sexta-feira, 11 de abril de 2008

Então até á volta

Da Madrugada para Ajuda pela Pampulha (1947)
Emmerico Nunes (1888-1965)
Museu da Cidade

Não sei para onde foi toda aquela gente, mas sei que eu vou aproveitar este fim de semana para passear por aí e descansar. Bom fim de semana

Os direitos humanos, lembram-se?



Pareceu-me justo começar este post com uma imagem de Tintin na China dos anos 30, onde, à semelhança do que fez com outros dos seus livros, Hergé se documentou sobre a história e costumes daquele país, beneficiando do contacto com estudantes chineses a residir na Bélgica na altura.

Vem isto a propósito do imenso folclore em que se tornou a viagem da tocha olímpica. Vi as imagens em Paris e ouvi alguém (?) dizer para as câmaras que se os chineses tinham algum problema em que na Mairie de Paris houvesse cartazes em que o símbolo dos Jogos Olímpicos fosse distorcido com uma algemas era problema deles (foi qualquer coisa deste género), vi as de Londres, já mais agressivas, com direito a apagar a tocha olímpica várias vezes e àquela figura ridícula do Gordon Brown estar ao lado da tocha mas não lhe tocar, e, felizmente, não vi a passagem por São Francisco.
A ideia de ver esta passagem da tocha tornada num evento que não dispensa a presença de uma estrela de Hollywood, Richard Gere, neste caso, e garante a presença dos media, é uma coisa que me transcende.

Não que eu tenha alguma coisa contra a causa Tibetana, antes pelo contrário. Já aqui fiz um post sobre o problema do Tibete. Quando o Dalai Lama esteve em Portugal fui ouvi-lo e gostei bastante. Comprei recentemente um livro sobre o Tibete, cuja história desconheço. O problema não é exactamente esse.

Do que eu não tenho ouvido falar, e gostaria de ouvir, é por exemplo de Hu Jia, activista chinês dos direitos humanos condenado recentemente a três anos e meio de prisão por … incitar à subversão do Poder do Estado. Ou dos direitos humanos na China em geral, como refere um relatório da Amnistia Internacional a propósito da influência dos Jogos Olímpicos nessa questão.

O problema dos direitos humanos na China não se resume ao Tibete.

Que me conste, os líderes mundiais sabiam dos atropelos aos direitos humanos na China antes da decisão de quem iria realizar os Jogos Olímpicos. Verificar que se pondera condicionar a participação na famosa festa de abertura dos Jogos a 8 de Agosto, à abertura de negociações entre Pequim e o Dalai Lama, é, do meu ponto de vista, um insulto a todos aqueles que lutam e sofrem com o problema dos direitos humanos na China. Mas que estão do lado errado da máquina de filmar.

O tom deste registo foge um pouco ao meu habitual. Acontece que há coisas para as quais já não tenho paciência.

quarta-feira, 9 de abril de 2008


A espantosa realidade das coisas

É a minha descoberta de todos os dias.

Cada coisa é o que é,

E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,

E quanto isso me basta.

Basta existir para se ser completo.

Tenho escrito bastantes poemas.

Hei de escrever muitos mais. naturalmente.

Cada poema meu diz isto,

E todos os meus poemas são diferentes,

Porque cada coisa que há é uma maneira de dizer isto.

Às vezes ponho-me a olhar para uma pedra.

Não me ponho a pensar se ela sente.

Não me perco a chamar-lhe minha irmã.

Mas gosto dela por ela ser uma pedra,

Gosto dela porque ela não sente nada.

Gosto dela porque ela não tem parentesco nenhum comigo.

Outras vezes ouço passar o vento,

E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.

Eu não sei o que é que os outros pensarão lendo isto;

Mas acho que isto deve estar bem porque o penso sem estorvo,

Nem idéia de outras pessoas a ouvir-me pensar;

Porque o penso sem pensamentos

Porque o digo como as minhas palavras o dizem.

Uma vez chamaram-me poeta materialista,

E eu admirei-me, porque não julgava

Que se me pudesse chamar qualquer coisa.

Eu nem sequer sou poeta: vejo.

Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho:

O valor está ali, nos meus versos.

Tudo isso é absolutamente independente da minha vontade.

Alberto Caeiro


Há algum tempo que não registava aqui nenhuma poesia.

Hoje porém a ocasião é especial, já que se trata dos anos da Gi, blog que frequento já há algum tempo, bastante antes de ter este meu Registos.


