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sábado, 15 de março de 2008

Ler o Padre António Vieira hoje. Sim, mas onde?

Em pleno Ano Vieirino, como aliás já tive ocasião de lembrar aqui no Registos a 6 de Fevereiro, data em que se comemoravam os 400 anos do seu nascimento, justamente comemorado e celebrado com inúmeros eventos e acontecimentos, consultáveis aqui, e a realização de um Congresso Internacional de 18 a 21 de Novembro, onde, se Deus quiser, eu estarei presente, tenho-me interrogado sobre as possibilidades de leitura da sua obra.


Não que a mesma não seja aconselhável ou até com temas tão actuais, longe disso. Apenas porque, tirando (e já tiro muito, é certo) a Biblioteca Nacional, presencialmente ou via Internet, as bibliotecas públicas ou privadas, onde pode o leitor de hoje em dia adquirir as obras do Padre António Vieira? É certo que existem algumas (muito poucas) edições parcelares, mas…


Esta questão tem-me ocupado algum tempo, apenas por distracção da minha parte, vejo agora. Porque ontem fez-se-me luz: a não na moda Livraria Sá da Costa deveria ter publicado alguma coisa.


Assim, animada com essa certeza, hoje de manhã fiz uma coisa que já não fazia, confesso, há algum tempo: fui á Baixa. Entrei na Sá da Costa e nem me cansei a procurar, perguntei logo pelo que queria.


E lá estavam eles à minha espera.
As obras escolhidas do Padre António Vieira com prefácio e notas de António Sérgio e Hernâni Cidade, em 12 vols.

E ainda vou ter o prazer de abrir as páginas, tarefa que associo sempre à vinda da Feira do Livro, onde se concentravam maior número de livros para essa execução. Há certos rituais que não se deviam perder, acho eu. Mas enfim, também não tenho de que me queixar nos próximos tempos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O Padre António Vieira e os Direitos Humanos

“Senhor, os reis são vassalos de Deus, e, se os reis não castigam os seus vassalos, castiga Deus os seus. A causa principal de se não perpetuarem as coroas nas mesmas nações e famílias é a injustiça, ou são as injustiças, nenhumas clamam tanto ao Céu como as que tiram a liberdade aos que nasceram livres e as que não pagam o suor aos que trabalham; e estes são e foram sempre os dois pecados deste Estado, que ainda têm tantos defensores.”

Excerto da carta escrita a 20 de Abril de 1657 pelo Padre António Vieira ao rei D. Afonso VI

No dia em que se comemoram 400 anos do nascimento do Padre António Vieira (1608-1697), um convite a descobrir mais desta figura fascinante da nossa cultura, pensador avant la lettre.

Quando se fala tanto de justiça e acesso à mesma, e para quem tem mais tempo, aqui deixo o link para a sua obra:

Noticias reconditas do modo de proceder de Portugal com os seus prezos / Pe. António Vieira. - Lisboa : Imp. Nacional, 1821.
Disponível na Biblioteca Nacional Digital. Uma leitura que nos faz pensar.