quarta-feira, 2 de abril de 2008

A Pessoa e os seus Direitos



aqui tinha falado sobre os Direitos de Personalidade.
Neste livro de que agora dou notícia, Diogo Costa Gonçalves, começa por situar a questão da Pessoa, quer em termos ontológicos, percorrendo a Antiguidade Clássica, a Filosofia, o Catolicismo, o pensamento moderno e a Antropologia Contemporânea, quer em termos de análise estrutural do homem, terminando com uma delimitação dos conceitos.
Só depois tratará do normativo no direito português, fazendo também a sua história.
Tudo tem a sua história e a perspectiva trazida pelo autor permite-nos conhecer e reflectir sobre a história do pensamento relativo ao conceito de pessoa que levará ao aparecimento de legislação sobre esse assunto.
Mais um livro interessante que nos permite ter uma visão de conjunto sobre estes conceitos e compreender o aparecimento dos direitos de personalidade.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O Bolero de Ravel atravessa o Atlântico e conquista o Novo Mundo

Como estão recordados, já aqui falei da influência do Bolero de Ravel no Et maintenant de Gilbert Bécaud.

A cidadã G., essa fonte inesgotável de conhecimento e informações, voltou à carga… desta vez com a versão AMARICANA da questão, a saber:

- What now, my love?

Parece que lá por aqueles lados a canção, devidamente traduzida, foi apreciada. Googuelizando o título da dita, dei-me conta, aliás, que o que não faltam são mesmo versões e, como podem ver, a wikipedia está desactualizada.

Deixo abaixo os vídeos dos cantores que me pareceram mais interessantes, sendo que o Elvis, preferido pela cidadã G., acabou por ficar em primeiro lugar. Como a tarefa de ouvir várias versões da mesma música se pode acabar por revelar algo fastidiosa, digamos assim, deixo em último lugar a versão Miss Piggy/Marretas, para quem gosta do género, claro.

Mas esta lista não ficaria completa sem a versão da Shirley Bassey, que também gostei, disponível no You Tube, mas sem código ou lá o que se diz. Aqui fica portanto só a referência e o link.

E afinal, vamos lá a ver, quem vota em quem?
Elvis



Judy Garland




Frank Sinatra



Sammy Davis Jr


Sonny & Cher


Frank Sinatra e Aretha Franklin


Miss Piggy/Marretas

MENTIRAS, TRETAS & LÉRIAS - A ciência de não se deixar enganar

Nalguns cinemas corre-se o risco de, ao nos sentarmos, sermos picados por seringas aí deixadas infectadas com o virus da sida. Não, não é uma mentira de 1 de Abril...
Neste dia das mentiras em que, tradicionalmente, assistimos à (re)utilização de algumas falsas notícias, eis que surge uma iniciativa original: o Pavilhão do Conhecimento inicia hoje uma forma de desmistificar algumas das mentiras, tretas e lérias que normalmente circulam por e-mail, SMS ou em conversas de amigos, pedindo a especialistas que explicassem a verdade da mentira.

Para isso vão pegar em mitos urbanos e explicá-los; além de visionarem as gravações sobre cada um dos mitos, os visitantes mais cépticos poderão realizar um conjunto de experiências científicas que demonstram porque é que alguns mitos não passam disso mesmo.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Liceus vs Escolas Secundárias



Eu fui daquelas pessoas que, tendo entrado para um Liceu, saí duma Escola Secundária, já que apanhei a reforma do ensino pós 25 de Abril da qual, aliás, fui cobaia, sendo o meu ano o primeiro da reforma.


Enfim, com ou sem reforma, se há coisa que me lembre do meu Liceu/Escola Secundária ou que associe a ensino de uma forma geral são certamente as imagens parietais que nele existiam, dos mais variados temas.



Foi assim com agrado que tomei conhecimento das eExhibitions., um projecto englobado no Inventário e Digitalização do Património Museológico da Educação levado a cabo pela Secretaria-geral do Ministério da Educação.