No passado fim de semana, quando passeava pelo Jardim da Estrela, tropecei com a Feira de Arts and Crafts, cuja data me escapa sempre, e onde comprei esta Aguarela. Na altura achei que daria para um post “à Gi”. Hoje, no entanto, quando me apercebi que eram os anos da Gi, decidi que seria não só um post à Gi como também para a Gi.


Foi fácil escolher o poema, já que este me diz bastante, a imagem já cá cantava (mesmo que resulte um bocadinho mal...) e só faltava a música. Ainda pensei por alguma do Tord Gustavsen. Mas achei que já as devias conhecer todas, portanto optei por uma versão do Amazing Grace que considero bonita, de um músico que gosto bastante: o Charlie Haden, neste registo com a Charlie Haden Liberation Music Orchestra. Espero que gostes.
Parabéns Gi!

Tratados há muitos…


… não diria seu palerma, claro.
Não estamos, no entanto, orgulhosamente sós, o Tratado de Lisboa não surgiu por acaso, assim como a nossa Adesão à CEE não pode ser vista como um fenómeno isolado.
Gostaria assim de chamar a atenção para a Revista Janus deste ano, onde, em capítulo à parte, dedicado à História dos Grandes Tratados Europeus, se listam, identificam e analisam esses tratados.
Começando pelo Congresso de Vestfália, o Tratado de Utrecht, o Congresso de Viena, o Tratado de Versalhes, o Pacto Briand-Kellog, o Tratado de Bruxelas, o Tratado de Londres, o Tratado de Washington, o Tratado CECA, o Tratado de Roma, a Conferência de Helsónquia e, finalmente, os Tratados de Maastricht, Amesterdão, Nice e Lisboa.

Uma leitura a não perder.

O Tratado de Lisboa



… esse mesmo de que tanto se fala, mas do qual parece haver tantas certezas como muitas dúvidas…

Por isso mesmo dei por bem empregue o tempo passado hoje na Assembleia da República onde, promovida pela Comissão de Assuntos Europeus, decorreu a 3ª e última Conferência do Ciclo dedicado ao Tratado de Lisboa.

Com um leque de convidados ambicioso em número, diversidade e qualidade, a conferência permitiu a quem assistia ir tomando conhecimento dos pontos positivos e negativos que foram sendo apontados, anotar no próprio texto do Tratado (cuja edição foi aliás distribuída) as reflexões levantadas e, questão não dispiciente, questionar e dialogar.

Oradores presentes: Miguel Portas, Edite Estrela, Adriano Moreira, Pedro Gurreiro, Henrique Monteiro, Francisco Sarsfield Cabral, Carlos Gaspar, Maria Elisa Duarte, Pedro Camacho, Simeon Saxe-Coburg-Gotha.

Para aceder ao texto do Tratado clique aqui.

Site oficial disponível aqui.

Vá para fora cá dentro: o Museu Rafael Bordalo Pinheiro



Num registo mais Teiquirisi (não conhecia esta palavra, mas acho deliciosa, mesmo que os abat jours cá em casa tenham nascidos, crescido e vão morrer abat jours, apesar da Academia das Ciências já dizer abajurs desde ???) ), mas não me atrevendo a escrever algo que saia fora do meu estilo habitual, aqui deixo notícia de um museu onde seguramente podemos apreciar a ironia e humor do criador que lhe deu origem.

Falo do Museu Bordalo Pinheiro, ao Campo Grande. Só a pessoa de Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) merece a visita, claro está, mas o novo programa museológico a que a reabertura do Museu, em 2005, deu a conhecer justificam perfeitamente a visita tornando-a muito agradável.

Para além da Biblioteca, onde, através deste link, podemos, em nossa casa, ter acesso a muitas das publicações editadas pelo próprio Rafael, lá visitamos alguns dos desenhos mais emblemáticos de Bordalo Pinheiro: O Zé Povinho, naturalmente, as relações com a Igreja, com a Política, não deixando também de evocar a cerâmica, verdadeiro projecto de cerâmica nacional.

Todos nós temos presente os pratos com couves e peixes que se vendem por aí. Para mim, no entanto, procurar e/ou comprar louça Bordalo Pinheiro implica ir às Caldas, à Fábrica propriamente dita, motivo de outro vá para fora cá dentro, passeio muito agradável, de resto.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pensar os Partidos Políticos



Muito se tem falado sobre o futuro dos Partidos Políticos e a sua capacidade de auto regeneração numa época em que o aparecimento de movimentos cívicos e conceitos como o de democracia participativa estão na ordem do dia.

