antes das Playstations: 200 anos do romance de aventuras em Portugal, editado pela Biblioteca Nacional em 2003

quinta-feira, 17 de abril de 2008

To All You Cat Lovers



Quando pensamos que sabemos tudo sobre os nossos gatos… truflas !!! uma qualquer carta no correio vem rapidamente fazer-nos ver que assim não é:)

Uma qualquer é como quem diz…, neste caso um convite do INATEL, para uma Conversa à 5uinta (dia 24, às 18h) para… saber se o nosso gato é canhoto ou destro, entre outras coisas, já que, com a presença de membros do Clube Português de Felinicultura, se debaterá no Teatro Trindade, nem mais nem menos que a Psicologia Felina: os mistérios do gato.

Quanto aos garotos cá em casa, é um empate. Olhando para o Patas é fácil determinar que é canhoto, já que utiliza a pata defeituosa para apanhar e atirar as bolas.
Já o Bernardo, rapaz com quem convivo vai para catorze anos, lá está, não sei. Ou é ambidextro, já que nunca reparei em nenhuma pata em especial, ou ainda me falta jogar a tal partida. É o que me parece que vou fazer. Fui.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Guerra colonial, guerra de África ou guerra do ultramar


Antunes Ferreira, no seu livro Morte na Picada, acabado de lançar, “propõe-nos outro conceito: guerra civil. Os que se batem são irmãos desavindos, com mais a uni-los do que a separá-los, pesem embora as diferentes tonalidades da pele ”. As palavras não são minhas, mas de Joaquim Vieira, na introdução.

Ao longo dos anos, tanto por motivos profissionais como de amizade, fui conhecendo antigos combatentes, daqueles que ainda são capazes de relatar durante horas (sou uma boa ouvinte, é certo) a sua vida á época mostrando ainda fotografias tiradas e religiosamente guardadas. Ou acompanhar a história daqueles que ainda hoje não sabem o que fazer com essa memória.

Depois da excelente série de Joaquim Furtado, tenho observado com curiosidade a vinda a lume de memórias pessoais de diferentes participantes em outros tantos teatros da guerra. Como se a caixa de pandora desta memória tivesse (finalmente) sido aberta.

De igual modo veria as memórias dos outros. Suprema ignorância da minha parte, não faço ideia se, da parte combatida, digamos assim, já há este tipo de reflexões.
Antunes Ferreira que pode ser lido aqui

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A língua portuguesa é muito traiçoeira


Fixe Exclamação que exprime entusiamo, alegria. Fixe! O professor não vai dar aula.
direitinho da página 1764 do 1º vol. ... do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa.
A ideia não é minha, retirei do blog da Margarida Pino. Mas pareceu-me interessante divulgá-la.

domingo, 13 de abril de 2008

Fabrico Próprio











Já com fome?


Pastel de nata, palmier, jesuíta, alsaciano, bolo de arroz, parra, mil-folhas, queque, pata de veado, bom bocado, brisa, travesseiro, esquimó, orelha, rim, tíbia, caracol, babá, Napoleão, Josefina, bola de Berlim, russos, xadrex, duchesse…

Qual escolher? A escolha revelou-se ontem difícil, até porque, de algumas das miniaturas presentes no lançamento do livro: Fabrico próprio: o design da pastelaria semi-industrial portuguesa, acho que nunca tinha comido algumas.
Não que seja de estranhar, já que não sou grande adepta de bolos… sobretudo se levam chocolate, mas foi com imenso interesse que estive presente e trouxe para casa este livro inovador na forma de abordar a pastelaria portuguesa.

Projecto multidisciplinar dedicado à Pastelaria Semi-Industrial Portuguesa e à sua relação com o design, da autoria dos designers Pedrita (Rita João, Pedro Ferreira) e Frederico Duarte, o livro conta ainda, e não sendo exaustiva, com ensaios sobre a relação entre a doçaria e a arquitectura, a diáspora da nossa pastelaria, os bolos da madrugada, as espécies raras, rematando com um guia exaustivo da Pastelaria Semi-Industrial: Fotografias e receitas dos bolos.

Escolha o seu.

Veja aqui os futuros lançamentos.
Pode ainda fazer comentários a cada bolo... já deixei o meu às tibias, já que só conheço com recheio de chantilly

Lembrai Senhores

Que no próximo dia 18 deste mês, ou seja, na sexta feira, se comemora mais um Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, sendo o tema de 2008 o Património Religioso e Espaços Sagrados.
Entre música, exposições, visitas guiadas, peddy papers, percursos, actividades pedagógicas, filmes, teatros e o mais que se lembrarem, a oferta é muita e variada, de Norte a Sul do País.
E para que não digam que não sabiam, aqui fica o site, para poderem escolher antecipadamente o que fazer.