Porque o ensino também tem memória.

domingo, 30 de março de 2008

Formas de Acabar e Começar Bem a Semana



Com o Lago dos Cisnes

Não certamente com a versão clássica, para a qual, por muitas representações que veja, nenhuma me faz esquecer a que vi no Coliseu logo após o 25 de Abril…

Mas com os Les Ballets Trockadero de Monte Carlo dificilmente iria fazer a comparação.
Companhia fundada em 1974 nos Estados Unidos (apesar do nome) por bailarinos profissionais do sexo masculino, dedica-se ao ballet e dança contemporânea satirizando os grandes clássicos sem colocar em causa a qualidade técnica e artística dos mesmos.

Esta invulgar aliança entre dança e humor faz das suas representações momentos bem vividos, onde é difícil não deixar escapar o riso.

Uma boa forma de acabar e começar bem a semana. Aqui deixo um vídeo, para quem não viu ao vivo.


sexta-feira, 28 de março de 2008

As Inquirições gerais de D. Dinis em 1284: registar para administrar



Ao mandar inquirir, em 1284, nos julgados de Figueiredo, de Sever, de Cambra, de Fermedo e de Cabanões informações sobre as propriedades, os bens do rei e o que existia nas localidades de uma forma geral, D. Dinis estava, não só a dar uma sequência lógica às anteriores inquirições de 1220 e 1258, ampliando aliás esse registo visto que já era detentor de alguma informação , como também a proceder ao que chamaríamos actualmente o cadastro do Reino.

Contendo informações de carácter económico, administrativo, de índole social ou eclesiástica, passando pela onomástica e toponímia, em boa hora foram ontem trazidas a lume com Introdução, leitura e índices do Professor José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, em edição da Academia das Ciências de Lisboa.

Uma fonte essencial para a compreensão da época.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O Futuro do Livro



Em livro mas não só…

Muito se discute, hoje em dia, sobre o futuro do livro tal como o conhecemos hoje em dia: o livro impresso, do qual já beneficiamos desde que Gutenberg inventou a imprensa no séc. XV.

Com o aparecimento de novos aparelhos de leitura (e-ink, e-paper, e-books) sem esquecer os áudio-livros, cujo mercado deixou de ser quase exclusivamente dominado pela oferta para invisuais, que, simultaneamente, levaram à reflexão sobre o futuro dos autores, editores e das próprias bibliotecas, este assunto passou a estar na ordem do dia.

Não é assim por acaso que surge a designação e-library. De igual forma, o aparecimento de grandes colecções digitalizadas disponíveis on line, nomeadamente, e só para referir grandes projectos, a Biblioteca Europeia, o projecto da Biblioteca Mundial e uma Biblioteca Internacional para Crianças, aparecendo também projectos que disponibilizam downloads gratuitos (Projecto Gutenberg, Jornal da Poesia – site brasileiro, exclusivamente dedicado à poesia de língua portuguesa, só para nomear alguns) foram permitindo não só a passagem da biblioteca tradicional, com edifício próprio e horários, para uma biblioteca sem espaço nem tempo, onde acedemos em qualquer parte do mundo e á distância de um clique a catálogos e a obras.

O nosso relacionamento com o livro mudou, mesmo que ainda não tenhamos experimentado comprar um leitor de e-books ou um áudio-livro. E a tendência será para que esses mercados evoluam e se tornem mais atractivos, sobretudo com a grande vantagem da utilização simultânea da internet.

Sendo um assunto que obviamente me interessa, e sobre o qual faço a minha própria reflexão, comecei por ler alguma da bibliografia sobre o assunto sem ter a pretensão de ser exaustiva. Li assim Demain, le livre, Gutenberg 2.0 e, como não poderia deixar de ser, O papel e o pixel de José Afonso Furtado. Aos livros fui juntando alguns artigos disponíveis on line como os de Emmanuel Kessler ou de Alain Beuve-Méry, até chegar à página de Lorenzo Soccavo.