Saber qual o papel dos partidos políticos durante a vigência das cinco Constituições (1822-1976) e analisá-los à luz da história constitucional portuguesa, não deixará de ser proveitoso para essa reflexão.

Com extensa bibliografia, a tese de doutoramento de Marcelo Rebelo de Sousa, é um excelente contributo para a compreensão da história dos Partidos Políticos em Portugal.

You know I’m No Good

Não é certamente esta a música mais conhecida do último álbum de Amy Winehouse, já que Rehab se tornou a sua “imagem de marca”, digamos assim.
Portadora de uma voz inconfundível, a que alia uma figura, modo de vida e necessidade de atingir os limites, tem tido por parte dos media uma constante procura de imagens e notícias.
Do muito que já foi dito, deixo aqui a biografia que a Cristina dela fez no Contra Capa, para quem queira saber um pouco mais sobre esta cantora que fascina tanta gente.
Quanto a mim, para além de achar algo curiosa a imagem, considero, isso sim, que Amy Winehouse tem uma excelente voz. Aqui deixo, assim, a minha canção preferida do último álbum:

You Know I’m No Good (video oficial)
E a mesma, mas desta vez em dueto com Ghostface Killah. Nem desconfio que seja este jove como diria o Rafeiro. Mas pesquisar na net tem destas coisas… Como bónus podem ver Amy sem penteado à não sei quê e sem maquilhagem.

domingo, 6 de abril de 2008

Pequenos Nadas ou Domingos em Família



Hoje, por volta das 16h. Sobrinhos na cozinha da casa da minha mãe, fazendo biscoitos com outra tia.

Voz do sobrinho X – Ó avó porque é que a montanha não anda?

Voz minha mãe – ó filho, não sei, diga lá.

Voz do sobrinho X – porque tem um só pé!!

Risos, risos.

Voz do sobrinho X – Avó, inventei esta agora.

Voz minha mãe – então agora pergunto eu. Qual é a aula favorita da vaca? Múuuuuuusica. (risos, gritos)

Voz minha mãe – Qual o actor preferido das abelhas? Meeeeeel Gibson. (risos, gritos).

Voz minha mãe – Que diz o galo à galinha?

Vozes de todos os sobrinhos – os nossos filhos têm muita pinta !!!!

Eu, no escritório, arrebitava (literalmente) as orelhas. Solução do mistério: uma página da revista Audácia. Com um erro, por sinal. Os filhos da galinha e do galo têm lá muita piada e não pinta!.

Os biscoitos de limão estavam bons. Ficaram a faltar os scones tia I.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Tudo o que precisa de saber sobre Preservação digital em 91 páginas...

... Apesar de ter sido publicada a 1 de Abril, a notícia da publicação das Recomendações para a Produção de Planos de Preservação Digital, pela DGARQ, que o Pedro Penteado anúncia no seu blog , é obviamente verdade, e de resto uma iniciativa que fazia falta.
aqui tinha falado sobre a Preservação digital, tema hoje crucial se queremos ter arquivos amanhã. Não pensar esta realidade é realmente apagar a memória do nosso tempo. Uma iniciativa portanto que faz todo o sentido.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Um fim de tarde em dois actos



1º Acto – Desloquei-me hoje, ao fim da tarde, ao Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), para assistir a uma conferência. E foi um verdadeiro viajar no tempo, já que o AHU foi o primeiro arquivo em que, nos idos de 1986, tive uma intervenção profissional, fruto de um estágio que ali fiz com a minha amiga PG, e que recordo com boas memórias quer pelo bom acolhimento que sempre tivemos, quer pelo trabalho que ali efectuámos.
Para além disso o AHU, instalado desde 1929 no Palácio da Ega, à Junqueira, tem entre a sua documentação a Secção Ultramarina da Biblioteca Nacional e o Ministério das Colónias ou do Ultramar, possuindo documentação desde o século XVI até 1975.
Dado que o seu acervo constitui a memória de cinco séculos de Portugal no mundo, é o mesmo extremamente rico, sendo muito interessante nele fazer pesquisa. Já para não falar na sua riqueza iconográfica e cartográfica, da qual vos dou uma pequenissima amostra nestes três marcadores de livros...
2º Acto - O motivo da visita foi uma conferência sobre O Palácio dos Saldanhas à Junqueira, proferida por Cristina Barbosa da Cruz e comentada por José Sarmento de Matos, olisipógrafo que dispensa apresentações.
O tema em si, resultante da tese de mestrado de Cristina Barbosa da Cruz, é interessante, já que faz a história do edifício onde se situa actualmente o AHU, tendo para o efeito que falar na família que o habitou, das relações sociais à época, da arquitectura, etc., enfim fazendo deste final da tarde um momento bem passado.
E que me fez conhecer melhor esta cidade em que sempre vivi e trabalhei.