Todos eles me levantaram questões e me fizeram pensar. O livro tem futuro? Seguramente. Em que moldes não sei. As tendências do mercado ainda não estabilizaram. Sei que para já, no entanto, ganhámos certamente em termos de facilidade de acesso e disponibilização de conteúdos. O que, para a história da leitura, não é mau.

E será que o futuro do livro passa pela emergência de um Livro 2.0?

terça-feira, 25 de março de 2008

Tibete

O meu primeiro contacto com o povo tibetano foi seguramente com o livro de Hergé Tintin no Tibete.

Nesse livro, publicado inicialmente em 1958, Hergé mostra os usos e costumes desse povo, descrevendo também um pouco do budismo, já que ainda se tratava de um Tibete independente. Por pouco tempo, é certo, já que a ocupação do país pelo exército chinês em 1959 e o exílio forçado do chefe espiritual do budismo tibetano, o Dalai Lama, fariam do povo tibetano um assunto praticamente desaparecido.

É certo que nos dias de hoje temos muito mais conhecimento sobre o que é o budismo, temos acesso às palavras do Dalai Lama, que ainda o ano passado esteve em Portugal, mas quanto ao povo tibetano e ao que se tem passado nestes últimos dias, dificilmente temos alguma informação.

Para este povo longínquo, de onde não há notícias, imagens ou números, não poderia deixar aqui de registar uma das poucas imagens de que tive conhecimento e me marcou. Porque os direitos humanos também passam por ali.


imagem retirada daqui

Cinema de papel: os desenhos de Federico Fellini


Federico Fellini, esse cineasta que dispensa apresentações, não fez só cinema, como se poderá ver pela exposição patente na Cinemateca Portuguesa até ao final de Maio.

Do conjunto de 400 desenhos originais existentes no Arquivo da sua Fundação, a Cinemateca dá a conhecer 50, cuja característica comum é precisamente o facto de estarem ligados à sua actividade de realizador cinematográfico.

Uma exposição a não perder, mas da qual, infelizmente não há catálogo. Que encontrei, porém, na Fundação, donde retiro a imagem da Dolce Vita, patente na exposição.

segunda-feira, 24 de março de 2008

A evolução de Darwin

“A mula surge-me sempre como um animal muito surpreendente. Que um híbrido possa possuir mais inteligência, determinação, afecto social e poder de resistência de muscular que qualquer um dos seus progenitores parece indicar que, aqui, a arte superou a natureza.”

- Darwin, em terra firme deixa Santiago do Chile rumo à Cordillera Andina, que atravessará a pé, a caminho da Argentina.

Frase e título de post roubada ao blog A evolução de Darwin, que a Fundação Calouste Gulbenkian manterá activo até à abertura da exposição que assinalará o bicentenário do nascimento de Charles Darwin, a 12 de Fevereiro de 2009.

Enquanto esperamos, podemos sempre visitar o blog.

domingo, 23 de março de 2008

Registando Arthur C. Clarke (1917-2008)

A 19 de Março o mundo perdeu um dos seus grandes pensadores e escritores sobre ficção científica, do qual podem ler um obituário saído no New York Times.
Era conhecido do grande público pelos seus inúmeros livros sobre o tema e as duas adaptações a cinema: 2001 - odisseia no espaço e 2010 – o ano do contacto.

Vivia desde 1956 no Sri Lanka, onde, em Dezembro do ano passado, por ocasião do seu 90º aniversário, grava este vídeo sereno, lúcido e desassombrado com reflexões sobre o envelhecimento, a vida e a morte. É só para resistentes, já que dura exactamente 9 minutos. Mas se não o virem até ao fim também não ficam a saber quais são os três desejos que Arthur C. Clarke formula, na eventualidade (ou não) de cá estar para os ver realizarem-se.
Se mesmo assim não aguentarem (o que é pena), acedam aqui à sua Fundação e fiquem a conhecer melhor a pessoa, bem como os seus projectos.


quinta-feira, 20 de março de 2008

Páscoa
























Em tempo de partida para umas merecidas férias, aqui deixo registo de um livro interessante, as Histórias da Bíblia para Crianças, ilustradas também por crianças.
Boa Páscoa para quem acredita, boas férias para quem vai aproveitar ou, simplesmente, bom fim de semana grande.
Eu volto na segunda feira.

terça-feira, 18 de março de 2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

Escutaríamos Nós um Carvalho ou uma Pedra, se eles Dissessem a Verdade?



Título pertencente a Platão, a uma passagem do Fedro, que Maria Filomena Molder utiliza no seu livro As imperfeições da Filosofia.

No Fedro, esta passagem surge após Sócrates ter contado a história da invenção da escrita:

“Fedro - Que facilidade que tens, ó Sócrates, em inventar histórias egípcias, ou de qualquer outro país, como bem te aprouver.
Sócrates – Meu amigo, os sacerdotes do templo de Zeus em Dodona afirmaram que as primeiras palavras divinatórias saíram de um carvalho. Assim, as pessoas daquele tempo, que não eram tão sábias como vós, os jovens de hoje, contentavam-se na sua simplicidade em escutar a linguagem de um carvalho ou de uma pedra, desde que dissessem a verdade. Mas, para ti, o importante é saber quem fala e qual o seu país de origem: não te basta ver se ele diz, ou não, as coisas como elas são”
(275b-d)

Nós poderíamos acrescentar: mas, para ti, o importante é saber a edição, a cidade, o ano, conferir a bibliografia, as notas de rodapé, os CD-Rom sobre o assunto.
Passagem perturbante, juntamente com outras que, aliás, se lhe seguem, um em que Sócrates faz o elogio da fertilidade da dialéctica, dos discursos escritos nas almas, progenitores de uma raça de homens, que receberam por baptismo um nome ainda inseguro: filósofos. (…)”

Continuando a sua reflexão no capítulo com este título, e com recurso a vários autores para uma mesma linha de raciocínio, Filomena Molder termina dizendo:

“No tempo de Sócrates, ao tempo do nascimento da filosofia, enquanto o nome desta, e o que lhe correspondia, ainda se estava a fixar, Sócrates lamentava que os jovens já não acreditassem que um carvalho ou uma pedra pudessem ser escutados, se dissessem a verdade, que já não conhecessem a simplicidade do coração que escuta.
Aqui está a divisão, o intervalo que não se fecha, sobre o qual assenta a filosofia, a sua madre. Pois, se Sócrates evoca aqueles que escutavam o rumorejar das folhas dos carvalhos, ele próprio não saberia fazê-lo (tão amigo das cidades como ele era!). E, no entanto, embora pareça que o jovem Fedro deu um passo mais adiante, um passo para o lugar onde nós nos avistamos a nós próprios agora, o lugar já recuado de Sócrates, o lugar daquele que evoca uma experiência que não pode partilhar a não ser falando dela, esse lugar ficará ainda, ainda e sempre, atado aos pés de Fedro, lugar nostálgico de uma crença na legibilidade da natureza, de uma nostalgia da simplicidade do coração que essa crença implica (…).”

Filomena Molder, que não só me transmitiu conhecimentos, sendo minha professora na Licenciatura, como também me fez pensar.

domingo, 16 de março de 2008

Mezzo

Sábado e Domingo são dias em que o comando da minha televisão só conhece o número do canal Mezzo.

Normalmente para música de fundo, mas também para quando ocasionalmente me sento na sala a ler e vou espreitando ou mesmo abandonando a leitura e vendo o que passa.

Foi o que aconteceu neste fim de tarde com uma série de números de dança contemporânea.
De que gostei particularmente, a ponto de vos deixar aqui registo não de todos, naturalmente, mas do que talvez tenha apreciado mais:
Les Bourgeois, música de Jacques Brel, dançado por Daniil Simkin. A não perder