Ler Doce Ler













... ou as Crianças e a Leitura...

Passeando pela Blogosfera dei-me conta que passei olimpicamente pelo Dia Mundial do Livro Infantil... felizmente há pessoas mais atentas, como a Ka, cujo post me lembrou do facto. Como acho que os livros e as crianças são um assunto que merece toda a nossa atenção, resolvi registá-lo aqui também.
Nem de propósito tinha achado graça a este livro Ler Doce ler com textos de José Jorge Letria e ilustrações de Rui Castro. Tanta que o trouxe para casa e portanto nada melhor do que dar aqui dele notícia quando se fala em livros, leituras e crianças.










Faço só aqui com modesto acrescento (os livros também vivem das nossas anotações): cá em casa, por exemplo) alguns livros têm tendência para gostarem de estar aos montes no chão, em cima do PC, às vezes na cadeira, enfim, muito ordeiramente enquanto esperam lugar nas estantes...
Leiam o livro, ou melhor, ofereçam às vossa crianças... afinal é mesmo para elas o dia, que por sinal já passou, e o livro.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Pessoa e os seus Direitos



aqui tinha falado sobre os Direitos de Personalidade.
Neste livro de que agora dou notícia, Diogo Costa Gonçalves, começa por situar a questão da Pessoa, quer em termos ontológicos, percorrendo a Antiguidade Clássica, a Filosofia, o Catolicismo, o pensamento moderno e a Antropologia Contemporânea, quer em termos de análise estrutural do homem, terminando com uma delimitação dos conceitos.
Só depois tratará do normativo no direito português, fazendo também a sua história.
Tudo tem a sua história e a perspectiva trazida pelo autor permite-nos conhecer e reflectir sobre a história do pensamento relativo ao conceito de pessoa que levará ao aparecimento de legislação sobre esse assunto.
Mais um livro interessante que nos permite ter uma visão de conjunto sobre estes conceitos e compreender o aparecimento dos direitos de personalidade.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Bolero de Ravel atravessa o Atlântico e conquista o Novo Mundo

Como estão recordados, já aqui falei da influência do Bolero de Ravel no Et maintenant de Gilbert Bécaud.

A cidadã G., essa fonte inesgotável de conhecimento e informações, voltou à carga… desta vez com a versão AMARICANA da questão, a saber:

- What now, my love?

Parece que lá por aqueles lados a canção, devidamente traduzida, foi apreciada. Googuelizando o título da dita, dei-me conta, aliás, que o que não faltam são mesmo versões e, como podem ver, a wikipedia está desactualizada.

Deixo abaixo os vídeos dos cantores que me pareceram mais interessantes, sendo que o Elvis, preferido pela cidadã G., acabou por ficar em primeiro lugar. Como a tarefa de ouvir várias versões da mesma música se pode acabar por revelar algo fastidiosa, digamos assim, deixo em último lugar a versão Miss Piggy/Marretas, para quem gosta do género, claro.

Mas esta lista não ficaria completa sem a versão da Shirley Bassey, que também gostei, disponível no You Tube, mas sem código ou lá o que se diz. Aqui fica portanto só a referência e o link.

E afinal, vamos lá a ver, quem vota em quem?
Elvis



Judy Garland




Frank Sinatra



Sammy Davis Jr


Sonny & Cher


Frank Sinatra e Aretha Franklin


Miss Piggy/Marretas

MENTIRAS, TRETAS & LÉRIAS - A ciência de não se deixar enganar

Nalguns cinemas corre-se o risco de, ao nos sentarmos, sermos picados por seringas aí deixadas infectadas com o virus da sida. Não, não é uma mentira de 1 de Abril...
Neste dia das mentiras em que, tradicionalmente, assistimos à (re)utilização de algumas falsas notícias, eis que surge uma iniciativa original: o Pavilhão do Conhecimento inicia hoje uma forma de desmistificar algumas das mentiras, tretas e lérias que normalmente circulam por e-mail, SMS ou em conversas de amigos, pedindo a especialistas que explicassem a verdade da mentira.

Para isso vão pegar em mitos urbanos e explicá-los; além de visionarem as gravações sobre cada um dos mitos, os visitantes mais cépticos poderão realizar um conjunto de experiências científicas que demonstram porque é que alguns mitos não passam disso mesmo.